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HISTORIA DE DIADEMA

 
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Diadema de jesuítas e bandeirantes
(Fotos: Coleção Sylvia Ramos Esquível / Centro de Memória de Diadema)

Uma cidade completamente urbanizada. Mais de trezentos e cinqüenta mil moradores. Duzentas e quinze mil pessoas produzindo... É difícil de imaginar, mas no passado Diadema foi morada de jesuítas e rota dos bandeirantes.

Durante o século XVIII, em busca da catequização de índios, os jesuítas portugueses saíram de São Vicente e conseguiram reunir grandes lotes de terra no território em que hoje se localiza a cidade de Diadema. Na atual região do bairro do Centro, onde vivem mais de 43 mil pessoas, o jesuíta Salvador Santiago construiu uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição: foi o primeiro foco de agrupamento populacional da cidade.

Estrada da Vila Conceição, por onde passavam os bandeirantes em demanda do sertão de Embu a procura de ouro aluvião no Rio São Lourenço.

Mais tarde, com a corrida pelo ouro em direção a Embu, os bandeirantes acabaram por criar em sua rota uma parada chamada Piraporinha. Com o aumento populacional da região, José Pedroso de Oliveira construiu a capela do Bom Jesus da Pedra Fria, que não deu conta do crescimento de devotos. Uma nova capela, do Bom Jesus de Piraporinha, não tardou em ser arquitetada.

 

No início do século XX, a antiga rota dos tropeiros começou a passar por um processo de urbanização e industrialização que deram os primeiros traços da Diadema de hoje. Foram criados loteamentos de terra que originaram a Vila Conceição (área de 165 alqueires loteada em 1923 pela Empresa Urbanística Vila Conceição) e o Eldorado, produto do loteamento de terras próximas à Billings.

As vilas Conceição, Piraporinha e Eldorado foram, portanto, os três primeiros núcleos habitacionais desta região ao sul de São Paulo que muitos anos depois veio a se chamar Diadema. Não é à toa que hoje na bandeira da cidade três coroas simbolizam esses três vilarejos que polarizaram o povoamento local.

Com as procissões e festejos realizados anualmente por religiosos, a Vila de Piraporinha atraiu ainda mais habitantes. O largo da capela foi aos poucos se constituindo em um entroncamento de cinco pequenas estradas de ligação com sítios e fazendas da região. Neste ponto de convergência de estradas começou a se desenvolver um comércio local.

História dos Bairros de Diadema

Campanário

De relevo acidentado, até os anos 50 o bairro era formado pela densa Floresta Atlântica e por diversas chácaras. Nessa época as terras começaram a ser desmatadas e loteadas. O Jardim Paineiras é um de seus primeiros loteamentos e data de 1958. Possuía uma área de 147.551 m2. No ano de 1967, com a desativação da favela do Vergueiro pelo então prefeito de São Paulo Adhemar de Barros, centenas de pessoas se deslocaram para a região, atraídas pelos terrenos de baixo valor e pela proximidade com o município de São Paulo.

Eldorado

Por volta de 1924, o Sr. José Zilling resolveu se desfazer do Sítio do Buraco onde vivera por muitos anos. Seus 530 hectares de terra foram vendidos por 254 contos de réis à Joaquim Franco de Camargo, o doutor Camargo, em 1925. Na década de 30, Camargo dividiu-os em pequenas chácaras de veraneio. A este loteamento denominou Eldorado, aproveitando a formação da Represa Billings empreendida pela Light. Em 1925, a companhia canadense de luz e energia promoveu a formação da represa pelo rio Tietê e seus afluentes para viabilizar o fornecimento de energia elétrica e água para a população de São Paulo.

Feira de Eldorado: fundada pelo prefeito Evandro Caiaffa Esquível na gestão de 1960 a 1963, localizava-se em uma das ruas centrais do bairro.
Fotos: Coleção Sylvia Ramos Esquíve
Acervo CMD / PMD

 

Embarcação carregada de madeira extraída da ilha fluvial do Bororé em 1945, na Represa Billings.
Foto: Coleção Walter Adão Carreiro
Acervo CMD / PMD

 

A partir de então se desenvolveu a pescaria nas águas que formaram a Baía de Eldorado. A região passou a ter uma intensa atividade náutica e até a década de 60 foi uma importante área de turismo e lazer.
 

