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Astrônomo afirma ter descoberto novo planeta

O astrônomo americano Michael Brown afirmou nesta sexta-feira ter descoberto o "décimo planeta do sistema solar", a cerca de 15 bilhões de quilômetros da Terra.

O novo "planeta", batizado provisoriamente de 2003-UB313, é o corpo celeste mais distante já descoberto gravitando em torno do sol", disse Brown, chefe do departamento de astronomia do Instituto Californiano de Tecnologia (Caltech), em Pasadena. Segundo Brown, o corpo celeste está "situado a 97 unidades astronômicas (14,4 bilhões de quilômetros) da Terra" e é maior que Plutão, o nono planeta do nosso sistema solar, descoberto em 1930.

O novo "planeta" foi batizado provisoriamente de 2003-UB313

O 2003-UB313 foi fotografado por uma câmera extremamente possante por intermédio do telescópio Samuel-Oschin, do Monte Palomar, no sul da Califórnia, disse Brown. Ele admitiu que qualificar de "planeta" este corpo celeste composto basicamente de rocha e gelo, como Plutão, pode provocar polêmica entre os especialistas, mas lembrou que se o 2003-UB313 não é um planeta, Plutão também não é.

O 2003-UB313 é um típico corpo do Cinturão de Kuiper, mas tem o tamanho para ser classificado de planeta. "Ele é, definitivamente, maior que Plutão", destacou Brown. O astrônomo americano propôs um nome para o "planeta" à União Internacional de Astronomia e espera uma decisão sobre o caso.

Brown fez a descoberta com os astrônomos Chad Trujillo, do Observatório Gemini de Havaí, e David Rabinowitz, da Universidade de Yale, em 8 de janeiro passado. O novo "planeta" será visível "nos próximos seis meses pela manhã, no leste do firmamento, na constelação de Cetus", segundo Brown.

 

Nova mancha no currículo de Júpiter

Quando você pensa em Júpiter, qual é a primeira coisa que vem à cabeça? A Grande Mancha Vermelha. Pois pode reservar espaço na memória para outra coisa: vem aí Red Jr. --outra mancha vermelha que está neste momento se formando, não muito longe de onde está sua irmã maior.

JPL/Nasa
Imagem de Júpiter obtida pela sonda Cassini
Imagem de Júpiter obtida pela sonda Cassini

O nome oficial daquela formação por enqüanto é Oval BA, monitorada com cuidado desde 2000. Produzida pelo "encontro" de várias tempestades na atmosfera de Júpiter entre 1997 e 2000, ela era branca até novembro do ano passado. "Estivemos monitorando Júpiter por anos para ver se a Oval BA ia ficar vermelha", disse Glenn Orton, astrônomo do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, em comunicado da agência espacial americana. "Agora finalmente parece estar acontecendo."

Talvez seja uma boa oportunidade para falar que diabos afinal acontece em Júpiter para deixá-lo todo manchado. Para começar, Júpiter é grande, muito grande: 143 mil quilômetros de diâmetro, cerca de 12 vezes o terrestre (só na Grande Mancha Vermelha dá para acomodar umas três Terras). Além disso, o planeta é todo feito de gás --um enorme cobertor composto principalmente por hidrogênio e hélio (não por acaso os elementos mais abundantes do Universo). Tudo isso se resume em sua categoria: gigante gasoso.

Pois bem. Se nosso modesto planeta, com uma atmosfera com umas poucas dezenas de quilômetros de altura, já tem uma dinâmica tão complicada (de deixar malucos os pobres meteorologistas e climatologistas que buscam criar modelos de longo prazo do comportamento das camadas de ar), imagine um mundo feito praticamente todo de atmosfera, com uma gravidade muito mais intensa? Bem-vindo a Júpiter, amigo.

Resultado: clima de Itu. A Grande Mancha Vermelha, por exemplo, já é observada desde 1665 e não pretende ir a lugar nenhum tão cedo. É um redemoinho gigante e turbulento, com fluxos que atingem velocidades de 500 km/h. É para colocar furacão terrestre no chinelo. Alguma alteração química, associada à chegada de material na alta atmosfera joviana, produz a cor vermelha --mas ninguém sabe explicar como.

O surgimento da Red Jr. é uma grande oportunidade para estudar como isso tudo acontece, embora ninguém tenha a garantia de que a irmã menor tenha vindo para ficar. Os astrônomos terão de ficar de olho nos próximos meses e anos, para monitorar a evolução da Oval BA. E o legal é que a oportunidade não está fechada aos profissionais.

Dulcidio Braz Jr.
Imagens de astrônomos amadores filipino e brasileiro revelam nova mancha
Imagens de astrônomos amadores filipino e brasileiro revelam nova mancha

Em seu anúncio, a Nasa destacou a fotografia obtida por um astrônomo amador filipino, chamado Christopher Go, para exibir a nova mancha vermelha. Mal sabia a agência espacial americana que o brasileiro Darío Pires, 62, astrônomo amador de Araraquara (interior de São Paulo), alguns dias antes, já havia flagrado o surgimento de Red Jr.

Pires, como me disse o físico Dulcidio Braz Jr., do blog Física na Veia, é uma espécie de "Professor Pardal" da astronomia amadora. Ele mesmo constrói seus telescópios, usa uma webcam improvisada acoplada ao dito cujo para obter as fotografias e adaptou um mecanismo de impressora para mover o telescópio de modo a acompanhar o movimento da Terra. Ainda assim, suas imagens rivalizam em qualidade com as que são obtidas com equipamentos industriais.

"Confecciono telescópios, óptica e mecânica, somente sob encomenda, juntamente com meu filho Jaime Pires", diz Darío. "Faz mais ou menos uns 20 anos que faço isso, mais por hobby do que por comércio. Aprendi com livros antigos e o meu método de trabalho na óptica é baseado no livro de Jean Texereau, "La Construction du Télescope d'Amateur", da Societé Astronomique de France, 1956, e em vários outros livros italianos e americanos, porque no Brasil não existe literatura para isso."

Para o astrônomo amador brasileiro, foi uma surpresa encontrar a Red Jr. em suas imagens. "Apenas notei quando um astrônomo, amigo meu, mandou um e-mail comentando", diz. "Sempre tiro fotos de Júpiter, embora meu planeta preferido seja Saturno!"

Eventos como o surgimento da Red Jr. e exemplos como o de Darío Pires são fascinantes sobretudo porque mostram uma grande verdade sobre o cosmos e seus mistérios --eles estão abertos a quem quer que se interesse por eles. Basta olhar para cima.

Cinco planetas visível se encontram no céu

RIO - Os cinco planetas visíveis a olho nu estarão reunidos no céu no início da noite desta segunda-feira e até o início de abril. Mercúrio, Vênus e Marte serão visíveis por algum tempo após o pôr-do-sol. Júpiter e Saturno, durante toda a noite.


Chance de observação comparável não se terá antes de abril de 2036, avisam os astrônomos.

Mercúrio aparecerá logo após o pôr-do-sol, próximo do horizonte, a oeste. Acima, Vênus, Marte (ao lado de da constelação de Touro), Saturno (em Gêmeos) e Júpiter (em Leão). Entre Saturno e Júpiter, a Lua, em fase nova.

"De vez em quando os cinco planetas visíveis vão se reunir de um lado do Sol", descreve Myles Standish, em um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa sobre o episódio. "Mas apenas quando as condições são as certas eles tornam-se todos claramente visíveis, pouco antes do amanhecer ou logo depois do pôr-do-sol."

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