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A BALEIA JUBARTE
Quando falamos em “baleia”, até há poucos anos atrás a imagem que a maioria das
pessoas fazia desses animais era o cachalote de cabeça quadrada da célebre
novela Moby Dick, de Herman Melville. Hoje, entretanto, dentre todas as
espécies de grandes cetáceos, a baleia jubarte (que tem por nome científico
Megaptera novaeangliae, nome que indica sua característica física mais
marcante - as nadadeiras peitorais enormes - e sua primeira população
cientificamente descrita, na “Nova Inglaterra”, ou seja, a costa Nordeste dos
Estados Unidos) é possivelmente uma das mais conhecidas do público em geral,
graças às filmagens e fotografias mundialmente divulgadas, feitas em suas áreas
de reprodução em águas tropicais límpidas, e ao seu som que, ao ser descoberto e
divulgado, seria um dos mais contundentes símbolos da luta contra a caça
desenfreada desses animais: o célebre canto das baleias.
Podendo atingir 16
metros de comprimento (como todos os misticetos as fêmeas são maiores que os
machos) e pesar até quarenta toneladas, as baleias jubarte são facilmente
reconhecíveis pelas nadadeiras peitorais brancas e muito maiores em relação ao
tamanho do corpo que em qualquer outra espécie de baleia, podendo chegar a
aproximadamente um terço do comprimento total do animal. Igualmente típica na
maioria dos animais é a presença de manchas brancas na face inferior da cauda,
que diferem de indivíduo para indivíduo, permitindo identificá-los por
fotografias. O corpo é quase totalmente negro com ocasionais manchas brancas no
ventre, e a cabeça é algo achatada na parte superior e marcada por pequenos
porém visíveis tubérculos arredondados, e além destes algumas cracas costumam
acompanhar as baleias jubarte agarradas à pele de sua cabeça e nadadeiras.
Presentes em todos os
oceanos, as baleias jubarte eram comuns em águas brasileiras quando os primeiros
colonizadores europeus aqui aportaram, e fosse outra a época do ano que marcou a
chegada de Cabral ao Sul da Bahia, certamente haveria na descrição do “novo
continente” uma menção à abundância de baleias na região navegada pelos
exploradores portugueses. Porém, a descoberta das baleias brasileiras, em
especial da jubarte e das baleias francas que aqui habitavam no inverno e
primavera, não tardaria a acontecer, e já no início do século XVII se
instalavam na Bahia os primeiros concessionários da caça à baleia, dando início
a uma matança que só se encerraria em nossas águas quase quatrocentos anos
depois, quando em 1987 a legislação federal LEI 7.643/87 proibiu a caça e o
molestamento desses singulares animais. Em muitas localidades do litoral baiano
ainda existem remanescentes das Armações que operavam na época da caça, que na
região de Abrolhos se prolongou até 1924 e atingiu duramente a população de
jubartes. Caçada com igual intensidade em diversos outros pontos do planeta,
tanto em suas áreas de reprodução tropicais como nas áreas de alimentação em
águas frias, a espécie já na primeira metade do século XX encontrava-se ameaçada
de extinção.
Não foi senão em 1966
que as baleias jubarte foram protegidas legalmente pela primeira vez, através da
Comissão Internacional da Baleia, que proibiu sua captura comercial. Desde então,
lentamente as populações da espécie vêm se recuperando lentamente do dano
causado pela caça; de uma população original estimada em 150.000 animais, restam
hoje apenas cerca de 25.000 baleias jubarte em todos os oceanos. Atualmente, a
população estimada na região de Abrolhos é de 1000 indivíduos que aqui vêm
reproduzir-se durante o inverno e primavera. A admiração dos animais pelos
visitantes da região e o reconhecimento de seu valor intrínseco como seres vivos
substituiu, felizmente a tempo, a perseguição impiedosa que quase nos negou a
continuidade do convívio com as jubartes.
Migrações
Quase todos os grandes
cetáceos, principalmente as baleias de barbatana, que se alimentam de pequenos
organismos marinhos, empreendem grandes migrações sazonais entre suas áreas de
alimentação e de reprodução. A migração é um tema muito polêmico, uma das
explicações para que as baleias se submetam a tão longas viagens anuais, que
significam milhares de quilômetros percorridos a cada estação, está nas
diferentes condições ambientais necessárias à captura do alimento e à reprodução
Ao findar-se o verão,
e antes que o gelo volte a cobrir boa parte dos mares austrais, as baleias
jubarte principiam a longa viagem que as levará de volta a suas áreas de
reprodução. A partir deste momento, elas enfrentarão um jejum quase absoluto de
cerca de oito meses, no qual terão de sobreviver à migração de ida e volta e,
muitas delas, ainda parir e amamentar um filhote. As águas mais quentes e
tranqüilas dos trópicos são essenciais à sobrevivência dos recém-nascidos, e sua
distância das concentrações de alimento faz com que a vida de uma baleia seja
uma permanente viagem. No início do inverno, as baleias jubarte estarão na
região de Abrolhos, prontas para entregar-se uma vez mais aos imemoriais ritos
reprodutivos de sua espécie. Ainda desconhecidas, as rotas utilizadas pelas
baleias em suas migrações poderão no futuro ser desvendadas graças ao avanço da
pesquisa, através de transmissores de satélite instalados de forma indolor nos
animais.
