Retorno Ciência


Novo calendário das universidades gera prejuízos aos estudantes

Quando as aulas do curso de Gestão de Cooperativas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, iniciarem em 15 de outubro, Fernanda Klein, 18 anos, estará entre os calouros - com pouco mais de dois meses de atraso. Devido à greve, as aulas que começariam em 6 de agosto foram suspensas, gerando transtornos no planejamento escolar e financeiro da estudante.

Fernanda, moradora da cidade de Dois Irmãos, a 55 km da capital Porto Alegre, mudou-se em janeiro para Santa Maria e passou a dividir apartamento com outra estudante. O contrato de aluguel foi firmado com prazo de seis meses. Em junho, ela renovou o acordo, tendo em mente as aulas da faculdade que começariam no início de agosto. A greve adiou o calendário letivo - mas não o vencimento das contas. Hoje, os pais de Fernanda desembolsam R$ 300 por mês para manter a reserva do apartamento, enquanto a filha permanece na casa da família.

Até agora, Fernanda só esteve no apartamento de Santa Maria entre março e abril, período em que estava se preparando para um concurso público. "Lá é muito difícil conseguir lugar e os preços são muito altos. O lugar é muito bom, então tive que pagar para não correr o risco de perder", explica. Em agosto, ela esperava ocupar seu novo lar, localizado no mesmo bairro que a universidade, mas acabou estendendo as férias ao lado dos pais. Desde então, não voltou a percorrer a viagem de mais de cinco horas que separa Dois Irmãos de Santa Maria. "Não valia a pena, não ia ter o que fazer", diz.


Apesar do início conturbado, Fernanda afirma que não pretende desistir do curso, que tem duração de três anos e meio. Candidata pelo Programa de Ingresso ao Ensino Superior (Peies), modalidade de vestibular seriado hoje extinto pela UFSM, ela fez uma prova no final de cada ano do Ensino Médio e foi chamada por meio dessa seleção. "É um estresse que se passa agora, mas acredito que depois se resolve", opina.

Mãe queria que filha desistisse da faculdade
A família de Vanessa Silva Miranda, de Ribeirão Preto (SP) não tem a mesma convicção. Para estudar Biomedicina na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba, ela teve que deixar a casa dos pais. Com a greve e os custos de R$ 400 reais mensais para pagar sua parte no aluguel do apartamento na cidade mineira, mesmo sem utilizá-lo, a mãe da estudante chegou a cogitar que ela desistisse do curso.

 

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De volta a Ribeirão Preto em 30 de maio, após algumas provas do primeiro semestre, Vanessa foi a Uberaba duas vezes em agosto, na esperança de obter boas notícias sobre a volta às aulas. Sem sucesso. "São mais de três meses pagando aluguel e condomínio sem nem entrar no apartamento. É o dinheiro colocado fora", lamenta.

Com previsão para iniciar seu quarto semestre na faculdade em 24 de setembro, ela descarta seguir a ideia da mãe. Nem mesmo pensa sobre uma transferência para uma universidade mais próxima de casa. "Não é o que eu gostaria. Eu lutei para estar numa federal, não vou desistir por causa de uma greve", garante.



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