Destruição dos habitat faz
animais silvestres ficarem mais próximos de
áreas urbanas
Os animais silvestres vivem cada vez mais perto
dos seres humanos porque a zona urbana se
aproxima dos últimos fragmentos de mata virgem.
A conclusão é de biólogos e pesquisadores da
fauna brasileira do interior de São Paulo.
No eixo entre São Paulo, Jundiaí, Campinas e
Piracicaba, os fragmentos de reserva de mata
estão estrangulados. Os corredores ecológicos
são escassos pela degradação ambiental,
queimadas e avanço da faixa urbana, segundo a
zootecnista e doutora em política ambiental
Márcia Gonçalves Rodrigues, do Centro Nacional
de Pesquisa e Conservação de Mamiferos
Carnivoros (CENAP/ICMBio) de Atibaia-SP.

Foto: Márcia Rodrigues/
Cenap/Divulgação
"Nos últimos 20 anos, a região de Campinas teve
uma expansão de sua ocupação territorial muito
grande em comparação a outras regiões de São
Paulo, o que acaba tornando mais comum cenas de
bichos passeando praticamente dentro da cidade,
afirma.
Segundo a pesquisadora, avanço do perímetro
urbano em direção a áreas de mata virgem
registra seu crescimento maior nos últimos 30
anos, o que comprova a necessidade de
conservação das sobras de áreas e seus
habitantes.
Na região de Campinas, há duas áreas de
conservação com significativa presença de
animais silvestres: a Mata de Santa Genebra, que
ocupa uma extensão de 250 hectares, e o Matão de
Cosmópolis, com 173 hectares.
Armadilha fotográfica
Em uma área de 150 hectares no entorno da
Refinaria do Planato (Replan), da Petrobras, em
Paulinia, distante cerca de 20 km Campinas e a
pouca distância de sítios e imóveis comerciais,
biólogos estudam a constante presença de
mamíferos, roedores, repteis e aves. Para
descobrir as espécies do local, quantificar os
indivíduos e depois sugerir uma forma de
manutenção sem degradação, os pesquisadores
utilizam a chamada armadilha fotográfica.
O equipamento detecta a presença de animais de
difícil observação. Seu funcionamento é simples.
O aparelho é formado por uma câmera fotográfica
acondicionada a uma caixa protetora presa por um
cadeado para impedir que seja desligada ou
roubada.O registro da imagem é ativado por um
sensor infravermelho de movimento e calor quando
algum animal aproxima-se da armadilha. A
tecnologia é semelhante a dos alarmes
residenciais.
Onça parda
Quinze armadilhas fotográficas foram espalhadas
e captaram imagens que mostram a vida animal sem
interferência humana em locais próximos de onde
vivem populações superiores a 1 milhão de
habitantes. Em um registro no final de
fevereiro, uma
onça parda
ou suçuarana corre atrás de uma capivara, uma de
suas presas mais cobiçadas.
A zootecnista Marcia explica que, a partir da
fotografia, é possível saber somente através das
imagens qual a espécie de animal, Patologia, idade,
horário de caça, entre outros detalhes.
Nas estradas
Em setembro do ano passado, uma onça parda foi
atropelada no km 70 da Rodovia Anhanguera, em
Vinhedo. A ocorrência chamou a atenção e causou
congestionamento. Uma faixa de uma das vias mais
movimentas do Estado de São Paulo teve que ser
fechada para os primeiros socorros à onça.
Apesar dos ferimentos, o macho sobreviveu aos
ferimentos. Ele acabou batizado de Anhanguera.
Durante todo o ano passado, a AutoBan, empresa
que administra as rodovias Anhanguera e
Bandeirantes, encontrou 76 animais em suas vias
- pouco mais que o dobro do ano anterior, quando
foram 36 animais recolhidos das pistas. Na
última semana, após passarem mais de um mês sob
os cuidados da Associação Mata Ciliar, em
Jundiaí, um bicho-preguiça e um gavião carcará
encontrados caídos nas duas rodovias foram
devolvidos à natureza.