Anatomia Externa (colocar
ilustrações :da baleia e as partes do corpo e diferenças entre macho e fêmea)
A baleia jubarte ocupa o quinto lugar
em tamanho, dentre as grandes baleias que atualmente habitam os oceanos. Seu
corpo alongado é caracterizado ( assim como todos os rorquais – família
Balaenopteridae ) pela presença da nadadeira dorsal e uma série de dobras ou
sulcos que vão da
mandíbula
ao umbigo. Estes sulcos ventrais
conferem às baleias uma maior hidrodinâmica quando nadando em longas distâncias.
Por outro lado, quando expandidos aumentam o volume da boca ( aproximadamente 3
vezes) , permitindo durante a alimentação que uma maior quantidade de água seja
filtrada.
A cabeça de uma jubarte é grande em
proporção ao volume total do corpo. A boca percorre o comprimento total da
cabeça terminando logo a frente dos olhos. Estes estão localizados lateralmente,
em ambos os lados da cabeça. Cada
olho é aproximadamente
do tamanho de um coco seco e apresenta coloração acinzentada. Os ouvidos estão
localizados atrás e pouco abaixo dos olhos. A ausência de orelhas torna difícil
a visualização da minúscula abertura do
ouvido . As narinas ou
orifícios respiratórios
estão localizados perto do centro da cabeça , protegidos
por uma elevação que ajuda a evitar a entrada de água durante a respiração.
Tubérculos ou nódulos sensitivos
adornam a cabeça das jubartes . Eles estão distribuídos ao longo da mandíbula e
maxila
. Cada tubérculo possui um folículo capilar e embora sua função exata não
esteja totalmente definida, acredita-se que estes atuem como orgãos sensoriais
.
Um
pedúnculo caudal
liga a região mediana do corpo a cauda nas jubartes . A região dorsal do
pedúnculo caudal pode por vezes apresentar ondulações causadas pela saliência
das vértebras caudais, oriundas da perda de peso após prolongado período de
jejum.
A característica mais marcante destas
baleias são suas nadadeiras. As longas
nadadeiras peitorais,
que nas jubartes adultas chegam a atingir 1/3 do comprimento total do corpo, são
usadas no mecanismo de equilíbrio e também auxiliam na locomoção ,
termoregulação , defesa e rituais de acasalamento. A nadadeira caudal é larga
podendo ter de 4 a 5 metros de comprimento nas baleias adultas. É dividida em 2
lobos que em geral apresentam os bordos serrilhados . No lado dorsal e nas
pontas são comumente observados organismos incrustantes (cracas) , enquanto
que o lado ventral apresenta padrões de pigmentação variando do preto ao branco
total, únicos para cada indivíduo, utilizados na identificação destes animais.
Na parte ventral do
pedúnculo caudal encontra-se uma protuberância denominada
carina
, presente em ambos os sexos e cuja função exata ainda é desconhecida.
Anteriormente à carina localiza-se a fenda anal (anus)
seguida pela abertura genital. Nas fêmeas a
abertura das glândulas mamárias está localizada em
cada lado da abertura genital. Uma pequena protuberância denominada
lobo hemisférico
está presente apenas nas fêmeas e possibilita a determinação do sexo, quando
visualizada.
ALIMENTAÇÃO
As baleias jubarte de
Abrolhos passam o verão nas proximidades da Antártida, onde nessa estação do ano
o krill - um minúsculo tipo de camarão - e outros pequenos organismos do
plâncton marinho - se reproduz em enormes quantidades, formando massas vivas de
milhões de indivíduos, que são capturados nas franjas de barbatanas da boca e
avidamente devorados pelas baleias. Quando uma baleia jubarte está se
alimentando, uma grande quantidade de alimento e água entra em sua boca, então
ela usa a língua para expelir a água através das barbatanas, que retém apenas o
alimento em sua fina rede de franjas. As barbatanas de uma jubarte adulta
atingem até 1,5 metros de comprimento. Pequenos peixes encontrados em grandes
concentrações também fazem parte do cardápio das jubartes, que pescam em grupos
usando um elaborado esquema de cortinas de bolhas de ar para cercar suas presas,
elas nadam no meio desta cortina até chegar à superfície com a boca aberta e as
pregas estendidas capturando o alimento, assim, com mais facilidade. Subir à
superfície com a boca aberta é uma técnica de alimentação chamada “gulping”(gulp
= engolir,devorar) utilizada por espécies da família balaenopteridae. As baleias
francas (família Balaenidae) nadam na superfície com a boca aberta
capturando o alimento -“skimming”(skim = tirar da superfície), já a baleia cinza
(família Eschrichtidae), raspa o fundo ingerindo não só organismos como
areia -“sucker”(suck = sugar). Organismos do Zooplancton - Copépodos, eufasídeos
e anfípodos fazem parte da dieta alimentar dos misticetos. Podendo ingerir
várias toneladas de alimento por semana ( aproximadamente uma tonelada por dia
), a baleia jubarte armazena a energia dessas enormes refeições na forma de uma
espessa camada de gordura, que lhe serve não apenas de isolante térmico, mas
também de reserva energética que será consumida durante o resto do ano, na
migração para as áreas de reprodução e novamente de volta à Antártida no próximo
verão.
