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Proteção legal:
Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril, Transposição da Directiva Aves 79/409/CEE
de 2 de Abril
de 1979, com a redacção dada pelo Decreto-Lei nº 49/2005 de 24 de Fevereiro -
Anexo I
Decreto-Lei nº 316/89 de 22 de Setembro, transposição para a legislação
nacional da Convenção
de Berna - Anexo II
Decreto-Lei n.º 103/80 de 11 de Outubro, transposição para a legislação
nacional da Convenção de
Bona - Anexo II
Fenologia: Nidificante estival e Invernante.
Distribuição:
Global: A gaivota de Audouin é uma espécie nidificante confinada ao Mediterrâneo.
A sua área de
distribuição estende-se pelo Chipre, Espanha, França, Grécia, Itália e Turquia (BirdLife
International/European Bird Census Council 2000). Também se encontra no Egipto,
Ilhas Canárias,
Jordânia, Líbano, Malta, Mauritânia e Suíça (Cramp & Simmons 1983). Espécie
parcialmente
migratória, inverna principalmente na costa atlântica de África, estendendo-se
ao Sul do Senegal e à
Gâmbia.
Nacional: A distribuição desta espécie como nidificante resume-se à Reserva de
Castro Marim,
podendo no entanto ocorrer a sua presença noutros locais da costa a sul do Tejo.
Tendência Populacional:
A espécie era muito rara, mas recentemente verificou-se recuperação; segundo (De
Juana 1994).
Em Portugal, dado que a espécie começou a nidificar nos últimos 5 anos e tem
aumentado o numero
de casais reprodutores, corresponde a um claro incremento da população, embora
com insucesso
reprodutor muito elevado.
Abundância:
A população reprodutora em Castro Marim é de 8 a 12 casais ( 2000 a 2003 P.
Monteiro com. pess. ) e
na Ria Formosa de 3 casais em 2002 (M. Lecoq com. pess.).
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Fauna, aves
Requisitos ecológicos:
Habitat: Desloca-se usualmente ao longo da costa, preferindo baías abrigadas
tanto cobertas com
cascalho, como com areia ou com margens rochosas. Na praia gosta de água doce,
encontrando-se por
isso na foz de um curso de água e raramente frequenta zonas interiores. Alimenta-se
principalmente
em mares calmos e afastadas da costa. Ocasionalmente podem encontrar-se em áreas
agrícolas perto
das colónias. A única colónia reprodutora conhecida em Portugal nidifica numa
zona de sapal.
Durante a nidificação os casais descansam juntos, no seu território. Fora da
época de reprodução
descansa em bandos na praia (normalmente perto da foz de rios), rochas e salinas
durante o dia e em
ilhas rochosas durante a noite. Pode fazê-lo com outras Larus, mas mantendo-se
sempre distantes.
Alimentação: Alimenta-se principalmente de noite, sendo a sua dieta constituída
por peixe,
invertebrados terrestres e aquáticos, pequenas aves e material vegetal. As aves
alimentam-se também
de desperdícios atirados ao mar por barcos de pesca. Ocasionalmente podem
encontrar-se sozinhos ou
em pequenos grupos de 2 a 4 indivíduos em áreas agrícolas, caçando insectos ou
apanhando alimento
do solo (Cramp & Simmons 1983).
Reprodução: Espécie gregária e colonial, geralmente em bandos com cerca de 3-4
indivíduos,
sozinhos ou com outros Larus. O ninho é instalado no chão no meio de rochas e
vegetação dispersa.
Espécie territorial na zona de nidificação. Casal monogâmico, ambos os
progenitores cuidam das crias
até estas atingirem a fase de desenvolvimento que lhes permita tornarem-se
independentes. Crias
precoces e semi-nidífugas (Cramp & Simmons 1983).
