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História de Olímpia SP

 

Vista panorâmica da cidade, desde o antigo cemitério
        onde foi contruída a Igreja N.Sra.Aparecida.
          Ao fundo nota-se a igreja de S.J.Batista.
        Foto da década de 30.  Acervo Municipal.
Vista panorâmica da cidade, desde o antigo cemitério onde foi construída a Igreja N.Sra.Aparecida.
Ao fundo nota-se a igreja de S.J.Batista.  Foto da década de 30. Acervo Municipal.
  

Este é um histórico da cidade de Olímpia-SP.
Desde os primórdios até os dias atuais.  Importante pesquisa sobre a povoação de Olímpia e região, incluindo Barretos, Bebedouro, S.J. Rio Preto e outras.   Foram feitas pesquisas na Biblioteca Municipal, em livros sobre a cidade, pesquisa em locais históricos, Historiadores,  pessoas,  Museu Maria Olímpia, Casa da Cultura de Olímpia, e muita força de vontade.  Muita curiosidade e imagens históricas para você desfrutar. Aproveite bem!!!. Agradecemos colaborações, críticas e sugestões. 
Visite, cuide e colabore com nossa cidade, a Capital do Folclore Brasileiro
Agradecimento especial: Zezinho Marangoni
 

 penetração do homem civilizado, em nossa região, teve início, em princípios do século passado, com elementos aventureiros, vindos de Minas Gerais, que descendo o Rio Grande(Jeticaí para os indígenas) espalharam-se pelas margens do caudaloso rio e dos seus afluentes, tomando posse de vastas extensões de terras.

Esses pioneiros acabaram por afugentar os aborígines que habitavam essas paragens.  Sabe-se que havia o domínio das terras por tribos indígenas: guaranis, caiapós e carijós, inimigos ferrenhos entre si, que com a chegada do elemento branco, insatisfeitos, abandonaram seus territórios e cujos vestígios têm sido encontrados até nos dias atuais.  Urna Funerária Indígena  
 Acervo Museu María Olímpia  
  Foto: LFRabatone

Urna Funerária Indígena

A abundância de madeiras de lei, a fertilidade do solo e ricos mananciais existentes, no enorme sertão, formavam o quadro das condições favoráveis para a fixação desses primeiros penetradores, com suas famílias, que assim achavam os meios para a regularidade do esforço agrícola.

Não teriam sido outros motivos que atraíram Antônio Joaquim dos Santos, mineiro de Milho Verde, distrito de Poços de Caldas, que com a mulher, Maria Inês de Jesus, quatro filhos varões e cerca de sessenta escravos assenhoreou-se de grande gleba de terras, em 1859, instalando-se na casa de pau-a-pique, chão batido, coberto de sapé, erguida à margem esquerda do córrego dos Olhos-d'Água, não muito distante do cemitério que mandara abrir, na margem oposta.

Desde que se instalaram, nessa parte do então Município de Espírito Santo de Barretos, dedicaram-se quase que exclusivamente à agricultura.   Entretanto, após a grande geada (a geada brava) que se abateu sobre a região, iniciada a 24 de junho de 1870, seguida de pavoroso e demorado incêndio, que transformou milhares de alqueires de matas, em campos Rua 9 de julho.  
   Note os prédios ainda em construção  
  Foto ABE propícios à criação, passaram a formar também enormes pastagens para o gado, surgindo desse modo, amplas campinas para as atividades pastoris.


Rua 9 de julho. Note os prédios ainda em construção!!

 

As terras férteis e os campos que se formaram, muito influíram nos rumos do povoamento.   Forte atração passaram a exercer o espírito de quantos desejassem vir criar no sertão, qualquer forma permanente de economia.  Com a morte do desbravador do Sertão de Olhos-d'Agua, os descendentes que passaram a administrar a extensa Posse, viam a cada dia, com satisfação, inúmeras famílias que, aqui, surgiam, invadiam terras e nelas se fixavam.

A criação em 1892, do distrito de Bebedouro, restituído a Jaboticabal, despojou o Município de Espírito Santo de Barretos de parte de seu imenso território.

Restou-lhe, ainda assim, considerável superfície explorada, agora, não só pelos homens que haviam tomado posse de terras, no avanço do pioneirismo, como pelos invasores que permanentemente iam chegando. Foi a época das grandes divisões de terras, em todo o município.  No Sertão dos Olhos-d'Água essa necessidade era ainda mais premente.

... Por esse tempo, a chamado de Jesuíno da Silva Melo, chegaram à sede do município, para os serviços de agrimensura, os engenheiros Robert John Reid (escocês) e William Leatherbarrow (inglês).    Este último, logo, traduziu o prenome e simplificou o sobrenome, passando a chamar-se Guilherme Leabarrow.   Coube-lhes inicialmente a tarefa de dividir a fazenda Palmeiras, que antes confiada a outros "dois agrimensores estrangeiros, estava paralisada".
  
     Panorâmica da década de 20. 
            Note a igreja de S.João Batista ainda em construção!!
Panorâmica da década de 20. 
Note a igreja de S.João Batista ainda em construção!!