Imagem da Represa Billings nos anos 50, época em que Eldorado se destacava como instância turística.
Foto: Coleção André Mussolino
Acervo CMD / PMD
Retratada nos anos 90, a Represa Billings vem sofrendo com crescente a poluição de suas águas.
Foto: Nivaldo Almeida
Coleção CMD / PMD

Por volta dos anos 40, a olaria começou a se popularizar no bairro. Atualmente o único exemplar desta atividade é a Olaria Eldorado com 2.000 tijolos produzidos diariamente, manufaturados conforme métodos usados desde o século passado.

Olaria Eldorado: único exemplar da atividade presente no bairro desde o século XIX.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD


Colônia européia e religiosidade
 

 Taboão

O primeiro documento acerca da região data de 8 de abril de 1806: uma escritura de venda de terras no Tabõao, integrante do então Bairro Nossa Senhora das Mercedes, correspondente ao atual Bairro Paulicéia. A escritura registra como vendedora das terras Catharina Dias de Leme e como comprador Anastácio Pereira Leite.
 

Um outro registro, de 1849, trata do inventário de Manoel Joaquim Pedroso. O documento avalia um sítio no Tabõao com casas grandes, cobertas de telhas, com roças e plantações de banana, laranja.

Do início do século XX até aproximadamente 1920 funcionou na região uma serraria a vapor de propriedade de Antônio Piranga, fazendeiro das terras que iam do córrego da Avenida Fábio Eduardo Ramos Esquível até o bairro Serraria (referências atuais). Esta serraria utilizava madeiras locais e fornecia seus produtos para as indústrias de móveis que surgiam em São Bernardo. Com a venda da propriedade em 1922 para a Empresa Urbanista Vila Conceição, a serraria foi desativada e o bairro loteado para sítios e chácaras. Na década de 70 as chácaras foram loteadas em terrenos pequenos. Na mesma época teve início a construção de fábricas no Serraria. A TORO foi a primeira delas.

Fachada do sítio comprado em 1946 pelo professor Miguel Reale no bairro do Serraria, nos dias atuais.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD

Uma das atrações do bairro é o Sítio São Miguel. O sítio foi comprado em 1946 pelo estudioso do direito Miguel Reale, personagem fundamental no processo de transformação de Diadema em distrito e, mais tarde, na campanha de emancipação da cidade. Adquiriu o sítio para lazer, embora também tenha instalado uma granja para produção comercial. Anos depois vendeu parte do terreno e atualmente mantêm a chácara para descanso. A propriedade conserva a vegetação encontrada na região nos anos 40. Situa-se na Avenida Dona Ruyce Ferraz Alvim.

Serraria

Do início do século XX até aproximadamente 1920 funcionou na região uma serraria a vapor de propriedade de Antônio Piranga, fazendeiro das terras que iam do córrego da Avenida Fábio Eduardo Ramos Esquível até o bairro Serraria (referências atuais). Esta serraria utilizava madeiras locais e fornecia seus produtos para as indústrias de móveis que surgiam em São Bernardo. Com a venda da propriedade em 1922 para a Empresa Urbanista Vila Conceição, a serraria foi desativada e o bairro loteado para sítios e chácaras. Na década de 70 as chácaras foram loteadas em terrenos pequenos. Na mesma época teve início a construção de fábricas no Serraria. A TORO foi a primeira delas.
 

Fachada do sítio comprado em 1946 pelo professor Miguel Reale no bairro do Serraria, nos dias atuais.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD

Uma das atrações do bairro é o Sítio São Miguel. O sítio foi comprado em 1946 pelo estudioso do direito Miguel Reale, personagem fundamental no processo de transformação de Diadema em distrito e, mais tarde, na campanha de emancipação da cidade. Adquiriu o sítio para lazer, embora também tenha instalado uma granja para produção comercial. Anos depois vendeu parte do terreno e atualmente mantêm a chácara para descanso. A propriedade conserva a vegetação encontrada na região nos anos 40. Situa-se na Avenida Dona Ruyce Ferraz Alvim.
 

Em 1949 foi inaugurada a capela de Nossa Senhora das Graças. A família Ferraz Alvim, responsável direta por esta conquista, solicitou a presença do cardeal de São Paulo, Dom Carmelo de Vasconcelos Mottano, para rezar a primeira missa do templo. Entre outros convidados ilustres estavam a primeira dama do Estado, Leonor Mendes de Barros, Sr José Fornari, prefeito de São Bernardo do Campo, e o professor Miguel Reale.
 

