|
Ecologistas dizem que atitude do G8 contra a mudança climática é "patética"
da Efe, em Toyako (Japão)
A ONG ambientalista WWF qualificou de "patético" o comportamento do G8 (grupo
dos sete países mais industrializados e a Rússia) sobre a mudança climática e o
acusou de "fugir de responsabilidades com relação à luta contra o aquecimento
global" durante sua cúpula do Japão.
"Para a WWF, é patético que [o G8] continue fugindo de sua responsabilidade
histórica", afirmou a organização em comunicado.
Ontem, os países concordaram em reduzir as emissões de CO2 (dióxido de carbono)
em 50% até 2050, como forma de controlar a mudança climática. Apesar de ser a
primeira vez que os Estados Unidos aceitam cumprir uma meta de redução,
organizações ambientalistas classificam o acordo, de longo prazo, como tímido.
O acordo foi fechado durante cúpula do grupo, formado por Alemanha, Canadá,
Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia, realizado em Toyako,
no Japão.
O G8 quer "considerar e adotar" nesse âmbito "a meta de obter pelo menos 50% de
redução das emissões mundiais para 2050, reconhecendo que esse desafio global só
pode ser enfrentado por meio de uma resposta global, em particular, pelas
contribuições de todas as grandes economias", afirma um comunicado do grupo.
Para a WWF, o "G8 é responsável por 68% do dióxido de carbono acumulado na
atmosfera, e por isso é o principal culpado pela mudança climática".
O Greenpeace, outra organização que luta pela defesa do meio ambiente, também
criticou a postura do G8 em relação à mudança climática. "É uma falha completa.
O G8 não avançou e não quis adotar objetivos claros de redução da emissão de
gases a médio prazo", assinalou o Greenpeace.
Segundo o Greenpeace, trata-se de um "passo muito pequeno", após eventos como os
relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), e a
conferência sobre clima da Nações Unidas em Bali, realizada em dezembro do ano
passado. Para a organização, trata-se de um acordo estratégico politicamente, já
que não afeta a economia.
"Os outros países do G8 estão esperando a transição política dos Estados Unidos
para pressionar por uma meta mais forte. Mas eles não podem esperar, temos que
continuar agindo e tomando atitudes. A ciência já foi muito clara, dizendo que
temos um tempo limitado para reduzir as emissões", afirmou à Folha Online o
coordenador da campanha de clima do Greenpeace, Luis Piva.
Na visão da ONG, um compromisso ideal seria que o G8 se comprometesse a cortar
as emissões de CO2 em 30% até 2020 e de 80% a 90% até 2050. "Temos que começar a
estabilizar e reduzir as emissões até 2015", diz Piva.
Os presidentes do Brasil, México, China, Índia e África do Sul, os membros do
G5, pediram aos colegas do G8 que se empenhem em conseguir uma redução maior da
emissão de gases poluentes para lutar contra a mudança climática.
O G5 disse que o acordo sobre o clima obtido pelo G8 nesta terça-feira não é
suficientemente abrangente nem rápido. "É essencial que os países desenvolvidos
assumam a liderança para conseguir reduções ambiciosas dos países emissores de
gases de efeito estufa depois de expirado o Protocolo de Kyoto em 2012", afirma
o grupo, em nota.
|