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Cientista descobre
espécies de rãs mudas notívagas na Colômbia
Um cientista americano
descobriu na Colômbia três novas espécies de
uma rã que se caracteriza por fugir da luz
solar, não emitir sons e sair de seus
esconderijos apenas à noite.
Segundo o jornal "El Tiempo", o biólogo
americano Jhon Lynch, pesquisador do
Instituto de Ciências Naturais da
Universidade Nacional, fez a descoberta em
regiões do centro e do nordeste do país.
Reprodução

Jornal local "El Tiempo" divulgou imagens
das rãs da família dos "Cryptobatrachus"
"São três exemplares que Lynch guarda em
frascos de cristal e aos quais ele se refere
como este ou aquele, porque nem sequer os
batizou. Sua única certeza é que pertencem à
família dos Cryptobatrachus e que só existem
na Colômbia", informou o diário.
O pesquisador, segundo o jornal, está
preparando um relatório com os resultados de
sua descoberta com o objetivo de divulgá-los
na revista científica "Zootaxa" e assim
obter um certificado pela comunidade
científica internacional.
Uma das espécies estudadas pelo cientista
possui marcas circulares em seu dorso, como
cicatrizes que ficam em sua pele depois de
carregar seus próprios embriões.
"Talvez não tenham sido encontradas antes
porque os biólogos realizam pesquisas apenas
de dia e em terras muito baixas, onde não
vive a maioria desses anfíbios", concluiu
Lynch.
Com 583 espécies de anfíbios, a Colômbia é o
país com a maior diversidade no mundo no que
diz respeito a esse tipo de animal e o
segundo mais rico em espécies em geral,
depois do Brasil.
Grupo encontra novas espécies no mar das Filipinas
Um grupo de cientistas filipinos e americanos divulgou
nesta terça-feira fotos de possíveis novas espécies marinhas encontradas
durante uma viagem exploratória realizada no mar das Celebes, na baía de
Manila, Filipinas. Os organismos podem ter ficado nas profundezas do
oceano há milhares de anos.
A equipe explorou profundidades de até 2.800 m usando uma câmera. A
parte mais funda do mar das Celebes chega a 5.000 m. "Este é
provavelmente o centro onde muitas espécies desenvolvem-se e espalham-se
pelo oceano", disse Larry Madin, o líder da equipe Inner Space
Speciation Project (ISSP).
Madin disse que a equipe coletou cerca de 100 diferentes animais,
incluindo várias possíveis novas espécies. Uma delas é um pepino-do-mar
quase transparente que nada contorcendo seu corpo. Segundo os
cientistas, a criatura mais estranha é um verme espinhoso e alaranjado
que tem dez tentáculos, como uma lula.
Raro coala branco é encontrado na Austrália
da BBC Brasil
Um raro coala branco foi encontrado no leste da Austrália por uma equipe
da polícia.
BBC

Raro coala branco foi encontrado na Austrália em local mantido em
segredo pelas autoridades
O animal, que recebeu o nome de Mike, estava muito doente e foi levado
para um hospital veterinário em Port MacQuairie.
Durante tratamento para conjuntivite e outros males, o coala foi mantido
sob vigilância 24 horas por dia.
Havia receio de que ele fosse roubado do local.
Até o lugar onde Mike foi achado está sendo mantido em segredo, para não
atrair caçadores.
Segundo a mídia australiana, ele já foi levado de volta para seu
habitat, em uma operação sigilosa.
Confira o vídeo sobre o coala branco.