Os filhotes se
alimentam durante os primeiros 6 a 9 meses de vida exclusivamente de leite.
Após este período eles já são observados capturando alimentos sólidos. A partir
de então passam várias semanas utilizando os 2 tipos de alimentos (leite e
alimentos sólidos), até que ocorra o desmame definitivo.
A amamentação ocorre logo após o
nascimento. A mãe possui 2 fendas mamárias, localizadas cada uma ao lado da
abertura genital na parte ventral do corpo, entre o umbigo e o ânus. Durante a
lactação as glândulas mamárias aumentam em espessura e mamilos sobressaem
através das fendas mamárias expandidas. Ao encontrar o mamilo o filhote estimula-o
com a língua fazendo com que o leite saia sob pressão em sua boca.
REPRODUÇÃO
As baleias estão entre
os mamíferos que se reproduzem mais lentamente; após uma gestação de
aproximadamente um ano, as jubartes dão à luz um único filhote, que permanecerá
sendo amamentado e inteiramente dependente da mãe durante pelos menos outro ano
inteiro. Assim, em geral uma baleia adulta terá um filhote a cada três anos
somente.
A cópula das baleias
jubarte nunca foi observada.
O “bebê-baleia” já
nasce com cerca de 4 a 5 metros de comprimento e podendo pesar até umas 5
toneladas. Inicialmente muito apegado à mãe, de quem se separa apenas
ocasionalmente, aos poucos vai aprendendo a explorar seu ambiente e a fazer
movimentos mais vigorosos, que ajudarão a preparar seu jovem corpo para o árduo,
porém inevitável, exercício da migração de volta às áreas de alimentação no
verão. No ano seguinte, o filhote já com cerca de 8 metros passará a viver
sozinho as aventuras da migração, até que atinja a maturidade sexual, a partir
dos 5 anos e possa acasalar-se.
A Respiração das Baleias
As baleias podem ser
avistadas de longe pelo famoso “esguicho” que produzem ao respirar; só que, ao
contrário do que se pensa, não se trata de um esguicho d’água, mas sim do ar
quente expelido dos pulmões rapidamente, que se condensa ao entrar em contato
com o ambiente e forma a coluna de condensação que pode atingir vários metros de
altura.
O tempo que uma baleia
jubarte pode permanecer submersa sem respirar pode chegar a 30 minutos, mas na
região de Abrolhos o intervalo de respiração observado costuma ser bem menor
especialmente no caso de fêmeas acompanhadas de filhotes.
Mergulhos Reveladores
Freqüentemente, ao mergulhar, as baleias jubarte adultas expõem a face inferior
da cauda. Nesta região do corpo das jubartes, pode ser observado um padrão de
manchas brancas e pretas típicas da espécie. O padrão de manchas e marcas da
cauda, quando fotografado, permite aos pesquisadores identificar individualmente
as baleias, como se a cauda fosse uma verdadeira “impressão digital” de cada
animal. Esta técnica recebe o nome de
fotoidentificação
Através da fotografia destes
padrões de manchas é possível catalogar as baleias de cada região. Milhares de
baleias jubarte, desde os anos 70, foram identificadas em todos os oceanos. O
acompanhamento das baleias individualmente ao longo de alguns anos permite
compreender seu comportamento, relações sociais e história de vida. O histórico
de avistagem de fêmeas específicas fornece informações sobre as taxas
reprodutivas, do mesmo modo que, alguns indivíduos vistos em diferentes regiões,
separadas por muitos quilômetros, possibilitam o esclarecimento sobre seus
movimentos e migração.
Em Abrolhos, o trabalho de
fotoidentificação do Projeto Baleia Jubarte já permitiu a catalogação de mais
de 500 indivíduos, muitos dos quais foram avistados em várias ocasiões ao longo
de 9 anos.
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Batidas de Caudal e Peitoral
Os comportamentos mais
vigorosos das baleias são geralmente de difícil interpretação quanto ao seu
significado; no caso das jubartes, entretanto, sabe-se que as batidas de cauda
na superfície do mar, que podem ser escutadas a grande distância, costumam
representar padrões de agressividade, servindo ainda para sinalizar o
molestamento quando embarcações aproximam-se em demasia. As batidas efetuadas
com as enormes nadadeiras peitorais também podem ocorrer nestas situações,
sendo ainda associadas com a receptividade ao parceiro durante os rituais de
acasalamento.