Ameaças:
A pressão turística nos locais de nidificação. As actividades ligadas ao turismo,
nomeadamente as
relacionadas com a observação de aves e visitação, provocam a perturbação no
período em que as aves
se reproduzem, levando-as a abandonar os ninhos e consequente inviabilização das
posturas;
A pesca intensiva que provoca a escassez dos stocks de peixe devido à falta de
protecção adequada no
meio marinho;
O crescimento acelerado da população de Gaivota-de-patas-amarelas Larus
cachinnans. Esta ave
compete com a Larus audouinii pelo espaço de nidificação e preda os ovos e as
crias;
A poluição da água, por efluentes domésticos, industriais e agrícolas;
A predação. Muitos animais, como raposas, gaivota, cães e gatos domésticos
alimentam-se dos ovos,
provocando importante redução no sucesso reprodutor da espécie;
A recolha dos ovos e perturbação provocadas por pescadores, são ameaças
ocasionais.
O desconhecimento das ameaças a que a espécie está sujeita fora dos locais de
nidificação, associado
ao desconhecimento da distribuição das áreas de alimentação.
Objectivos de Conservação:
Conservar as zonas de nidificação.
Assegurar o habitat de reprodução, alimentação e descanso.
Promover a continuidade das rotas migratórias.
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Fauna, aves
Orientações de Gestão:
Manter a tranquilidade dos locais de nidificação, evitando a perturbação
humana causada por
actividades de lazer e o acesso às zonas de nidificação e zonas limítrofes;
Melhorar eficácia de fiscalização sobre a perturbação;
Identificar as zonas mais importantes para a manutenção da espécie no meio
marinho,
nomeadamente as zonas de alimentação e de concentração à superfície. posterior
implementação
de medidas de protecção adequada;
Proceder a monitorização anual da população de Larus cachinnans;
Promover estudos sobre aspectos básicos da biologia da espécie (ecologia, ,
movimentos,
requisitos de habitat e recursos alimentares);
Realizar estudos de forma a estabelecer os efeitos que o Larus cachinnans
exerce sobre a
população de Larus audouinii;
Manter e melhorar a qualidade da água pelo tratamento eficaz das descargas de
efluentes.
Fiscalizar e controlar o funcionamento e eficácia das ETAR e monitorizar a
qualidade da água;
Estabelecer um esquema de protecção das colónias através de vedações que
impeçam o acesso de
predadores terrestres;
Fiscalizar a captura dos ovos durante a época de nidificação;
Elaborar os planos de gestão / ordenamento dos locais de que a espécie
depende, nomeadamente
das ZPEs mais importantes para a espécie.
Outra informação relevante:
Pouco comum mas local na ocorrência, reproduzindo-se em pequenas colónias. O seu
aumento parece
estar associado à tendência para se alimentar durante os eventos de pesca e das
descargas de
excedentes (by-catch) dos barcos.
Bibliografia:
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populations: estimates
and trends. BirdLife Conservation Series nº 10, BirdLife International,
Cambridge.
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Conservation
Status. BirdLife Conservation Series nº 10, BirdLife International, Cambridge.
Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N,
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Vermelho dos
Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa.
Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000). Nomes Portugueses
das Aves do
Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.
Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the Birds of Europe, the Middle
East and North
Africa, (Waders to Gulls), Vol. III. Oxford University Press, Oxford.
De Juana E (1994). Audouin's Gull Larus audouinii. In: Birds in Europe: their
conservation status.
Pp.286-287. Tucker GM & Heath MF. BirdLife Conservation Series No. 3. BirdLife
International,
Cambridge.
Farinha JC & Trindade A (1994). Contribuição para o inventário e caracterização
de zonas húmidas
em Portugal continental. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa.
ICN (em prep). Novo Atlas das Aves que Nidificam em Portugal. Dados provisórios.
Instituto da
Conservação da Natureza, Lisboa. Não publicado.
Madroño A, González C & Atienza J C (eds.) (2004). Libro Rojo de las aves de
España. Dirección
General de Conservación de la Naturaleza , Ministerio de Medio Ambiente /
Sociedad Española de
Ornotología / BirdLife, Madrid.
UICN (2004). 2004 IUCN Red List of Threatened Species. <http://www.redlist.org>
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Wetlands International (2002). Waterbird Population Estimates – Third Edition.
Wetlands
International Global Series No. 12, Wageningen, The Netherlands. |