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Tempestades varrem Júpiter e mudam a face do
planeta
Quando estiver preso em um engarrafamento
causado pelas chuvas, relaxe. Olhe para o céu e pense:
"Podia ser dez vezes pior, podia ser uma tempestade
monstro de Júpiter".
Nasa

Tempestades mudaram a face de Júpiter; grupo de
astrônomos, incluindo um brasileiro, observa astro
tingido de vermelho
Ano passado, nuvens tempestuosas com mais de 100 km de
altura varreram o planeta Júpiter, dando uma retocada em
seu famoso visual de faixas coloridas.
Uma equipe internacional de 25 astrônomos profissionais
e amadores, incluindo um brasileiro, observou duas
dessas tempestades tingir de vermelho uma faixa branca
no hemisfério norte do maior planeta do sistema solar.
Fotos tiradas no início de 2007 no quintal de casa por
Fábio Carvalho, de São Carlos (SP), e por mais dois
astrônomos amadores na Austrália, chamaram a atenção de
pesquisadores que consultavam na internet os arquivos de
associações internacionais de astrofotógrafos.
Eles notaram o que parecia o redondo de uma coluna
de nuvens brancas tempestuosas crescendo e emergindo,
como um cogumelo de bomba atômica, acima da eterna
cobertura jupiteriana de nuvens em redemoinhos.
Em 25 de março de 2007, nove horas depois do telescópio
espacial Hubble começar a monitorar a tempestade em
Júpiter, outra coluna surgiu na mesma região do planeta.
As duas se formaram na crista da corrente de ar mais
veloz de Júpiter, situada no meio de seu hemisfério
norte. Em pouco mais de um dia atingiram 2.000 km de
extensão, e mais tarde cobriam uma área maior do que a
da Lua. Elas circundaram Júpiter a uma velocidade de
600km/h, deixando um rastro rubro de turbulência que
coloriu a faixa branca.
Durante mais de 45 dias, astrônomos amadores em vários
países ajudaram a acompanhar o movimento das duas
tempestades, complementando as observações pontuais do
Hubble e do Telescópio Infravermelho da Nasa, no Havaí.
A análise dessas observações, publicada na revista
científica "Nature" da semana passada, ajuda a entender
melhor ventos fortes e estreitos chamados de correntes
de jatos, que circulam tanto na alta atmosfera de
Júpiter quanto na terrestre. "Em Júpiter, há 16 desses
jatos que, ninguém sabe como, criam o padrão de faixas
coloridas do planeta", explica Augustín Sánchez-Lavega,
da Universidade do País Basco, Espanha, principal autor
do estudo.
Planeta azul
Na Terra, há apenas dois jatos, um em cada hemisfério.
Eles serpenteiam constantemente ao redor do globo a uma
altura de mais ou menos 12 km. Suas freqüentes mudanças
influenciam o tempo em todo o planeta. "Muitas entradas
de frentes frias em São Paulo são causadas por variações
nas correntes de jato", diz o meteorologista Amauri de
Oliveira, da Universidade de São Paulo, que não
participou da pesquisa.
Os jatos de Júpiter, pelo contrário, são quase retos e
mudam pouco. Muito raramente --como foi observado em
1975, 1990 e agora em 2007--, duas tempestades brotam do
pico dos jatos e perturbam os céus do planeta. "Parece
um fenômeno periódico, algo surpreendente em uma
atmosfera turbulenta e caótica como a de Júpiter", diz
Sánchez-Lavega.
O estudo dele indica que as tempestades se formam quando
uma coluna de 120 km de nuvens sobe 30 km acima do
da cobertura normal de nuvens da atmosfera de Júpiter.
Essas nuvens trazem à tona cristais de gelo de água,
amônia e sulfidrato de amônio, que em contato com a luz
do sol deixam o ar avermelhado.
Essas nuvens sobem movidas pelo calor produzido no
interior de Júpiter, concluíram os pesquisadores. Ao
contrário da Terra, onde a força de ventos e chuvas vem
do calor do Sol, acredita-se que a principal fonte de
energia da circulação atmosférica em Júpiter é o calor
produzido quando o seu núcleo de hidrogênio líquido e
metálico encolhe, comprimido pelo próprio peso. O
planeta é essencialmente uma bola de gás 1.300 vezes
maior que a Terra, mas que diminui de tamanho mais ou
menos 3 cm todo ano.
"Nós examinamos só o creme por cima de um bolo de
informações", diz Glenn Orton, do Laboratório de
Propulsão a Jato da NASA, co-autor do estudo. A campanha
de observações de 2007 coincidiu com a passagem por
Júpiter da sonda New Horizons da Nasa, em sua jornada
rumo a Plutão. A New Horizons fotografou de perto
tempestades estranhas no hemisfério sul que os
pesquisadores também estão analisando.
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