|
Pesquisador reúne 50 anos de estudo sobre pássaros em
fotos
Vinte anos atrás, o observador de pássaros americano
Theodore Cross fez uma viagem que o levou a atravessar
16 fusos horário e o transportou de Nova York a Moscou,
Irkutsk e Yakutsk, na Rússia, antes de se encerrar na
tundra, no delta de Kolyma, nordeste da Sibéria. Seu
objetivo era a muito almejada observação de uma ave
ártica, a gaivota de Ross. Cross conseguiu avistar uma
dessas gaivotas, mas o ninho da ave foi ocupado por um
mandrião ártico parasitário antes que o pesquisador
pudesse retornar com sua teleobjetiva. A viagem terminou
em fracasso.

O colhereiro rosado quase se extinguiu um
século atrás devido à caça excessiva
Passadas duas semanas, algo de completamente inesperado
aconteceu: uma gaivota de Ross apareceu em Baltimore.
Milhares de observadores de pássaros convergiram
imediatamente no local, em busca da oportunidade de
observar um espécime raríssimo.
"É o pássaro que atraiu 20 mil binóculos", diz Cross. "Waterbirds",
o livro de 344 páginas que ele está lançando, é uma
mistura de enciclopédia visual e de suas memórias de
quase meio século de observação de pássaros. Em retratos
íntimos de pequenas aves como a seixoeira ou de pássaros
"grandes como vagões de trem", a exemplo do
maçarico-de-bico-direito, e em relatos de suas
experiências pessoais como observador de pássaros, Cross,
85, descreve a maneira pela qual passou a primeira
metade de sua vida completamente desatento às aves,
apenas para se tornar um de seus mais ardorosos
fotógrafos e defensores já depois dos 40 anos de idade.
Agora, escreve o autor, "as lembranças que tenho deles
me ajudam a aceitar a brevidade do tempo que ainda me
resta".
Entre os pássaros favoritos de Cross está o colhereiro
rosado, que quase se extinguiu um século atrás devido à
caça excessiva, motivada por suas penas rosadas que eram
usadas para adornar chapéus femininos. A espécie está em
recuperação. O rabo-de-palha da ilha Christmas é
conhecido por seu voo acrobático. Ao meio-dia, conta
Cross, "eles sobem ao céu e se dedicam a piruetas
inacreditáveis, e praticam cambalhotas aéreas fazendo um
barulhão ensurdecedor".
O maçarico-de-bico-direito realiza uma travessia anual
de 10,9 mil quilômetros, do Alasca à Nova Zelândia, sem
comida, água ou repouso, uma façanha que Cross define
como "um dos milagres da natureza". E o
pilrito-semipalmado, um pássaro pequeno o bastante para
caber em uma xícara de chá, migra da América do Sul ao
Ártico, "atravessando tempestades e furacões, montanhas
e oceanos".
O trinta-réis-branco é uma ave incrivelmente amistosa.
"Se você visitar qualquer ilha do Pacífico Sul", ele
afirma, "logo se verá cercado por uma dúzia ou mais
dessas pequenas aves, que se aproximam para
cumprimentá-lo". Cross espera que um dia ainda seja
capaz de capturar a foto perfeita, que ele descreve como
"duas garças avermelhadas praticando o seu ritual de
cortejo, com suas fantásticas penas distendidas e
apontadas para o céu".
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|