Este é um histórico da
cidade de Olímpia-SP. penetração do homem civilizado, em nossa região, teve início, em princípios do século passado, com elementos aventureiros, vindos de Minas Gerais, que descendo o Rio Grande(Jeticaí para os indígenas) espalharam-se pelas margens do caudaloso rio e dos seus afluentes, tomando posse de vastas extensões de terras. Esses pioneiros acabaram por
afugentar os aborígines que habitavam essas paragens. Sabe-se que havia o
domínio das terras por tribos indígenas: guaranis, caiapós e carijós,
inimigos ferrenhos entre si, que com a chegada do elemento branco,
insatisfeitos, abandonaram seus territórios e cujos vestígios têm sido
encontrados até nos dias atuais. Urna Funerária Indígena A abundância de madeiras de lei, a fertilidade do solo e ricos mananciais existentes, no enorme sertão, formavam o quadro das condições favoráveis para a fixação desses primeiros penetradores, com suas famílias, que assim achavam os meios para a regularidade do esforço agrícola. Não teriam sido outros motivos que atraíram Antônio Joaquim dos Santos, mineiro de Milho Verde, distrito de Poços de Caldas, que com a mulher, Maria Inês de Jesus, quatro filhos varões e cerca de sessenta escravos assenhoreou-se de grande gleba de terras, em 1859, instalando-se na casa de pau-a-pique, chão batido, coberto de sapé, erguida à margem esquerda do córrego dos Olhos-d'Água, não muito distante do cemitério que mandara abrir, na margem oposta.
Desde que se instalaram, nessa parte do então
Município de Espírito Santo de Barretos,
dedicaram-se quase que exclusivamente à agricultura. Entretanto, após a
grande geada (a geada brava) que se abateu sobre a região, iniciada a 24
de junho de 1870, seguida de pavoroso e demorado incêndio, que transformou
milhares de alqueires de matas, em campos
As terras férteis e os campos que se formaram, muito influíram nos rumos do povoamento. Forte atração passaram a exercer o espírito de quantos desejassem vir criar no sertão, qualquer forma permanente de economia. Com a morte do desbravador do Sertão de Olhos-d'Agua, os descendentes que passaram a administrar a extensa Posse, viam a cada dia, com satisfação, inúmeras famílias que, aqui, surgiam, invadiam terras e nelas se fixavam. A criação em 1892, do distrito de Bebedouro, restituído a Jaboticabal, despojou o Município de Espírito Santo de Barretos de parte de seu imenso território. Restou-lhe, ainda assim, considerável superfície explorada, agora, não só pelos homens que haviam tomado posse de terras, no avanço do pioneirismo, como pelos invasores que permanentemente iam chegando. Foi a época das grandes divisões de terras, em todo o município. No Sertão dos Olhos-d'Água essa necessidade era ainda mais premente.
... Por esse tempo, a chamado de
Jesuíno da Silva Melo, chegaram à sede
do município, para os serviços de agrimensura, os engenheiros
Robert John Reid (escocês) e
William Leatherbarrow (inglês).
Este último, logo, traduziu o prenome e simplificou o sobrenome, passando
a chamar-se Guilherme Leabarrow.
Coube-lhes inicialmente a tarefa de dividir a fazenda Palmeiras, que antes
confiada a outros "dois agrimensores estrangeiros, estava paralisada". Em 1896, já residiam na vila, e compareciam a reuniões sociais. A partir dessa época, o engenheiro Reid tomou-se amigo do Dr. Antônio Olímpio Rodrigues Vieira, cearense, Promotor de Justiça, que viera fixar residência, na comarca. Exerceu, idênticas funções em Passos, "onde contraíra casamento com a senhorita Maria Isoleta Carneiro".
Com o nascimento de uma criança, que
seria a única filha do casal, o compadrio veio concorrer para estreitar
ainda mais, os laços de amizade que ligavam o engenheiro ao promotor e à
sua esposa. Inauguração da Igreja
N.S.Aparecida, De fato, fora o moço escocês convidado para padrinho da menina que se chamava Maria Olímpia, nascida em São Paulo, a 2 de fevereiro de 1897. Batizada pela tia D. Mariana Arantes e pelo Dr. Robert John Reid, veio para Barretos "com menos de quarenta dias". Desse modo, o engenheiro já se tornara compadre do casal, quando os posseiros de Olhos-d'Agua, foram buscá-lo para proceder à divisão de suas terras, incumbência que lhe dera, o agrimensor e amigo Jesuíno da Silva Melo. O processo divisório da fazenda teve início a 10 de novembro de 1897. Os inúmeros interesses, em jogo, e a extensa área a demarcar; contribuíram para que o término da divisão, somente se verificasse, alguns anos mais tarde, isto a 7 de novembro de 1904.