Capela Nossa Senhora das Graças inaugurada em 1949.
Foto: Maria Luisa Gagliardi
Acervo CMD / PMD

 
 

Canhema

O sítio Icanhema fazia parte do Curral Pequeno, juntamente com o Taboão e Pinhauva (Piraporinha). Em Icanhema residia a família de Salvador Plácido de Camargo, que em 1889 passou seus terrenos para João Pedro da Silva e esposa.
Na década de 1930 começou a surgir o bairro com 5 ou 6 casas. Neste período não havia nenhuma escola nas proximidades nem estradas ou estabelecimentos comerciais.

Os moradores da região compravam tecido em São Bernardo e costuravam as roupas à mão. Alguns moradores cortavam lenha e levavam com carro de boi para vender nas padarias de São Caetano e Santo André.
 

Em 1972, muitas indústrias se instalaram perto da Rodovia dos Imigrantes, nas imediações do Canhema. Trouxeram consigo luz, água e transporte coletivo para o bairro. Ruas foram asfaltadas, pré-escolas erguidas e unidades básicas de saúde construídas.

Segundo moradores antigos da região, tanto o bairro como a Avenida Casa Grande têm o nome em referência a uma casa de taipa que ali existiu.


 

Casa Grande

Avenida Casa Grande
nos anos 90.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD

O que hoje figura como avenida conhecida dos moradores de Diadema foi criada por José Ribeiro de Melo. Seu Juquinha se instalou em Piraporinha em 1952 e, como possuía uma frota de carroças puxadas a burro, foi contratado para abrir a estrada de ligação de Eldorado com São Bernardo do Campo, atual Avenida Casa Grande.

Na década de 60 surgiram os primeiros loteamentos populares na região em que hoje se localiza o bairro do Casa Grande. Na mesma época, as indústrias chegaram se instalaram em áreas desapropriadas pela prefeitura.O senhor José Ribeiro Melo, Seu Juquinha, contratado para abrir a estrada de ligação entre Eldorado e São Bernardo do Campo, aparece à frente de sua carroça. Foto: Coleção José de Melo, acervo CMD / PMD


 

Piraporinha

No final do século XVIII, com a corrida pelo ouro em direção a Embu, os bandeirantes acabaram por criar em sua rota uma parada chamada Piraporinha. Sua proximidade com a colônia de imigração italiana de São Bernardo e a existência de um importante caminho de ligação com São Paulo foram fatores que contribuíram para o povoamento e a movimentação do lugar. A Família Pedroso de Oliveira era proprietária da maior parte daquelas terras desde 1769. Com o aumento populacional da região, José Pedroso de Oliveira construiu a capela do Bom Jesus da Pedra Fria, que não deu conta do crescimento de devotos. Uma nova capela, do Bom Jesus de Piraporinha, não tardou em ser arquitetada.
 

Em 1881 o mesmo José Pedroso Oliveira doou as terras onde se localizava a capela para a Cúria Metropolitana de São Paulo. A partir de 1902 começaram a se organizar aí grandes festejos e procissões no mês de agosto. Os eventos ganharam tradição e passaram a atrair romeiros e devotos de outras regiões.
 

O largo da capela foi aos poucos se constituindo num entroncamento de 5 pequenas estradas por onde se interligavam os sítios e fazendas da região onde hoje se localiza a cidade de Diadema. Neste ponto de convergência de estradas começou a se desenvolver um comércio local. No final dos anos 40 a Vila Piraporinha já era o maior pólo comercial da futura Diadema.
 

Em 29 de julho de 1968 a histórica Capela de Bom Jesus da Pedra Fria, erguida por José Pedroso de Oliveira, começou a ser demolida. Posteriormente, construiu-se nas proximidades do antigo templo a atual Igreja Bom Jesus de Piraporinha.

 


Igreja Bom Jesus de Piraporinha nos anos 30, inicialmente chamada de Bom Jesus da Pedra Fria.
Foto: Coleção Bessa Lima
Acervo CMD / PMD

 


Capela Bom Jesus de Piraporinha, construída pouco depois da demolição da histórica Capela Bom Jesus da Pedra Fria.
Foto: Nivaldo Almeida
Coleção CMD / PMD

Fachada da IMBRA, primeira indústria de Diadema, nos anos 90.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD

Esse que foi o primeiro núcleo populacional de Diadema, ocupou também papel pioneiro no campo industrial. A indústria mais antiga do município é a INBRA Indústria Química S.A, instalada em 1952. A empresa se constituiu no município de São Paulo em 1939 como fábrica de sabão para a indústria têxtil. Antes de se instalar no Distrito de Diadema, já havia transferido suas instalações por três vezes.