Veja fotos de novas espécie encontradas
Livro revela a forma de
vida no ´abismo´ dos oceanos
The Deep: The Extraordinary Creatures of the
Abyss conta com 220 fotografias coloridas
dos maiores representantes do modo de vida
nas profundezas
The New York Times
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Da Baía de Monterrey, o "polvo-orelhudo" é
um dos seres estranhos da obra
WASHINGTON - Há mais de 70 anos, quando o
pesquisador William Beebe mergulhos nos
abismos dos oceanos, ele descreveu um mundo
de luzes brilhantes, enguias prateadas e
águas-vivas pulsantes como "apaixonante",
mesmo tendo encontrado também monstros
assustadores. |
"É mais estranho do que qualquer um pode
imaginar", ele escreveu em seu livro Half
Mile Down (Meia milha adentro, em tradução
livre), de 1934. "Assim que eu olho um
destes animais e minhas retinas os percebem,
é como se um cometa entrasse pela escotilha
de meu submarino e tudo o mais perdesse o
sentido, e meus olhos involuntariamente
entrariam neste novo mundo."
Beebe descreveu na obra a maioria das
criaturas, pois, na época, nenhuma câmera
seria capaz de enfrentar o rigor das
profundezas do oceano para registrar as
estranhas maravilhas que as habitam.
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A comunidade científica reagiu com certo
descrédito. Alguns acusaram Beebe de
exagerar. Um deles afirmou, certa vez, que a
alta pressão causada pela profundidade
afetou a mente do cientista, distorcendo a
visão submarina.
Contudo, hoje em dia, a evolução em flashes,
câmeras, equipamentos eletrônicos e
fotografia digital permite que seja revelado
o mundo que Beebe uma vez descreveu. |
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Para mostrar com maior riqueza de detalhes o
mundo do "abismo", a jornalista e diretora
francesa Claire Nouvian lança o livro The
Deep: The Extraordinary Creatures of the
Abyss (University of Chicago Press, 2007). O
livro conta com 220 fotografias coloridas
dos maiores representantes do modo de vida
nas profundezas. |
Celebração do inexplicável
As fotografias que ela selecionou para sua
obra celebram o inexplicável. Espécies
bizarras das profundezas de quatro milhas e
meia (aproximadamente 7,3 quilômetros) são
mostradas em detalhes. São tentáculos em
movimento, luzes piscando em diversas
tonalidades de cor.
No prefácio, Nouvian descreve a epifania que
a fez iniciar sua viagem pelo "abismo". "Era
como se um véu tivesse sido retirado", diz,
"revelando novos pontos de vista, vastos e
mais promissores".
Laurence Madin, do instituto de Oceanografia
Woods Hole, acredita que seria difícil
estudar estes animais, tendo em vista que
seriam enormemente deformados devido à
violência que a pressão atmosférica e a
gravidade agiriam sobre seus corpos, que não
contam com esqueletos, internos ou externos.
"Estas repulsivas massas gelatinosas",
escreve no livro, "são criaturas que mostram
sua real beleza somente em seus hábitats
naturais."
A aparência translúcida dos animais parecem
desafiam o senso comum: eles parecem água
colorida e m movimento. Entre as criaturas,
um pequeno polvo se parece mais com um
brinquedo de criança. Esponjas "árvore
ping-pong" (sim, este é o nome do ser)
reluzem como se fossem uma lamparina
pós-moderna. Os "diabos do mar" aparentam
seres saídos de pesadelos.
Craig Young, do Instituto de Biologia
Marinha do Oregon, escreveu também que a
biodiversidade no abismo "poderia exceder a
encontrada na Floresta Amazônica e na Grande
Barreira de Coral (o maior recife de coral
do mundo) australiana juntas".
Beebe, que liderou o departamento de
pesquisa tropical do Zoológico de Nova York,
fez importantes sugestões sobre o que existe
além da profunda porta oceânica que ele
abriu. O "abismo" traz muito deste plano
escuro à luz, mesmo quando ainda exista um
vasto habitat esperando para ser pesquisado
por uma nova geração de exploradores.
Dino alemão confunde origem das penas
A horda de dinossauros emplumados que andou invadindo
museus, filmes e pranchetas de ilustradores pode acabar parcialmente
depenada, se depender de um estudo publicado hoje. Uma dupla de
pesquisadores descobriu um dino que deveria ser penoso, mas não é,
ameaçando derrubar pelo menos parte do que se pensava saber sobre a
origem das penas nesses bichos e em suas descendentes diretas, as aves.