Saltos
O espetáculo mais
impressionante proporcionado pelas baleias durante sua permanência na região dos
Abrolhos, o salto é ainda um comportamento de significado comportamental
inexplicado, muito embora existam várias hipóteses a respeito, que vão desde a
comunicação até o combate a ectoparasitos, passando - quem sabe? - pelo simples
prazer de saltar. A visão de um animal de quarenta toneladas saindo quase que
inteiramente da água é inexquecível e confirma a enorme força da musculatura
que impulsiona as baleias jubarte pelos oceanos afora.
O Canto das Jubartes
Os sons emitidos pelas
baleias são conhecidos há muito tempo pelos navegadores oceânicos e pelos
baleeiros, mas são relativamente recentes as iniciativas no sentido de
estudá-los e tentar compreender o seu significado comportamental Em 1967, o Dr.
Roger Payne e outro cientista norte-americano, Scott McVay, ao estudarem as
baleias jubarte no Caribe, fizeram uma descoberta surpreendente: o som que os
machos da espécie emitiam eram verdadeiras canções no sentido musical, longas
seqüências sonoras repetidas da mesma forma. Essas canções das jubartes são
muito mais longas do que o canto de pássaros, e podem chegar a mais de trinta
minutos, muito embora a média esteja perto dos quinze minutos de duração. São
divididas em frases repetitivas chamadas temas, e cada canção contém de dois a
nove temas, e são cantadas em longas seqüências que de repetição que podem
ultrapassar as 24 horas de cantoria. As canções diferem entre as distintas
populações reprodutivas da espécie.
O Dr. Payne, que além
de pesquisador é um músico treinado, notou ao longo de muitos anos de estudo que
apesar das baleias jubarte e os seres humanos estarem separados por caminhos
evolutivos totalmente distintos, as canções das jubartes obedecem a leis de
composição surpreendentemente similares às humanas. Por exemplo:
* As jubartes empregam
sistemas de ritmo em suas canções, ao invés de simplesmente produzirem sons
aleatoriamente formados;
* As jubartes usam
frases melódicas de duração similar às das músicas humanas - alguns segundos - e
criam temas a partir delas;
* A duração de cada
canção é intermediária entre a de uma música moderna e uma sinfonia clássica.
Poderia ser de poucos segundos, como as aves, ou de muitas horas, mas não - é
uma duração efetivamente similar às nossas próprias composições.
* Talvez o mais
surpreendente, as jubartes ultilizam-se de rimas em suas canções.
A questão das rimas do
canto das jubartes está diretamente relacionada a outra interessante descoberta
dos estudos de longo prazo da espécie: as canções são “válidas” somente para uma
determinada temporada reprodutiva, sendo alteradas lentamente, ao longo dos anos,
até se tornar uma canção inteiramente distinta ao cabo de aproximadamente cinco
anos, representando cinco estações reprodutivas. Nisto, o canto das jubartes
difere radicalmente das canções humanas, que são compostas totalmente distintas
entre si de imediato.
As mudanças graduais
nas canções são adotadas por todos os machos de uma determinada área de
reprodução (como a região de Abrolhos), de forma que todos os cantores estão
constantemente adaptando-se às mudanças mais recentes, cujo processo de
surgimento permanece inexplicado. Uma vez que os machos de jubarte de um mesmo
oceano podem eventualmente alternar sua presença em diferentes áreas de
reprodução, existe um verdadeiro “intercâmbio musical” entre essas populações
mais próximas, que passam a ter canções ainda distintas, porém parecidas.
As teorias referentes
ao significado dessas canções etéreas e belas - que em Abrolhos podem por vezes
ser ouvidas na superfície, graças à reverberação do som no casco da embarcação -
ainda são muito divergentes. Uma delas defende que as canções sejam uma forma de
atrair as fêmeas; outra, que elas sirvam para desafiar e afastar outros machos
na área; e ainda que sejam uma mistura de ambas funções!
Ninguém sabe ao certo
de que maneira as baleias jubarte produzem seus sons. Embora pareça razoável
presumir que os sons são produzidos com ar, não há exalação de ar durante o
canto. É possível que os sons sejam originados num complexo sistema de canais do
sistema respiratório e da estrutura da cabeça da baleia, em que o animal poderia
voluntariamente mover o ar de um lado para outro. De todo modo, outra
curiosidade é que as jubartes não precisam abrir a boca para cantar, reforçando
a idéia de que o som é produzido no interior de passagens de ar na cabeça.
Quanto à possibilidade
de que exista uma linguagem nessas canções, ela é ainda apenas uma especulação.
Quem sabe, se conseguirmos proteger as baleias jubarte das ameaças que persistem
ainda contra a vida nos oceanos, possamos no futuro entender melhor a
comunicação desses animais fascinantes que enchem as águas com sua presença
sonora.