Entre 1957 e 1958, houve mudança de atividade por parte da empresa, que passou a fabricar matéria-prima para indústria de plástico, constituindo-se em uma das empresas pioneiras do ramo. Situa-se na Avenida Fagundes de Oliveira. Inicialmente era chamada Avenida Excelsior pela existência de uma torre de transmissão da rádio Nacional. O nome, porém, não era oficial. A nova denominação foi uma homenagem a Leopoldina Maria Fagundes, esposa de José Pedroso de Oliveira. Seu marido é considerado o fundador de Piraporinha e foi dono de mais de 70 alqueires de terras que iam da atual Praça de Piraporinha até a Vila São José.
 

Construção da IMBRA, primeira indústria de Diadema, nos anos 50.
Foto: Coleção IMBRA
Acervo CMD / PMD

 

Imagem da antiga Chácara da Conceição, que desapareceu para dar lugar a atualAvenida Ulysses Guimarães.
Foto: Nivaldo Almeida
Acervo CMD / PMD

Conceição

Surgiu do mesmo loteamento da Empresa Urbanista Vila Conceição, em 1923, que deu lugar a várias chácaras. O impulso de crescimento no bairro, tanto populacional quanto industrial, aconteceu, assim como no Serraria, nos anos 70.

 

Inamar

O Jardim Inamar se localiza entre os bairros do Eldorado e do Casa Grande. Foi loteado em 1966 pela imobiliária Mário Ramos de Freitas e dividido em 685 lotes. Tem uma área de 214,7 m2, no passado de propriedade de Yolanda Bertini. Seu nome surgiu das várias plantas nativas da região que exalavam perfumes aprazíveis. De origem indígena, a palavra inamar significa aroma agradável.

Inicialmente os moradores fizeram construções de tábuas nos lotes, que foram sendo substituídas por casas de alvenaria. Muitos habitantes eram ex-moradores da antiga favela do Vergueiro, desocupada pela Prefeitura de São Paulo no início dos anos 60.

O significado e origem do bairro Inamar em Diadema, minha avó (paterna) Yolanda Bertine dona da área em que foi feito o loteamento deu o nome de INAMAR - que é a junção dos nomes de minha mãe (IGNACIA - INA e de meu pai - filho de Yolanda Bertine WALDEMAR - MAR dai a origem INAMAR

Vila Nogueira

Surgiu como um bairro rural de São Bernardo do Campo em 1948, no período em que Diadema foi elevada à categoria de distrito. Com a criação do Município, o crescimento do parque industrial do Grande ABC e o desenvolvimento de Diadema, Vila Nogueira recebeu fábricas, estabelecimentos comerciais e residências de migrantes.

Seu nome é uma homenagem ao engenheiro Horácio Messias Nogueira, nascido no sul de Minas Gerais em 13 de maio de 1882. Dono de terras na região, Horácio começou a transformar o "Sítio Nogueira" em loteamentos a partir dos anos 50. Alguns deles receberam o nome de familiares: Vila Lídia (sua esposa); Vila Goyotin (sua filha)
 

Centro

Durante o século XVIII, em busca da catequização de índios, os jesuítas portugueses saíram de São Vicente e conseguiram reunir grandes lotes de terra no território em que hoje se localiza a cidade de Diadema. Na atual região do bairro do Centro, onde vivem mais de 43 mil pessoas, o jesuíta Salvador Santiago construiu uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição: foi o primeiro foco de agrupamento populacional da cidade. A nova capela permaneceu pelo restante do século XVIII e XIX, até virar ruínas no início do século XX.Em 1936, a Vila Conceição ganhou nova capela construída pelos católicos da localidade. Em 1962 foram iniciadas obras para a construção de uma nova igreja, inaugurada 20 anos mais tarde - atual Igreja Matriz Imaculada Conceição.
 

No início do século XX, a antiga Vila Conceição passou por um processo de urbanização e industrialização que deram os primeiros traços da Diadema de hoje. Em 1923, a Empresa Urbanística Vila Conceição loteou uma área de 165 alqueires que foi batizada Vila Conceição. Na década de 50 foram os moradores deste loteamento que lideraram o movimento de emancipação da cidade, indignados com a falta de infra-estrutura da região e com o descaso das autoridades de São Bernardo em relação à Vila Conceição. Ao ser concretizada a emancipação, parte da Vila Conceição se constituiu no centro administrativo do novo município designado Diadema.

 

 

 

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