O dinossauro em questão se chama Juravenator starki e é apresentado aos
cientistas na edição de hoje da revista científica britânica "Nature"
(www.nature.com). É um carnívoro ágil de apenas 80 cm de comprimento,
"um animal muito convencional, mais ou menos típico [de seu grupo]",
segundo o paleontólogo argentino Luis Chiappe, do Museu de História
Natural de Los Angeles (EUA), que o descreveu ao lado de Ursula Gödlich,
da Universidade de Munique.
Só um fator destoa: achado no sul da Alemanha e extremamente
bem-preservado, o bicho, que deve ter sido um bípede corredor, conta com
pequenos trechos de "couro" ao longo da cauda, os quais sobreviveram ao
processo de fossilização. Ora, esse tecido está cheio de pequenas
saliências que lembram escamas -e sem pena nenhuma. "Acontece que esse
animal é extremamente parecido com o Sinosauropteryx, da China, que
tinha boa parte do corpo coberta com penas primitivas", conta Chiappe.

O dino ou a pena?
É aí que a confusão está armada. Até agora, os
paleontólogos supunham que a presença de alguma forma de pena era uma
característica comum a todo um grande grupo de dinos carnívoros, o dos
celurossauros, que inclui membros tão diversos quanto o Juravenator e
dois dos vilões da série "Parque dos Dinossauros", o Velociraptor e o
Tyrannosaurus. Diversos espécimes emplumados vieram à tona nas últimas
duas décadas, em especial na China.
Para tentar salvar a hipótese, o paleontólogo Xing Xu, do Instituto de
Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim, propõe que o
Juravenator seja, na verdade, um animal mais primitivo do que seus
descobridores dizem que é. Além do mais, argumenta, o bicho poderia ter
penas em outras partes do corpo além da cauda. "Embora os pássaros
modernos sejam extensivamente emplumados, o mesmo pode não ser verdade
em seus parentes extintos", escreve ele em comentário na "Nature" de
hoje.
"Claro que isso é uma possibilidade", admite Chiappe. "Mas, nos
dinossauros com penas, a cobertura está presente em todo o corpo",
avalia o paleontólogo, para quem não parece viável classificar a nova
espécie em outro grupo.
"Não acho que houve exagero em pintar todos os celurossauros como
emplumados, mas agora é preciso refinar isso", diz. Para ele, é possível
que várias linhagens tenham perdido a capacidade de produzir penas, ou
que a característica tenha evoluído mais de uma vez entre os "pais" das
aves. Pelo visto, pior para os museus.
Cientistas descobrem
novas espécies de rãs nos Andes

Uma das 7 novas espécies de rãs do gênero
'Phrynopus
MADRI - Uma equipe de cientistas
hispano-americanos descobriu nos Andes da Bolívia e do Peru sete
espécies novas de rãs do gênero "Phrynopus" e várias de lagartixas.
A expedição foi liderada pelos espanhóis Ignacio de la
Riva e Jaime Bosch, com participação do peruano Juan Carlos Chaparro e
do boliviano Rodrigo Aguayo.
De la Riva explicou nesta terça-feira que sua equipe
trabalhou em zonas em que ninguém estava há mais de um século e que as
novas espécies foram encontradas em diferentes vales de Puno e Cuzco
(Peru) e La Paz (Bolívia).
"As rãs ´Phrynopus´ têm uma distribuição muito
restrita na zona andina e sua descoberta foi possível porque em cada
vale evoluíram de forma distinta", apontou o pesquisador espanhol
Elefantes estão se "vingando" de destruição do homem,
diz estudo
da Ansa, em Londres
Um estudo de cientistas e biólogos de vários países
concluiu que os elefantes estão se "vingando" da raça humana por ter
destruído sistematicamente gerações de paquidermes durante décadas.
De acordo com os pesquisadores do Amboseli Elephant Research Project, do
Quênia, África, que publicaram suas descobertas na revista britânica
"New Scientist", os elefantes estão atacando cada vez mais
freqüentemente diferentes grupos humanos, como uma forma de "vingança"
pelos anos de destruição de gerações de paquidermes promovida pelo
homem.
