Mais da metade dos idiomas do mundo estão
condenados à extinção
No Brasil, a língua 'arikapu' hoje é falada por apenas seis índios. Quando os
portugueses chegaram ao País, povos indígenas falavam mais de mil idiomas.
Línguas faladas na Sibéria e Alaska também estão em extinção.
Índio da tribo Pitaguarí (CE), povo que hoje só fala o português.
Mais de metade de todas as línguas existentes no mundo estão condenadas à
extinção até o final deste século. Os lingüistas crêem que entre 3.400 e 6.120
línguas podem desaparecer antes de 2100, o que supera a conhecida estatística
de uma língua extinta a cada duas semanas. Atualmente existem 6.800 idiomas no
mundo.
Uma das razões para o desaparecimento é que a metade de todas as línguas é
falada por comunidades pequenas, com menos de 2500 habitantes/ idioma, segundo
dados do Worldwatch Instituto, uma organização privada que estuda as
tendências culturais em todo o mundo. E, de acordo com a Unesco, para passar
de uma geração a outra, uma língua precisa ser falada por pelo menos 100 mil
nativos.
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Guerras, genocídios, desastres naturais, a difusão de línguas dominantes como
o chinês e o russo, assim como as proibições oficiais de se falar uma língua,
também contribuem para a extinção de um idioma. Em janeiro, por exemplo, um
terremoto devastador na Índia matou 30 mil kutchi. Hoje sobram apenas 770 mil
pessoas que falam esta língua. "De certa forma, o processo de desaparecimento
de uma língua é semelhante a de um animal", comenta Payal Sampat, investigador
do Worldwatch. |
As perspectivas para os idiomas udihe, eyak e arikapu, falados na Siberia,
Alaska e no Brasil, respectivamente, são as piores possíveis. Apenas cem
pessoas falam o udihe, seis se comunicam em arikapu e somente uma fala o eyak,
segundo o instituto Worldwatch.
Hoje, os povos indígenas no Brasil falam mais de 170 línguas e dialetos
diferentes. Acredita-se que quando os portugueses chegaram aqui, este número
girasse em torno de mais de mil idiomas, segundo o Instituto Sócio Ambiental.
Hoje se conhece a existência de dois grandes troncos lingüísticos, o Tupi e o
Macro-Jê, e 36 famílias lingüísticas. Apenas nove línguas indígenas têm acima
de 5 mil falantes: Guajajara, Sateré-Mawé, Xavante, Yanomami, Terena, Makuxi,
Kaingang, Ticuna e Guarani, estes últimos com 30 mil indivíduos. Cerca de 110
línguas contam com menos de 400 falantes.
Marie Smith, de 83 anos, residente na cidade de
Anchorage (Alaska), diz que é a última pessoa do mundo capaz de falar o eyak.
Os lingüistas confirmam. "É horrível ser a única", disse Smith ao 'The
Associated Press'.
A extinção de um idioma não afeta somente uma comunidade. Quando uma língua
morre, lingüistas, antropólogos e outros estudiosos perdem uma rica fonte de
material sobre a história e cultura dos povos. O mundo, do ponto de vista
lingüístico, perde em diversidade. Atualmente, oito países reúnem mais da
metade de todos os idiomas do mundo. São eles: Papua Nova Guinea, Indonésia,
Nigéria, Índia, México, Camarão, Austrália e Brasil.
A morte de idiomas não é um fenômeno novo. "O que espanta é a rapidez com que
as línguas morrem atualmente", afirmou Megan Crowhurst, diretora da comissão
de línguas em extinção da Sociedade Lingüística dos Estados Unidos.
BRASIL
Povos indígenas que não falam seu próprio idioma, já usam o português
regional:
Atikum, Kaimbé, Kaixana, Kantaruré, Kapinawá, Karapotó, Kariri, Kariri-Xocó,
Kaxixó, Kiriri, Paiaku, Pankararé, Pankararu, Pankaru, Pataxó, Pataxó
Hã-Hã-Hãe, Pitaguari, Potiguara, Tapeba, Tapuia, Tingui Botó, Tremembé, Truká,
Tupiniquim, Tuxá, Wassu, Xukuru e Xukuru Kariri.
Apenas nove línguas indígenas têm acima de 5 mil falantes:
Guajajara, Sateré-Mawé, Xavante, Yanomami, Terena, Makuxi, Kaingang, Ticuna e
Guarani
Fonte: Instituto Sócio Ambiental