Inteligência
Um dos principais fatores que têm
contribuído para o interesse e a preocupação dos seres humanos para com os
cetáceos é a descoberta de que estes possuem um grande e complexo cérebro. Este
fato levaria a crer que estes animais poderiam demonstrar capacidade de
aprendizagem ao menos tão rica e variada quanto os primatas não humanos.
Talvez uma das mais frequentes
questões levantadas seria a de quão inteligentes são as baleias. Infelizmente,
esta é uma pergunta difícil de responder, uma vez que o conceito de inteligência
é bastante vago. Mesmo no que se refere à espécie humana, existe pouco consenso
acerca do verdadeiro significado deste termo. É preferível, e mais adequado, que
nos perguntemos o quanto as espécies são capazes de adaptar-se às mudanças na
demandas de um ambiente em transformação. Sob esta ótica, uma espécie
inteligente é aquela que decide o que fazer no presente baseando-se em uma
complexa integração das informações derivadas em grande parte de experiências
passadas. As experiências passadas que influenciariam as decisões do presente
incluem não apenas a experiência individual mas também a de outros membros desta
mesma espécie. Vista desta forma, a inteligência poderia ser analisada como
dependente de capacidades de aprendizagem complexas, habilidade no processamento
de informações abstratas e uma intrincada rede de comunicação social. O desafio
seria como mensurar estas capacidades em animais de 40 toneladas de peso e que
passam grande parte de suas vidas em ambientes distantes de qualquer observador,
como acontece com as baleias jubarte.
Existem ao menos três linhas de
evidências que sugerem o envolvimento das jubartes em processos mentais
complexos. A primeira linha está relacionada com a quantidade de massa cerebral
que as baleias possuem para o aprendizado e processamento das informações. Harry
Jerison, professor de neuroanatomia comparada, desenvolveu um método para
classificar espécies de acordo com sua “capacidade de pensamento”. O método é
baseado na suposição de que, para um determinado tamanho de corpo, um tamanho
mínimo de cérebro é necessário para o desenvolvimento das funções corporais. É
possível fazer uma média entre o tamanho do cérebro de diferentes espécies que
possuam tamanho corporal similar; as espécies dotadas de um cérebro maior do
que a média para sua categoria de tamanho corporal, podem ser consideradas como
possuidoras de maior “força de pensamento”, disponível para o pensamento e
resolução de problemas. A quantidade “excedente” de cérebro que não é utilizada
para as necessidades básicas do organismo é utilizada para computar um índice de
inteligência denominado “quociente de encefalização”.
Comparando um largo espectro de
quocientes de encefalização, Jerison encontrou que seres humanos, primatas e
cetáceos classificam-se como dotados da maior quantidade de material cerebral
disponível para as funções intelectuais. Baseado neste fato, poderíamos esperar
que as baleias jubarte demonstrassem um largo espectro de capacidades de
aprendizagem. Existem algumas controvérsias a respeito da relação entre o
tamanho do corpo e peso cerebral nos dizer muito sobre inteligência. Uma
consideração que é preciso ter em mente é de que os misticetos, em sua evolução
no ambiente aquático, não estão sujeitos às mesmas limitações de tamanho de
corpo que podem reduzir o crescimento em mamíferos terrestres e odontocetos.
Isto poderia invalidar comparações entre medidas de peso cerebral/corporal
entre mamíferos terrestres e misticetos.
Uma segunda fonte de evidências
indicadoras de inteligência nas baleias jubarte refere-se à estrutura do cérebro
dos cetáceos. O cérebro das jubartes não é apenas grande, mas também
estruturalmente complexo. Mais notadamente, a jubarte, como outros cetáceos,
possui um córtex cerebral ricamente elaborado.Embora o córtex dos cetáceos seja
um pouco menos espesso que o córtex dos primatas, incluindo o homem, ele possui
maior quantidade de circunvoluções. Aparentemente, portanto, a complexidade
estrutural do cérebro dos cetáceos é totalmente capaz de prover-lhe o processo
de informação abstrata e a integração de habilidades.
A terceira vertente que sugere que
as baleias jubarte são capazes de processos mentais bastante complexos está
relacionada com sua habilidade de comunicação. Existem várias evidências de que
estas baleias possuem a habilidade de se comunicar em função de uma variedade de
propósitos. Análises dos sons das baleias francas, na Argentina, têm demonstrado
algumas intrigantes relações entre os sons emitidos pelos grupos de baleias e
as atividades em que estes grupos estão envolvidos. O mesmo tem sido observado
em relação à variedade de sons sociais produzidos pelas baleias jubarte.