Os especialistas informaram que em Uganda, por exemplo, é cada vez maior
o número de elefantes que estão bloqueando estradas, destruindo
assentamentos e atacando casas, aparentemente sem justificativa ou
motivação alguma.
No entanto, depois de longas pesquisas foi concluído que, diferentemente
do que se imaginava no princípio, os elefantes "têm a habilidade de se
lembrarem de momentos traumáticos e se vingarem".
Por isso, estariam promovendo represálias contra o homem devido à
destruição sistemática de gerações de paquidermes promovida pelos
caçadores entre as décadas de 1970 e 1980.
Órfãos
Segundo a pesquisa, muitos mamíferos órfãos, cujos ancestrais foram
assassinados por caçadores, lembram-se do estresse e do trauma causados
por tais matanças e estão se vingando, destruindo assentamentos humanos.
"Estes animais são muito sensíveis e estão sofrendo uma desordem chamada
estresse pós-traumático, que leva a certas ações de vingança ou
retaliação", explicou Joyce Poole, diretor da pesquisa.
"Muitas manadas de elefantes ficaram órfãs, sem mãe nem pai, e os jovens
inexperientes se transformaram em um tipo de `elefantes adolescentes
delinqüentes`", acrescentou.
Para Poole, os paquidermes são suficientemente inteligentes e sensíveis
para se lembrarem do que aconteceu no passado "e se vingarem" da dor e
destruição causada pelo homem.
"Quando um caçador mata uma elefanta-mãe, o faz sem levar em conta a dor
que está causando ao resto da família, além de estar estimulando um
ciclo de violência", continuou.
Ataques
A pesquisa concluiu também que, diante da ausência de elefantes adultos
mais experientes, os mais jovens se tornam animais agressivos, que
costumam atacar os seres humanos.
Richard Lair, pesquisador de elefantes asiáticos do Instituto Nacional
de Mamíferos, na Tailândia, declarou que foram registrados problemas
semelhantes na Índia, onde as pessoas vivem com medo de ataques mortais
desses animais, depois de os terem caçado durante décadas.
"Em oposição a isso, em áreas onde os elefantes não estiveram em contato
com humanos por décadas, mostram-se mais tolerantes e sociáveis. Isso
demonstra a agressão que os humanos geralmente provocam e a destruição
que geram no mundo natural", acrescentou.
Descoberto
"paraíso" com dezenas de novas espécies
Da BBC
Foto: AP
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| Exemplar de sapo
de 14 milímetros de comprimento |
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Londres - Uma
equipe internacional de cientistas anunciou ter encontrado na Indonésia um
exemplar de uma ave que acreditava-se estar extinta há pelo menos cem anos.
Trata-se da Parotia berlepschi, também chamada de
ave do paraíso, descrita por caçadores do século 19. (Confira foto na
Galeria de imagens).
A equipe, formada por pesquisadores dos Estados Unidos,
Indonésia e Austrália, realizou uma expedição na região isolada perto das
Montanhas Foja, na província de Papua, no leste da Indonésia, que cobre uma
área de mais de um milhão de hectares de floresta.

"É como um Jardim do Éden na Terra", disse Bruce Beehler,
um dos líderes da equipe.
Os cientistas afirmam que descobriram na região 20
espécies de sapos, quatro de borboletas e pelo menos cinco novos tipos de
palmeira.
Mas as descobertas terão que ser analisadas por outros
pesquisadores antes de classificadas como novas espécies.
"Não há indícios do impacto ou presença humana nestas
montanhas. Nós fomos levados de helicóptero. Não havia nem uma trilha",
disse Beehler.
Segundo ele, até os dois membros de tribos da Indonésia
que acompanharam os cientistas ficaram impressionados com o isolamento da
área.
