|
Cientistas estudam migração dos pássaros via GPS
Ninguém jamais disse que migrar milhares de quilômetros
em voo era tarefa fácil. Mas poucos estudos detalhados
foram conduzidos sobre as dificuldades reais da migração
de pássaros. Isso se deve ao fato de que rastrear aves
em voo é difícil; técnicas convencionais, como o uso de
braceletes com identificação por rádio, oferecem apenas
informações limitadas sobre os percursos realizados.

Mas a tecnologia agora permite uma nova resposta, em
forma de pequenas etiquetas rastreáveis via satélite. As
etiquetas capazes de recolher dados do sistema GPS e
transmiti-los a satélites estão se tornando tão pequenas
- as menores delas pesam cerca de 10 gramas, com a
bateria incluída - que agora se tornou possível
afixá-las a pássaros de grande porte e rastrear as
viagens que de longa distância que eles realizam.
Cientistas da Suécia o fizeram, e obtiveram informações
valiosas sobre como as aves de rapina enfrentam o Saara
em suas migrações da Suécia à África, e vice-versa, na
primavera e outono. Para resumir, é uma jornada muito
sacrificada.
Roine Strandberg e Raymond Klaassen, da Universidade de
Lund, e seus colegas acompanharam 90 voos através do
Saara por abutres, águias-pescadoras e outras aves de
rapina, adultas e jovens. Como informam em relatório
publicado pela revista Biology Letters, a distância
média percorrida de um extremo do deserto ao outro era
de cerca de 1,6 mil quilômetros, em tempo médio de seis
dias e meio.
Os pesquisadores constataram que, em 40% dos voos, havia
indícios de comportamento estranho - os pássaros
reduziam a velocidade, se detinham por uma hora ou mais,
mudavam de curso ou, em alguns casos, davam a volta e
retornavam para o ponto de onde haviam partido. Os
pesquisadores sugerem que ventos adversos ou tempestades
de areia podem ser responsáveis por isso.
Também ocorrem mortes, especialmente entre os animais
mais jovens. Cerca de um terço dos pássaros mais jovens
morre em sua primeira viagem. "É uma proporção muito
maior do que esperávamos", disse Klaassen. "Os pássaros
só tem um bom verão caso consigam realizar a travessia
na primeira tentativa", ele afirmou. "Se tiverem de
parar ou voltar, há forte risco de que não se reproduzam
com sucesso naquele ano.
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|