A certeza de que as baleias
jubarte são realmente inteligentes é comprovada pelas observações de campo de
inúmeros pesquisadores. É muito importante que, enquanto cientistas, afastemos o
erro de antropomorfizar e fantasiar os níveis de “pensamento” e “emoção” que
observamos nestes cetáceos. Não obstante, não podemos afastar uma profunda
atração por estas fascinantes criaturas, quando as observamos navegando ao largo
das ilhas dos Abrolhos, buscando reproduzir-se, cuidando de seus filhotes,
aprendendo acerca das responsabilidades e oportunidades de uma jubarte adulta, e
competindo vigorosamente pela oportunidade de transmitir sua herança genética
para as próximas gerações. E, durante todo o tempo em que permanecem aqui, o
belo e melancólico som de seu canto nos estimula a trabalhar ainda mais, para
compreender as complexidades de sua vida e necessidades, e nos esforçarmos para
assegurar que elas serão bem sucedidas em sua busca pela sobrevivência - ainda
hoje ameaçada pela humanidade.
Termorregulação
A manutenção da
temperatura corporal no ambiente marinho é um dos muitos desafios enfrentados
pelos mamíferos aquáticos, em especial os que, como as baleias jubarte, migram
sazonalmente para regiões circumpolares. A evolução dotou as grandes baleias de
diversos mecanismos para permitir a manutenção de uma temperatura corporal que,
nas jubartes, fica sempre em torno dos 36°-
37°
Celsius. Devido ao seu corpo fusiforme, altamente hidrodinâmico, as baleias
possuem pouca superfície corpórea em relação a sua massa total (relação massa/volume),
o que resulta numa eficiente conservação de calor; ademais, seu corpo é
protegido pela espessa camada de gordura que ao mesmo tempo armazena energia e
funciona como um isolante térmico altamente efetivo. Esta camada de gordura pode
atingir, nas maiores jubartes, aproximadamente 15 cm.
Além das adaptações
físicas, os processos fisiológicos também cumprem importante função na
termorregulação. As baleias jubarte podem regular seu metabolismo de forma a
gerar mais ou menos calor corporal; o ritmo metabólico tende a ser maior,
gerando mais calor, durante a permanência das jubartes em regiões de temperatura
do mar muito baixa, como nas áreas de alimentação, ou quando a camada de gordura
se encontra muito reduzida, ao final do período reprodutivo. O calor corporal é
também regulado por um complexo e singular sistema circulatório: ocorre uma
vasoconstricção periférica nas extremidades do corpo, as artérias que levam o
sangue quente desde o coração estão fixadas em espiral ao redor das veias que
levam o sangue mais frio de volta ao coração. A troca de calor entre os dois
fluxos sangüíneos evita perdas desnecessárias. Elas não possuem glândulas
sudoríparas como uma fonte de perda de calor, é notável que esse sistema que
mantém a baleia aquecida pode ser “desligado” mediante desvios da circulação
quando a jubarte sente-se superaquecida.
Osmoregulação
A salinidade (osmolaridade)
do sangue da baleia é menor que a água do mar. O excesso de sais ingeridos na
alimentação são eliminados pela urina, que é abundante. Porém devem evitar perda
de água, o que não é difícil já que não possuem glândulas sudoríparas e o ar
inalado é bastante saturado de vapor de água. Os rins são divididos em renículos
que atuam individualmente como se fossem um rim completo, fazendo a eliminação
de sais ser mais eficiente.
Adaptações ao mergulho
Foi Irving em
1935 que descobriu que durante o mergulho ocorria uma redistribuição do fluxo
sangüíneo- circulação diferencial. Durante o mergulho o sangue oxigenado é
reservado para irrigar o coração e o cérebro, os outros órgãos, músculos e a
pele deixam praticamente de receber sangue. Nos cetáceos existe uma relação
volume sangüíneo/peso corporal maior, além de haver maior quantidades de
hemoglobina e mioglobina, pigmentos captadores de oxigênio, que permite ao
animal ficar submerso por mais tempo. Os cetáceos também tem capacidade de
passar do metabolismo aeróbico (oxigênio®gás
carbônico) para o anaeróbico (oxigênio®ácido
lático), a tolerância a essas substâncias resultantes também é maior comparada a
outros mamíferos.
A ventilação nos
cetáceos é muito eficaz, na superfície respirando, eles chegam a renovar 85 a
90% do ar de seus pulmões, taxa essa que nos mamíferos terrestre é de apenas
5-15%.
Outra adaptação ao
mergulho é a intricada rede de vasos sangüíneos -retia mirablia- a qual
envolve a coluna, a base do cérebro, o globo ocular, tórax e costelas,
funcionando como “almofadões” para conter as mudanças de pressão. Também
regulam o fluxo sangüíneo na circulação diferencial.
As mudanças de pressão
também afetam o ouvido médio, ao seu redor existe cavidades preenchidas com uma
substância que lembra uma espuma, rodeado por plexo venoso, onde se aumenta ou
diminui o fluxo sangüíneo para se equilibrar as pressões durante o mergulho.
Os cachalotes podem
chegar a profundidades de 2400 metros, pesquisadores acreditam que além de todas
adaptações acima descritas o órgão espermaceti regularia a flutuabilidade e
mergulho: em águas mais frias o óleo esfriaria aumentando a densidade e seu peso
específico e assim a energia cinética propiciando o mergulho; com o aumento do
fluxo sangüíneo, o óleo se esquentaria, diminuindo o peso específico propiciando
flutuabilidade.