Alaranjada
Uma das descobertas mais notáveis segundo os pesquisadores
foi uma ave que se alimenta de mel e possui a face alaranjada - a primeira
nova espécie de ave a ser vista na área em mais de 60 anos.
Também foi encontrado um mamífero da espécie
Dendrolagus pulcherrimus que, acreditava-se, estava perto da extinção.
Beehler disse que algumas das criaturas encontradas pela
equipe não reagiram com temor ao serem confrontadas com seres humanos.
Dois equidnas de bico longo, mamíferos que botam ovo,
permitiram até que cientistas os levassem para seu acampamento para estudo.
A expedição de dezembro de 2005 foi organizada pela
Conservation International, sediada nos Estados Unidos, juntamente com o
Instituto Indonésio de Ciências.
A equipe admite que em sua viagem de um mês não teve tempo
suficiente para investigar toda a área. Beehler espera voltar ao local ainda
este ano.
Novo
macaco-prego gera guerra entre cientistas
REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo
O que era para ser motivo de comemoração
--uma nova espécie de macaco no país que já
é o lar da maior diversidade de primatas do
mundo-- deflagrou uma guerra entre
pesquisadores do Nordeste. O pomo da
discórdia é o chamado macaco-prego-galego
(batizado, por um dos lados, de Cebus
queirozi), cuja descoberta foi anunciada
oficialmente nesta semana.

Enquanto um grupo diz que o macaco passou
500 anos despercebido da ciência, o outro
argumenta que naturalistas dos séculos 17 e
18 pintaram e até batizaram o bicho
--portanto, seria uma redescoberta. Um dos
lados diz ter achado só três populações
mínimas no litoral de Pernambuco, à beira da
extinção; o outro fala em diversos bandos de
vários Estados e sugere que a situação da
espécie pode não ser tão difícil.
Contragolpe
Um dos golpes decisivos na briga deve vir no
mês que vem, quando Marcelo Marcelino, chefe
do Centro de Proteção de Primatas
Brasileiros do Ibama em João Pessoa, e seus
colegas publicarem a sua própria descrição
da espécie (com um nome diferente de Cebus
queirozi, que ele prefere não revelar por
enquanto) no "Boletim do Museu Nacional".

Gravura que
seria do símio,
feita por
naturalista do séc. 18
Va Campos/CPB-Ibama
Foto do macaco-prego-galego, cujo status de
nova espécie está em questão
Marcelino defende a tese de que o bicho é o
mesmo que cientistas como o alemão Georg
Marcgrave (1610-1644), membro da comitiva de
Maurício de Nassau durante a invasão
holandesa do Nordeste, viram na região.
Marcgrave trabalhou antes da criação do
atual sistema de nomenclatura dos seres
vivos, inventado pelo sueco Lineu no século
18. Mas um aluno de Lineu, Johann von
Schreber (1739-1810), teria retratado o
macaco, batizando-o de Simia flavia (símio
loiro, em latim).
"A gente partiu do princípio de que seria
impossível que alguém não tivesse visto esse
bicho antes", declarou Marcelino à Folha.
"São pinturas inexatas. Consultei-as várias
vezes e nunca achei macaco igual", rebate
Antonio Rossano Mendes Pontes, especialista
em ecologia e conservação de mamíferos da
UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Gravura que seria do símio, feita por
naturalista do séc. 18
Pontes e seus colegas são os autores da
descrição do bicho como Cebus queirozi,
publicada na revista científica "Zootaxa".
Ao longo do processo de descrição, alega
Pontes, "eu mandei um e-mail para o senhor
Marcelo Marcelino pedindo informações, e ele
nunca me respondeu". Ele diz ter a mensagem
arquivada, mas não quis enviá-la à
reportagem da Folha por não desejar
discussões.
"É mentira. Ele nunca entrou em contato
conosco", afirma Marcelino. "O Rossano
[Mendes Pontes] não é sistemata
[especialista na classificação de espécies].
Deixou de citar os autores mais básicos
sobre o assunto no Brasil. Então, como ele
sabia que esses bichos eram diferentes?
