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Vegetação no solo

 

Com vimos anteriormente, o regime de chuvas, o relevo com encostas íngremes e o manto de intemperismo bem desenvolvido são os ingredientes para a ocorrência de erosão pronunciada e movimentos de massa de diversos tipos. Antes da ocupação humana isto não vinha acontecendo porque na evolução natural da paisagem a vegetação vinha atuando como um importante elemento estabilizador da paisagem.

A água é o principal fator de desestabilização de uma encosta e é por isto que no verão aumentam os acidentes ligados aos movimentos de massa. A água ao se infiltrar aumenta seu peso de uma forma proporcional ao grau de saturação e à porosidade do solo. Para se ter uma idéia, tomemos um solo com porosidade igual a 20%. Se estiver totalmente saturado seu peso estará aumentado em cerca de 9%. A água infiltrada desenvolve forças que rompem a coesão do solo; dissolve sais cimentantes, cria pressões internas, diminui a força de atrito entre as superfícies dos grãos, como diminui também o atrito entre o manto de intemperismo e o substrato rochoso.

 

A cobertura vegetal aumenta a infiltração da água no solo, principalmente quando se tem chuva fina e prolongada. Apesar disto a cobertura vegetal apresenta qualidades de contenção e proteção que compensam o efeitos negativos provocados pelo aumento de peso e maior infiltração.

a) A cobertura vegetal protege a parte superficial do solo do impacto direto das gotas de chuva.

b) A vegetação atua na melhor distribuição da água pela superfície, não permitindo que as partículas argilosas colmatem os poros do solo, mantendo sua aeração.

c) A presença de húmus, bem como a sombra proporcionada pelas plantas, mantém a umidade do solo, evitando seu ressecamento e gretamento. Um solo gretado é mais facilmente ravinado pelas chuvas.

d) A cobertura vegetal atua na contenção mecânica do solo, devido ao extenso sistema radicular das plantas, principalmente as de grande porte. Este sistema radicular se constitui numa verdadeira rede viva, que une os grãos entre si e mantém a coesão do solo.

Obs.: Não confundir sistema radicular com raízes, que no senso comum são somente aquelas partes do sistema radicular de maior diâmetro e facilmente visíveis.

Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura vegetal insuficiente, estará submetido à erosão. A chuva ao cair iniciará um processo de erosão laminar. Com o passar do tempo pequenas ravinas vão se formando e a camada superficial do solo será perdida. Esta camada é importante porque tem propriedades mecânicas diferentes das camadas subjacentes ( é mais coesiva). Quando se inicia a formação de pequenas ravinas a água começa a se concentrar em filetes cada vez mais volumosos aumentando em muito sua capacidade de transportar as partículas do solo. Neste estágio o solo passa a ser agressivamente erodido por qualquer chuvinha.

 

A destruição da vegetação pode se dar através da remoção direta pelo homem (capina ou aração), remoção pela pecuária intensiva (muito animal para pouco pasto), remoção pelo fogo.

Os animais de grande porte além de removerem a vegetação criam com suas patas sulcos no terreno, que aceleram o processo erosivo A pastagem intensiva não permite que o solo recupere sua cobertura vegetal, empobrecendo-o em matéria orgânica e nutrientes minerais. Um pasto com uso intensivo pode ser reconhecido facilmente porque entre a vegetação rasteira pode-se ver partes avermelhadas do solo aparecendo.

 

 

 

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