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Pesquisadores estudam populações de pássaros pelo canto
Como qualquer observador de pássaros poderia dizer, na
floresta ouvir o canto das aves é mais fácil do que
avistá-las. Agora, dois cientistas desenvolveram um
sistema para estimar a densidade das populações de
pássaros ao gravar suas canções com um conjunto de
microfones.

O método oferece uma alternativa à forma mais comum de
estimar as densidades populacionais de pássaros: o
ouvido humano. Ouvintes humanos são empregados com
frequência em estudos sobre pássaros, mas o trabalho
deles fica bem aquém da perfeição, diz Murray Efford, da
Universidade de Otago, em Dunedin, Nova Zelândia. Um
problema especial, segundo ele, é que "não somos muito
bons em estimar a que distância está a origem de um
som".
Efford e Deanna Dawson, do Serviço de Levantamento
Geológico dos Estados Unidos (USGS), em Laurel,
Maryland, desenvolveram um método que envolve o uso de
múltiplos microfones espalhados pela mata. Ao gravar os
pássaros em diversos lugares simultaneamente, os
pesquisadores podem estimar a "impressão acústica"
deixada por cada pássaro - ou seja, a área em torno dele
na qual seu canto pode ser ouvido.
A dimensão dessa impressão acústica depende de
parâmetros como o barulho dos pássaros e as propriedades
acústicas da floresta. Assim, Efford e Dawson precisam
tentar diferentes valores para esses parâmetros até que
encontrem uma boa comparação com os dados registrados
pelos microfones. Ao final do processo, os pesquisadores
se tornam capazes de estimar a densidade da presença de
pássaros sem que seja necessário determinar a
localização dos pássaros ou conhecer a extensão da
floresta.
Piu-piu
Os cientistas experimentaram esse método com um pássaro
conhecido como mariquita-de-coroa-ruiva (Seiurus
aurocapilla), que vive no Refúgio de Pesquisa de
Patuxent, perto de Laurel, Maryland. Apenas as
mariquitas macho cantam, e a técnica permitiu estimar
sua densidade em cerca de um pássaro macho a cada cinco
hectares.
As constatações parecem confirmar estimativas computadas
com base na captura de filhotes de pássaros por meio de
redes. Além disso, os pesquisadores descobriram que a
nova técnica oferecia mais precisão do que o método de
captura com redes. O trabalho deles foi publicado na
versão online da revista Journal of Applied Ecology.
Efford e Dawson afirmam que o método poderia ser usado
para estimar as densidades de outros animais difíceis de
localizar visualmente, entre os quais baleias e
golfinhos. Len Thomas, um especialista em estatísticas
ecológicas da Universidade St. Andrews, na Escócia, por
exemplo, já está empregando método semelhante como parte
de um esforço para monitorar as baleias minke (Balaenoptera
acutorostrata) por meio dos sons que elas produzem.
O número de baleias dessa espécie avistadas no Pacífico
é muito baixo, mas os machos da espécie produzem um som
grave e muito característico que poderia ser capturado
por hidrofones e possibilitaria determinar sua impressão
acústica, como acontece com os pássaros.
No entanto, Thomas afirma que o método desenvolvido por
Efford e Dawson só permite contemplar parte do quadro
para as populações de baleias minke. O método estima
apenas a densidade de sons, não de animais, e no caso
das baleias a incerteza quanto à porcentagem de machos
que emitem sons e quanto à frequência com que o fazem
torna difícil extrapolar desses registros uma estimativa
para a densidade populacional.
Efford acrescenta que a nova técnica funcionará melhor
no caso de animais que produzem sons repetitivos e em
volume constante. Isso significa que ela deve ser
especialmente útil para estimar as densidades
populacionais de outras espécies de pássaros. "Muitos
pássaros repetem o mesmo canto vezes sem conta, de forma
persistente e monótona", ele disse.
A monotonia parece ter incomodado Efford, que teve de
ouvir o cântico das mariquitas repetidamente para o
estudo. "É um chamado especialmente insistente e
irritante", ele admite.
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