Simples. Não era mistério que estávamos
trabalhando nele desde 2003. Ao ver o bicho
pela primeira vez, saiu correndo para
publicar o artigo, com o mínimo de
informação".
Por trás da acusação está o fato de que o
artigo de Pontes apresenta apenas
fotografias e dados gerais (altura, tamanho
da cauda, pelagem etc.) de macacos vivos,
enquanto a prática mais aceita é fazer uma
análise detalhada do esqueleto, sacrificando
um ou mais exemplares. "Não há problema com
a descrição como foi feita. O código
internacional admite que uma nova espécie
seja descrita com base em figuras ou mesmo
pegadas. Claro que isso não significa que um
bom zoólogo faça isso", ressalva Mario de
Vivo, do Museu de Zoologia da USP.
Pontes se defende dizendo que seria
antiético matar um bicho criticamente
ameaçado. Marcelino diz ter matado só três
macacos e que, na verdade, eles seriam
achados no Rio Grande do Norte, em Alagoas,
na Paraíba e em outros locais de Pernambuco
além do estudado por Pontes.
Os adversários só parecem concordar num
ponto: para evitar que eles fiquem brigando
sobre o nada, é imperativo proteger e mapear
a mata atlântica do Nordeste acima do rio
São Francisco.
Seja lá qual for o número de populações, o
animal está numa área em que restam poucos
trechos intactos de mata. "Quando o Rossano
viu a situação do macaco, achou que era
preciso chamar a atenção para ele e por isso
publicou o trabalho", defende José Maria
Cardoso da Silva, vice-presidente de ciência
da ONG Conservação Internacional. A última
palavra sobre o nome virá da comunidade
científica: caso houver consenso de que o
macaco e a pintura de Schreber casam, o nome
dado no século 18 deve ganhar precedência,
segundo as regras de nomenclatura zoológica.
Descoberta
colônia de pássaros
ameaçados de
extinção
Além do abutre
de bico fino, foram encontrados exemplares
de outras espécies dadas como ameaçadas,
como o abutre de cabeça vermelha e o íbis
gigante

Abutre de bico fino vigia seu ninho, na
primeira colônia da espécie encontrada no
sudeste asiático
BANGCOC - Pesquisadores descobriram, nas
selvas do Camboja, a única colônia
conhecida, em todo o sudeste asiático, de
abutres de bico fino, e dezenas de outros
pássaros ameaçados. A colônia foi encontrada
nas selvas a leste do Rio Mekong, na
província de Stung Treng.
"Encontramos os ninhos no alto de uma
colina, onde duas outras espécies de abutre
também foram achadas", disse Song
Chansocheat, gerente do Projeto Cambojano de
Conservação de Abutres, um projeto do
governo local que conta com apoio de
diversas organizações internacionais.
"Surpreendentemente, havia também diversas
outras espécies ameaçadas de pássaros e
primatas", afirma nota emitida por Song
Chansocheat. "Trata-se de um lugar muito
especial".
Além do abutre de bico fino, foram
encontrados exemplares de outras espécies
dadas como ameaçadas, como o abutre de
cabeça vermelha, o íbis gigante e um macaco
chamado langur prateado.
Pesquisadores afirmam que os abutres de bico
fino já haviam sido avistados em outras
partes do sudeste da Ásia, mas a única outra
colônia conhecida fica no norte da Índia. O
pássaro é dado como extinto em boa parte do
sudeste asiático.
Pouco após a descoberta, a equipe de
cientistas tomou medidas para proteger os
pássaros contra a caça ilegal ou a coleta de
ovos. Eles estão trabalhando com as
comunidades locais para envolver os
moradores no esforço de proteção.
O abutre de bico fino é uma de dezenas de
espécies de abutre da Ásia que foram levadas
á beira da extinção pelo consumo de carcaças
de gado contaminadas por diclofenaco, um
antiinflamatório dado a vacas doentes e que
é veneno para os abutres. O uso do produto
reduziu a população de algumas espécies de
abutre em até 99%
Topo
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