Os Cinco Sentidos
Em animais
terrestres como nós, os cinco sentidos possuem uma significação especial em
nossa relação com nosso ambiente. Dentre eles, o olfato, a visão e a audição
estão condicionados ao meio no qual os odores, o som e as imagens se transmitem,
ou seja, o ar.
Torna-se, portanto
difícil imaginarmos como se dá o uso dos cinco sentidos pelas baleias, que vivem
num ambiente extremamente complexo e totalmente diferente do nosso - o mar, com
sua imensidão líquida e diversidade de densidades, características de luz,
composição química e outros numerosos fatores mutáveis. Ainda são poucas as
informações referentes a essa faceta dos grandes cetáceos (nada se sabe, por
exemplo, sobre a sua capacidade gustativa...), mas já é possível concluir que as
jubartes possuem grande sensibilidade de tato, uma visão bastante boa, pouco ou
nenhum olfato (!) e uma excelente audição. Ouvir, para os cetáceos, é essencial;
é o sentido que lhes permite interpretar seu ambiente, localizar outros animais
e comunicar-se com os de sua própria espécie, buscar e capturar alimento. Devido
às excepcionais condições de transmisssão dos sons sob a água, as jubartes podem
tomar pé do que se passa ao seu redor numa grande área de oceano. A poluição
sonora causada pelo trânsito de embarcações e outras atividades humanas podem
atrapalhar em muito o uso da audição pelas baleias, mas ainda assim o som
permanece seu mais importante meio de relação com o mundo.
O Sono nas Baleias
Como todos os
mamíferos, também as baleias jubartes necessitam dormir. O sono das baleias,
porém, é diferente do nosso; como a sua respiração é voluntária, elas não podem
passar longos períodos dormindo, e uma parte do cérebro tem que estar sempre num
determinado nível de consciência. Assim, as jubartes podem ser vistas
descansando à superfície ou logo abaixo dela, praticamente imóveis, por períodos
não superiores a quinze minutos, tempo que dura cada “cochilo”, seguido de uma
profunda respiração e - se ninguém atrapalhar - outro período de sono. Essa
maneira peculiar de repousar pode servir também para proteger-se de predadores
potenciais.
A existência
permanente no ambiente aquático pode ser uma causa direta da aparentemente pouca
necessidade de sono profundo das baleias e golfinhos. Experimentos indicam que
alguns pequenos cetáceos passam boa parte, senão toda sua vida, no que se
denomina estado alfa, um estado mental que em humanos é associado
diretamente a períodos de relaxamento. Pessoas submetidas a longos períodos num
ambiente aquático mantém seu cérebro mais tempo no estado alfa e geralmente
requerem menos horas de sono que o normal. Muito embora seja impossível, no
presente, fazer medições diretas dessa natureza nas baleias, é de se supor que
elas possam estar quase permanentemente nesse estado de tranqüilidade, o que
corresponderia, enfim, à imagem que fazemos desses gigantescos, porém pacíficos,
seres.
Parasitas e Inimigos Naturais
Como todo animal de
vida livre, a baleia jubarte também é muitas vezes hospedeira de outros
organismos diversos, que podem ou não causar prejuízos. Os mais evidentes
“caroneiros” das baleias jubarte são ectoparasitos, como as cracas Coronulla
sp. , que aderem à pele na cauda, aletas peitorais e cabeça da baleia. Além
destas, os crustáceos chamados “piolhos-de-baleia” do gênero Cyamus, são
“inquilinos” que somente sobrevivem sobre a pele de baleias, agarrando-se com
fortes garras que possuem em suas patas. Uma espécie em particular, Cyamus
boopis vive exclusivamente na companhia das baleias jubarte, na base de suas
aletas peitorais e da cauda, além do entorno de cracas eventualmente também
presentes na pele do animal.
Dentre os parasitas
internos das baleias jubarte, contam-se, como em muitos outros mamíferos,
diversos vermes que se instalam no trato digestivo e outras vísceras, podendo
chegar a ser muito numerosos.
Como acompanhantes das
baleias jubarte que não podem ser verdadeiramente classificados de parasitas,
mas sim como legítimos “caroneiros” , estão peixes como as rêmoras, que aderem
temporariamente à pele da baleia, economizando a energia da natação por longas
distâncias. Às vezes outros peixes seguem as jubartes, alimentando-se de
fragmentos de pele escamada, algas ou dos próprios parasitas aderidos ao corpo
da baleia.
Não são incomuns as
marcas observadas em jubartes feitas pelo tubarão Isistius brasiliensis,
uma espécie de pequeno porte e hábitos noturnos que corta um círculo perfeito de
pele e músculo na cauda ou outras partes do corpo da baleia. Marcas semelhantes
confirmam o ataque deste peixe a outros cetáceos, como os golfinhos rotadores (Stenella
longirostris) de Fernando de Noronha.
