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As
estratégias emergenciais de conservação foram discutidas por especialistas e
criadores científicos, em Maceió, Alagoas, nesta quinta e sexta feira (8 e 9/5),
num encontro coordenado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com o Instituto para a Preservação da
Mata Atlântica (IPMA). “Estamos trabalhando em duas frentes:
aumentar significativamente a população de mutuns em cativeiro, com o máximo
de variabilidade genética possível, e trabalhar na recuperação das matas de
Alagoas e reconexão de fragmentos florestais, para uma futura reintrodução
na natureza”, conta Carlos Bianchi, do Ibama. A população conhecida de
mutum de Alagoas se divide em dois criadouros científicos, ambos com larga
experiência em reproduzir espécies ameaçadas de extinção, localizados em
Minas Gerais, um em Poços de Caldas e outro em Contagem. O aumento da
população pode contar, ainda, com o reforço de 60 mutuns híbridos,
resultantes do cruzamento da espécie de Alagoas com outra, geneticamente
próxima, o Mitu tuberosa.
Temperamentais
Pelo menos dez espécies de mutum
ocorrem no Brasil. São aves pouco menores do que o peru doméstico, de penas
pretas, com algumas variações entre o marrom e o branco na barriga e crista
de cores muito vivas, entre o amarelo e o vermelho. Alimentam-se de frutas,
folhas, sementes, pequenos roedores e insetos. Passam a maior parte de seus
30 anos de vida no chão, mas sabem voar baixo e costumam se abrigar, dormir
e fazer ninhos em galhos de árvores, a uma altura máxima de cinco metros. Os
machos é que constroem os ninhos e as fêmeas botam dois ovos a cada postura.
Uma vez estabelecidos, os casais são territoriais, ou seja, demarcam áreas
onde não permitem o ingresso de outros casais da mesma espécie. A criação e reprodução de mutuns em
cativeiro exige conhecimento e muito cuidado no trato. Tanto o macho como a
fêmea são temperamentais e podem matar o parceiro em minutos, se a corte
terminar em briga. “Por isso devemos experimentar a inseminação artificial,
para conseguir alguns cruzamentos importantes para manter a variabilidade
genética”, diz Bianchi. Os casamentos serão planejados por Luís Fábio
Silveira, da Universidade de São Paulo (USP), responsável pelo studbook
(gerência de linhagem) da espécie. Os recursos de investimento na reprodução
devem sair, em parte, de uma linha de financiamento a ser anunciada pelo
Ministério do Meio Ambiente, no final do mês, junto com o lançamento do
livro vermelho da fauna ameaçada de extinção.
Usinas “verdes”
Já o trabalho com a manutenção e
recuperação do pouco que restou de Mata Atlântica em Alagoas conta com
recursos e empenho de pelo menos 32 usinas de cana-de-açúcar, associadas ao IPMA. A organização não governamental trabalha com empresas, há 7 anos, na
manutenção e reconexão dos fragmentos florestais. “Cada empresa que se torna
nossa sócia deve atender a uma série de exigências, que vão desde a
obrigatoriedade de criar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)
até o controle de queimadas, educação ambiental, reflorestamento e coibição
da caça, dentro de suas fazendas”, explica Fernando Pinto, do IPMA. Estão no programa 22 usinas de Alagoas,
4 de Pernambuco, 2 da Paraíba e 2 do Rio Grande do Norte, somando 45 RPPNs,
das quais 7 já foram decretadas, 19 estão protocoladas e as outras na fase
de delimitação. As RPPNs são decretadas por fazenda, sendo que cada usina
pode ter várias destas unidades de conservação. “O setor canavieiro
descobriu que investir em conservação ambiental não é tão caro e traz um bom
retorno, em termos de imagem, então, várias usinas têm nos procurado
espontaneamente para aderir e algumas querem montar centros de visitação”,
acrescenta Pinto.
As 45 RPPNs dos canavieiros já somam 13
mil hectares de remanescentes florestais protegidos, em vários estágios de
conservação. Além disso, o plantio de mudas nativas chega a cerca de 500 mil
por ano, sobretudo em encostas, onde o cultivo de cana foi abandonado. Os
investimentos, atualmente, estão mais concentrados em produtividade, com
preferência para a mecanização, irrigação e uso de tecnologias avançadas nas
áreas planas. As áreas mais acidentadas, abandonadas, estão sobrando para os
reflorestamentos, o que é mesmo mais indicado, do ponto de vista ambiental. |