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G8 quer cortar 50% das emissões de CO2 até 2050; ambientalistas dizem que ato é
tímido
Os países do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia)
concordaram em reduzir as emissões de CO2 (dióxido de carbono) em 50% até 2050,
como forma de controlar a mudança climática. Apesar de ser a primeira vez que os
Estados Unidos aceitam cumprir uma meta de redução, organizações ambientalistas
classificam o acordo, de longo prazo, como tímido.
O acordo foi fechado durante cúpula do grupo, formado por Alemanha, Canadá,
Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia, realizado em Toyako,
no Japão.
O G8 quer "considerar e adotar" nesse âmbito "a meta de obter pelo menos 50% de
redução das emissões mundiais para 2050, reconhecendo que esse desafio global só
pode ser enfrentado por meio de uma resposta global, em particular, pelas
contribuições de todas as grandes economias", afirma um comunicado do grupo.
Esta é a primeira vez que os Estados Unidos aceitam uma meta de redução de gases
do efeito estufa. O país não aderiu ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, e
até agora buscava um acordo mais amplo, que incluísse grandes economias
emergentes, como China e Índia.
No ano passado, em sua reunião realizada na Alemanha, o G8 apenas conseguiu
chegar a um acordo para "considerar seriamente" a meta de reduzir as emissões em
pelo menos 50% para 2050.
Conta gotas
Entretanto, segundo o Greenpeace, trata-se de um "passo muito pequeno", após
eventos como os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas), e a conferência sobre clima da Nações Unidas em Bali, realizada em
dezembro do ano passado. Para a organização, trata-se de um acordo estratégico
politicamente, já que não afeta a economia.
"Os outros países do G8 estão esperando a transição política dos Estados Unidos
para pressionar por uma meta mais forte. Mas eles não podem esperar, temos que
continuar agindo e tomando atitudes. A ciência já foi muito clara, dizendo que
temos um tempo limitado para reduzir as emissões", afirmou à Folha Online o
coordenador da campanha de clima do Greenpeace, Luis Piva.
Na visão da ONG, um compromisso ideal seria que o G8 se comprometesse a cortar
as emissões de CO2 em 30% até 2020 e de 80% a 90% até 2050. "Temos que começar a
estabilizar e reduzir as emissões até 2015", diz Piva.
Inércia
O diretor da WWF Internacional, Kim Carstensen, afirma que a cúpula do G8 não
conseguiu "tirar os Estados Unidos" de sua posição contrária a avançar na
redução de gases que causam o efeito estufa.
Para o porta-voz da Oxfam Internacional, Antonio Hill, "com o ritmo atual" o
mundo estará "cozido" em 2050, e o G8 terá sido "esquecido há tempos".
Em Toyako, a Casa Branca afirmou que o acordo apresenta "progressos
substanciais" em relação ao acordo obtido na última reunião de cúpula.
A declaração "não fala apenas em compartilhar a visão de uma sociedade com
baixas emissões de dióxido de carbono, e sim expressa a visão do G8 que está
buscando --junto com as outras partes da Convenção da ONU-- considerar e adotar
a meta de atingir pelo menos uma redução de 50%" das emissões, disse Dan Price,
conselheiro do presidente George W. Bush para assuntos econômicos
internacionais.
"Em nossa visão, e na visão dos líderes reunidos, isso representa um progresso
substancial em relação ao ano passado", afirmou.
Pedido
Os presidentes do Brasil, México, China, Índia e África do Sul, os membros do
G5, pediram aos colegas do G8 que se empenhem em conseguir uma redução maior da
emissão de gases poluentes para lutar contra a mudança climática.
O G5 disse que o acordo sobre o clima obtido pelo G8 nesta terça-feira não é
suficientemente abrangente nem rápido.
"É essencial que os países desenvolvidos assumam a liderança para conseguir
reduções ambiciosas dos países emissores de gases de efeito estufa depois de
expirado o Protocolo de Kyoto em 2012", afirma o grupo, em nota.
Os países emergentes estão convidados nesta quarta-feira a uma sessão ampliada
do G8 junto com a Austrália, Indonésia e Coréia do Sul, um total de 16 países
que representam 80% das emissões de gases poluentes do planeta.
Com Efe e France Presse
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