Em 1896, já residiam na vila, e compareciam a reuniões sociais.   A partir dessa época, o engenheiro Reid tomou-se amigo do Dr. Antônio Olímpio Rodrigues Vieira, cearense, Promotor de Justiça, que viera fixar residência, na comarca.    Exerceu, idênticas funções em Passos, "onde contraíra casamento com a senhorita Maria Isoleta Carneiro".

 Com o nascimento de uma criança, que seria a única filha do casal, o compadrio veio concorrer para estreitar ainda mais, os laços de amizade que ligavam o engenheiro ao promotor e à sua esposa.Inauguração da Igreja de Nossa Senhora Aparecida.
          A construção começou em meados da década de 30
             e inaugurada no início da de 40.

Inauguração da Igreja N.S.Aparecida,
 início década de 40

 De fato, fora o moço escocês convidado para padrinho da menina que se chamava Maria Olímpia, nascida em São Paulo, a 2 de fevereiro de 1897.    Batizada pela tia D. Mariana Arantes e pelo Dr. Robert John Reid, veio para Barretos "com menos de quarenta dias".

Desse modo, o engenheiro já se tornara compadre do casal, quando os posseiros de Olhos-d'Agua, foram buscá-lo para proceder à divisão de suas terras, incumbência que lhe dera, o agrimensor e amigo Jesuíno da Silva Melo.  O processo divisório da fazenda teve início a 10 de novembro de 1897.   Os inúmeros interesses, em jogo, e a extensa área a demarcar; contribuíram para que o término da divisão, somente se verificasse, alguns anos mais tarde, isto a 7 de novembro de 1904.


Durante esse tempo, o engenheiro encontrou não poucos obstáculos e tomou contato com as enormes dificuldades em que vivia a gente sertaneja, estabelecida, aqui e ali, nas margens dos rios, à beira dos córregos, mas clareiras abertas, no fundo das matas.   A maior de todas talvez fosse o abastecimento e o comércio dos produtos da lavoura e da pecuária.   Nada, porém, mais terrível que os efeitos das moléstias tropicais e outras, que abriam enormes claros entre os moradores.


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Além dos males comuns a que se haviam acostumado, toda a região esteve sempre sujeita a surtos epidêmicos.   A mortalidade infantil atingia índices inacreditáveis.   A insalubridade, aliada ao desconhecimento dos princípios mais elementares da higiene e a maneira de Igrejinha N.S.A. 
  Foto:  LFRabatone enfrentar as doenças, fazia com que seus habitantes se resignassem a pagar anualmente, aos implacáveis inimigos do homem, o mais triste dos tributos.   Eram levados a recorrer à medicina caseira e a crer na eficácia das "simpatias".    O lúgubre espetáculo dos "bangüês", cortando os estreitos caminhos, rumo à última morada, era comum para aqueles heróis anônimos do sertão.O velho casarão, em ruínas, com que o engenheiro Reid se deparou à esquerda do córrego dos Olhos-d'Água (o "Taperão"), e o cemitério, a que muitos trilhos conduziam, na margem direita, era a prova mais aterradora das precárias condições que o isolamento e as distâncias impunham a todos.

Igreja N.S.Aparecida atualmente

As vicissitudes de toda uma população, entregue à sua própria sorte, levou, aquele homem culto e civilizado, a conceber a idéia da fundação de  um núcleo urbano - um 'comércio', como se dizia - que pudesse desenvolver-se e, com o tempo, trazer os benefícios do progresso, do conforto e segurança para todas as famílias, ali, reunidas.  Empregou o engenheiro Reid, toda a força de persuasão de que era capaz para convencer os condôminos da fazenda Olhos d'Agua, da conveniência e das vantagens da criação do povoado.

O primeiro a fornecer, parte de suas terras, para a formação do patrimônio, foi Joaquim Miguel dos Santos e, por sua interferência, conseguiu o moço escocês fazer com que os demais condôminos, descendentes todos eles do desbravador Antônio Joaquim dos Santos, doassem, igualmente, algumas nesgas de suas glebas.   À notícia dos primeiros passos para o estabelecimento do pequeno centro urbano, nas duas margens do córrego, os moradores ribeirinhos, tomados deTrecho do documento de agrimensura do 'Patrimônio' feito pelo Eng. Reid  -  Data 01-06-1903 entusiasmo, reuniram-se a 3 de maio de 1902, para erguer o cruzeiro.

Em 2 de março de 1903, era feita a doação de 100 alqueires de terras para a formação do Patrimônio de São João Batista dos Olhos-d'Água, passada pelo 1º Tabelião Francisco de Aimeida Silvares, em Barretos.

Trecho do documento de agrimensura do
'Patrimônio' feito pelo Eng. Reid - Data 01-06-1903

Somente a 9 de julho do mesmo ano, seria a escritura registrada "às fls 53, do livro 3-1 de Transcrição de Imóveis", data que consta nos "arquivos de documentação municipal" do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, como pode ser lida na Enciclopédia dos Municípios, Vol. XXIX, página 200.