Além dos males comuns a que se haviam acostumado, toda a
região esteve sempre sujeita a surtos epidêmicos. A mortalidade infantil
atingia índices inacreditáveis. A insalubridade, aliada ao
desconhecimento dos princípios mais elementares da higiene e a maneira de
Igreja N.S.Aparecida atualmente As vicissitudes de toda uma população, entregue à sua própria sorte, levou, aquele homem culto e civilizado, a conceber a idéia da fundação de um núcleo urbano - um 'comércio', como se dizia - que pudesse desenvolver-se e, com o tempo, trazer os benefícios do progresso, do conforto e segurança para todas as famílias, ali, reunidas. Empregou o engenheiro Reid, toda a força de persuasão de que era capaz para convencer os condôminos da fazenda Olhos d'Agua, da conveniência e das vantagens da criação do povoado.
O primeiro a fornecer, parte de suas terras, para a
formação do patrimônio, foi Joaquim Miguel dos Santos e, por sua
interferência, conseguiu o moço escocês fazer com que os demais
condôminos, descendentes todos eles do desbravador Antônio Joaquim dos
Santos, doassem, igualmente, algumas nesgas de suas glebas. À notícia
dos primeiros passos para o estabelecimento do pequeno centro urbano, nas
duas margens do córrego, os moradores ribeirinhos, tomados de Em 2 de março de 1903, era feita a doação de 100 alqueires de terras para a formação do Patrimônio de São João Batista dos Olhos-d'Água, passada pelo 1º Tabelião Francisco de Aimeida Silvares, em Barretos. Trecho do documento de
agrimensura do
Somente a 9 de julho do mesmo ano, seria
a escritura registrada "às fls 53, do livro 3-1 de Transcrição de
Imóveis", data que consta nos "arquivos de documentação municipal" do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, como pode ser lida na
Enciclopédia dos Municípios, Vol. XXIX, página 200. O zelo do senhor Dr. R. Reid está valiosamente secundado pelo nosso ilustre Deputado Dr. Antônio Olímpio que não deixa de dar provas de particular dedicação de amizade (bem merecidas) à povoação de São João dos Olhos-d'Água.
Pelo ponto em que está situada deverá ser a nova povoação a
sede de uma Paróquia. Não obstante alguns enganos do colaborador, como São João dos Olhos d'Água quando deveria escrever Sao João Batista dos Olhos-d'Agua e Vila Olimpia de São João dos Olhos-d'Água quando o certo é, apenas, Vila Olímpia, o trecho da notícia transcrito, contém informações preciosas. A população incipiente, logo receberia do deputado outra prova de "particular interesse e amizade".
Em 26 de julho de 1904, o Dr. Antônio Olímpio apresentou,
na Câmara dos
Deveu-se a escolha do padroeiro, ao fato de
os doadores serem devotos de São João Batista, patrono da "fecundidade
agrícola", porém, o nome Olímpia, não foi, como pode parecer, tomado à
homônima grega, em cujos santuários, se realizavam de quatro em quatro
anos, em honra de Júpiter - o maior dos deuses helênicos - importantes
festividades e grande jogos atléticos.
Foi o Dr. Robert John Reid quem "solicitou
ao Dr. Antônio Olímpio, que ao ser criado o distrito fosse dado o nome de
Vila Olímpia, em homenagem à Maria Olímpia".
a) convenceu os condôminos da Fazenda Olhos-d'Água a doarem
terras para a formação do Patrimônio de São João Batista;
O gesto elegante do Dr. Robert John Reid,
de escolher para a vila, o nome da Maria Olimpia, por pouco, não chegou a
ser anulado, quando num vaivém da política, na eleição de 14 de dezembro
de 1907, a vitória sorriu ao "Partido Arara", de Silvestre de Lima. Em Olímpia os silvestristas reuniram-se para exigir a mudança do nome da vila, já que lembrava a filha do adversário vencido. Mas o chefe do partido vencedor, recusou-se terminantemente a atender o pedido dos companheiros, que foram a Barretos, em caravana, por parecer-lhe torpe vingança, atitude que bem revela a grandeza moral daquele homem, conhecido também pelos dotes excepcionais de inteligência. |
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