As grandes baleias
possuem poucos inimigos naturais - além do homem, seu máximo e mais cruel
predador - capazes de ameaçá-las quando adultas. Entretanto, filhotes e animais
jovens são mais vulneráveis. São conhecidos ataques letais de grandes tubarões a
filhotes afastados de suas mães.
Baleias jubarte
adultas somente são atacadas por orcas (Orcinus orca), cetáceos que caçam
em grupos altamente organizados e cujos ataques coordenados a várias espécies de
baleias já foram documentados. Chamadas erroneamente de “baleias assassinas”, as
orcas não matam outras baleias por prazer ou instinto assassino, mas
simplesmente para satisfazer suas necessidades vitais de alimento. Conquanto as
jubartes não sejam totalmente indefesas a esses ataques, podendo desferir golpes
vigorosos nos atacantes com sua poderosa cauda, em geral a estratégia de
fustigamento adotada pelas orcas acaba por cansar sua presa, facilitando a
aproximação e o ataque final.
Longevidade
Assim como diversos
outros aspectos de sua história natural, a idade que podem atingir as grandes
baleias é ainda uma incógnita. Muito do que se sabe a respeito da idade que
podem atingir as baleias provém de exames dos cadáveres de animais vitimados
pela matança comercial no século XX; estima-se que o plug de cera
existente no ouvido das baleias, pelo número de camadas de deposição, possa
indicar a idade de seu portador, mas esse plug só pode ser removido de
animais mortos.
Calcula-se que alguns
misticetos, como as baleias azuis e fin, possam atingir mais de 80 anos de idade;
as baleias francas, de 60 a 80 anos; e as jubartes mais de 50 anos. É preciso
reiterar que nosso conhecimento a respeito é muito fragmentário e que,
possivelmente, as grandes baleias devam regular em idades máximas e atingir
longevidade muito semelhante, senão superior, à humana .
Baleias e Turismo
O término da caça à
baleia no Brasil, após uma campanha popular de mais de uma década para banir de
nossas águas essa atividade predatória, foi combatido pelos defensores da
indústria baleeira com o argumento de que a matança representava uma importante
fonte de renda para o País. Mesmo ignorando todos os argumentos válidos
referentes à importância ecológica das baleias no ambiente marinho e seus outros
valores intrínsecos, ainda assim, se nos ativermos ao plano econômico,
chegaremos à conclusão de que as baleias valem muito mais dinheiro vivas do que
mortas.
O whalewatching,
ou turismo de observação de baleias, vem crescendo em todo o planeta como
conseqüência direta do fim das atividades de caça e do aumento gradual das
populações de várias espécies, permitindo que um número crescente de pessoas
possam ter contato com esses fascinantes animais. Esse turismo, que nasceu na
costa oeste dos Estados Unidos ainda na década de 40, gera hoje muito mais
recursos do que jamais produziu a atividade baleeira, e possui, além de não
resultar na morte das baleias, outra vantagem fundamental. Ao invés de resultar
na concentração de renda na mão de poucos, como ocorria na caça à baleia, o
whalewatching resulta na geração de benefícios econômicos para uma extensa
parte das comunidades locais nas regiões onde é realizado - operadores
turísticos, hotéis, restaurantes, lojas de artesanato e souvenirs, todos se
beneficiam do fluxo turístico, cujo retorno assim é socialmente muito mais justo
do que se as baleias - patrimônio público pertencente a todos - fossem mortas e
apropriadas para gerar lucro de uns poucos industriais. Em 1994, um estudo
detalhado calculou que o turismo de observação de baleias já gerava cerca de 500
milhões de dólares/ano em todo o planeta. Em muitos países, os projetos de
pesquisa e preservação das baleias também se beneficiam do whalewatching,
recebendo tanto informações importantes pela observação a partir de barcos de
turismo, como através de doações voluntárias feitas pelos operadores de turismo.
No Brasil, apenas na
região dos Abrolhos existe o turismo de observação de baleias a partir de
embarcações, que a cada temporada levam turistas a partir de Caravelas, Alcobaça
e Nova Viçosa para ver de perto as jubartes. Em outra região, no litoral de
Santa Catarina, as baleias francas podem ser vistas no inverno a partir de
terra, já que se aproximam muito das praias com seus filhotes.
Se por um lado o
turismo de observação pode ser uma eficiente ferramenta de conservação das
baleias, agregando valor econômico à sua proteção e gerando educação do público,
por outro lado é preciso que a atividade seja mantida sob constante
monitoramento e rígida fiscalização, para que não ocorram perturbações indevidas
aos animais - ainda mais que, na maioria das vezes, o turismo é feito em áreas
de reprodução. No Brasil, o whalewatching é regulado pela Portaria IBAMA
117/96, que estabelece normas e limites para a aproximação a baleias e
golfinhos. A obediência a esses limites é fundamental para que se possa
assegurar aos futuros visitantes a mesma inesquecível experiência, de ver as
baleias em seu ambiente natural sem que elas tenham de fugir à nossa curiosidade.
Referências
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