Em 1904, realizou-se a primeira festa religiosa, no novo núcleo urbano, no meio de júbilo geral. 

Sob o pseudônimo de Pastore, um colaborador, do único jornal existente, em Barretos, descreveu-a para as gerações futuras:

VILA OLÍMPIA
"Não podia ser melhor e mais bonitinha a festa de São João dos Olhos-d'Água no dia 20 de março: nunca vi um lugar que tivesse terras mais férteis e gente tão trabalhadora e boa como aquela!   O que era, há poucos meses esse lugar? Nada.   E agora está adiantando-se duma maneira assombrosa, devido especialmente aos esforços do inteligente Engenheiro Dr. Robert John Reid, que trabalha sem descanso pelo progresso comercial, industrial e civil, daquele simpático arraial, que já está suscitando justas invejas das povoações circunvizinhas."

O zelo do senhor Dr. R. Reid está valiosamente secundado pelo nosso ilustre Deputado Dr. Antônio Olímpio que não deixa de dar provas de particular dedicação de amizade (bem merecidas) à povoação de São João dos Olhos-d'Água.

Pelo ponto em que está situada deverá ser a nova povoação a sede de uma Paróquia.
Vai-se abrir uma escola, ali já criada, e espera-se que em breve seja sede de um Distrito de Paz, com o nome de Vila Olímpia de São João dos Olhos-d'Água".

Não obstante alguns enganos do colaborador, como São João dos Olhos d'Água quando deveria escrever Sao João Batista dos Olhos-d'Agua e Vila Olimpia de São João dos Olhos-d'Água quando o certo é, apenas, Vila Olímpia, o trecho da notícia transcrito, contém informações preciosas.   A população incipiente, logo receberia do deputado outra prova de "particular interesse e amizade".

Em 26 de julho de 1904, o Dr. Antônio Olímpio apresentou, na Câmara dos Deputados, o projeto para a criação do distrito e a oficialização do novo nome.   Somente a 18 de dezembro de 1906, criou o govemo do Dr. Jorge Tibiriçá, o distrito cuja sede foi, no dia seguinte, elevada à categoria de vila com a denominação de Vila Olímpia.

Deveu-se a escolha do padroeiro, ao fato de os doadores serem devotos de São João Batista, patrono da "fecundidade agrícola", porém, o nome Olímpia, não foi, como pode parecer, tomado à homônima grega, em cujos santuários, se realizavam de quatro em quatro anos, em honra de Júpiter - o maior dos deuses helênicos - importantes festividades e grande jogos atléticos.
 

Foi o Dr. Robert John Reid quem "solicitou ao Dr. Antônio Olímpio, que ao ser criado o distrito fosse dado o nome de Vila Olímpia, em homenagem à Maria Olímpia".
Para concluir podemos, num rápido registro, resumir a atuação entusiástica e profícua do engenheiro Reid, não só na fundação como ainda nas primeiras iniciativas para acelerar o desenvolvimento da Vila Olímpia, até abril de 1905, quando seguiu para a Inglaterra, em visita, à família, e, no seu regresso até fins de 1907, época em que se mudou, definitivamente, para Campos do Jordão.   Excluindo a divisão de terras que era tarefa própria de sua atividade profissional, o engenheiro escocês:

a) convenceu os condôminos da Fazenda Olhos-d'Água a doarem terras para a formação do Patrimônio de São João Batista;
b) traçou a planta da futura vila , ainda existente na Casa Paroquial da Igreja de São João Batista;
c) trabalhou "sem descanso pelo progresso
comercial, industrial e civil", da vila;
d) e graças à importante participação, que tivera na criação do núcleo urbano, pôde sugerir-lhe a mudança do nome para Vila Olímpia, numa homenagem muito simpática à afilhadinha.

O gesto elegante do Dr. Robert John Reid, de escolher para a vila, o nome da Maria Olimpia, por pouco, não chegou a ser anulado, quando num vaivém da política, na eleição de 14 de dezembro de 1907, a vitória sorriu ao "Partido Arara", de Silvestre de Lima.Vista parcial da cidade na década de 20.  Note a casa onde depois foi o Colégio Olímpia, ainda em construção.    Foi numa disputa eleitoral cheia de lances, ao mesmo tempo, dramáticos e pitorescos que se viu derrotado o "Partido Pica-pau" do Dr. Antônio Olímpio.


Vista parcial da cidade na década de 20.
Note a casa, ainda em construção, onde foi o Colégio Olímpia, e hoje dá lugar a um edifício.

Em Olímpia os silvestristas reuniram-se para exigir a mudança do nome da vila, já que lembrava a filha do adversário vencido. Mas o chefe do partido vencedor, recusou-se terminantemente a atender o pedido dos companheiros, que foram a Barretos, em caravana, por parecer-lhe torpe vingança, atitude que bem revela a grandeza moral daquele homem, conhecido também pelos dotes excepcionais de inteligência.

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