Rãs tropicais constróem ninhos com espuma
eficiente
Nos trópicos, existem centenas de espécies de
rãs que constroem seus ninhos com espuma, a fim
de que sirvam como abrigo para os ovos ou
larvas. A espuma é um material de construção
bastante frágil, mas os ninhos de rãs não são
construções precárias.

Como descobriram Malcolm Kennedy e Laura
Dalgetty, da Universidade de Glasgow, eles são
construídos de maneira deliberada e apresentam
características específicas. Os pesquisadores
reportam em artigo para a revista Biology
Letters o seu estudo sobre as rãs tungara,
Engystomops pustulosus, encontradas no Caribe e
na América Central. Os animais constroem seus
ninhos em poças de água ou pequenos lagos.
Kennedy diz que a produção da espuma cabe ao
macho, que primeiro recebe um fluido da fêmea e
depois o mistura à água do lago para criar uma
espécie de "balsa". O fluido inclui moléculas
surfactantes que reduzem a tensão superficial da
água, resultando na espuma.
Também contém proteínas que, ao prevenir
infecções e inibir as ações das enzimas,
protegem os ovos contra patógenos presentes na
água e contra a forte luz solar encontrada nos
trópicos. Assim que a balsa é construída, a
fêmea começa a colocar três ou quatro ovos em
cada porção de fluido e, depois de
fertilizá-los, o macho insere os ovos na porção
central do ninho, à medida que este é produzido.
"Seria de imaginar que os ovos se misturem de
maneira aleatória, mas não é o que acontece",
disse Kennedy. Nenhum ovo é posicionado no
centímetro final do monte, que serve como
cobertura protetora.
Kennedy diz que novos estudos sobre o fluido
produzido pelas rãs fêmeas podem ser
interessante. "Temos ali um composto que protege
células muito sensíveis contra infecção por
bactérias e fungos", afirmou. "Essa espécie de
coquetel de moléculas poderia ser realmente útil
para fins médicos".