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Com o sucesso da viagem de Vasco da Gama, Dom Manuel decide montar uma
esquadra maior e mais preparada, que pudesse estabelecer feitorias seguras
nas Índias. Portugal tratava de desenvolver as bases para seu império
comercial. Para chefiar esta esquadra procura um conhecedor da arte de
navegar, bom soldado, cristão, leal e
capaz de entender os seus projetos políticos e comerciais.
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E encontra esse homem em
Pedro Alvares Cabral. Novamente, o brasão das duas
cabras está presente na história das conquistas portuguesa. Ele surgira
com Álvaro Gil Cabral, na instauração da dinastia de Avis; nas mãos de
Luís Álvares Cabral e Fernão Álvares Cabral, durante a tomada de Ceuta. No
cerco de Tânger morre Fernão Álvares, mas o brasão empunhado pôr seus
filhos, Fernão Cabral, se distingue nas lutas pela conquista de Alcácer e
Arzila. É o brasão de uma nobre e audaz estirpe portuguesa: a linhagem dos
Cabral. |
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Pedro Álvares nascera em 1467 ou 1468, no castelo da vila de Belmonte, na Beira
Baixa, filho de Dona Isabel de Gouveia e Dom Fernão Cabral. Seu pai tinha o
apelido de "Gigante da Beira", pôr sua grande estatura, e era respeitado tanto
pela bravura e nobreza de seus antepassados, como pelo talento de guerreiro e
habilidade de administrador. |
Pedro Álvares passou os primeiros anos no castelo de Belmonte, ao lado dos pais
e dez irmãos. Cresceu ouvindo os feitos dos antepassados, em meio às notícias
das descober-tas marítimas do seu povo. Com a morte de seu irmão mais velho,
receberia o sobrenome da família. Só então passou a chamar-se Cabral.
Com onze anos, foi para a corte de Afonso V, onde, além de receber instrução
literária, história e científica, aprendeu a usar armas. Com dezesseis anos, é
nomeado moço fidalgo da corte de Dom João II. E ali vive um ambiente de
heroísmo, cercado de histórias de batalhas e de descobertas. Todos falam da
conquista da África, das viagens marítimas, dos caminhos das Índias.
Com 33 anos, Cabral é um homem culto. E, embora não seja marinheiro
experimentado, conhece os problemas de navegação.
Dom Manuel acreditava encontrar em Cabral as qualidades de chefe militar e de
diplomata. Tinha-o como o homem certo para comandar a Segunda esquadra
portuguesa com destino às Índias, e lá negociar. Com ele iriam os mais hábeis
pilotos e, para ajudar as negociações, os navios estavam cheios de presentes
para os soberanos asiáticos. |
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