Forças
Gravitacionais Diferenciais
Corpos com simetria esférica agem,
gravitacionalmente, como massas pontuais, para as quais as influências
gravitacionais são facilmente calculadas. Na natureza, no entanto, os
corpos na maioria das vezes não são perfeitamente esféricos. A principal
contribuição à não esfericidade em planetas é a sua rotação. Outra
contribuição é proporcionada pelas forças gravitacionais diferenciais que
corpos vizinhos exercem uns nos outros. Essas forças diferenciais resultam
em fenômenos como marés e precessão.
A força total exercida sobre uma
partícula será:
A força gravitacional diferencial
é a diferença entre as forças gravitacionais exercidas em duas partículas
vizinhas por um terceiro corpo, mais distante. A figura abaixo ilustra a
força diferencial entre as partículas
e
devido à atração gravitacional do corpo M.


Considere as duas partículas da figura
acima. Chamemos de R a distância entre as duas partículas, e de
r a distância de M à partícula
.
O valor de
será:

Sendo:
e

Temos que:
Fazendo m1 = m2 = m, podemos escrever:
Para r >> R,
,
e
Portanto a expressão da força diferencial
fica:

Podemos chegar a esse mesmo resultado
derivando a Lei de Gravitação Universal:

Então:

e

Esta é a expressão da força diferencial
dF na direção de dr. É basicamente a mesma expressão
derivada acima, com a diferença de que aqui temos dr onde acima lá
temos R. Isso nos diz portanto que dr é a separação entre os
pontos para os quais estamos calculando a força diferencial.
As marés na Terra constituem um fenômeno
resultante da atração gravitacional exercida pela Lua sobre a Terra e, em
menor escala, da atração gravitacional exercida pelo Sol sobre a Terra.
A idéia básica da maré provocada pela
Lua, por exemplo, é que a atração gravitacional sentida por cada ponto da
Terra devido à Lua depende da distância do ponto à Lua. Portanto a atração
gravitacional sentida no lado da Terra que está mais próximo da Lua é
maior do que a sentida no centro da Terra, e a a atração gravitacional
sentida no lado da Terra que está mais distante da Lua é menor do
que a sentida no centro da Terra.
Em relação ao centro da Terra, um lado
está sendo puxado na direção da Lua e o outro lado está sendo puxado na
direção contrária. Como a água flui muito facilmente, ela se "empilha"
nos dois lados da Terra, que fica com um bojo de água na direção da Lua e
outro na direção contrária.
Figura fora de escala da Terra e da Lua
Enquanto a Terra gira no seu movimento
diário, o bojo de água continua sempre apontando aproximadamente na
direção da Lua. Em um certo momento, um certo ponto da Terra estará
exatamente embaixo da Lua e terá maré alta. Seis horas mais tarde, a
rotação da Terra terá levado esse ponto a
da Lua, e ele terá maré baixa. Dali a mais seis horas, o mesmo ponto
estará a
da Lua, e terá maré alta novamente. Portanto as marés acontecem duas
vezes a cada 24h 48, que é a duração do dia lunar.
Figura fora de escala da Terra e da Lua
Se a Terra fosse totalmente coberta de
água, a máxima altura da maré seria 1 m. Como a Terra não é completamente
coberta de água, vários aspectos resultantes da distribuição das massas
continentais contribuem para que a altura e a hora da maré variem de lugar
a outro. Em algumas baías e estuários as marés chegam a atingir 10 m de
altura.
Fonte:http://astro.if.ufrgs.br
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