|
Análise química do cabelo pode indicar o
paradeiro das pessoas
Analisando as proporções de dois elementos químicos no
cabelo de uma pessoa foi possível a cientistas dos EUA
indicarem em que região do país ela vive, com alto
índice de acerto.
O estudo decorre das diferenças físico-químicas entre
diversas fontes de água de torneira. A nova técnica tem
potencial de ser usada na ciência forense, em
antropologia e arqueologia, dizem os cientistas.
A base do estudo é a noção de que uma pessoa "é o que
ela come" --ou bebe, como lembra Thure Cerling, da
Universidade de Utah, um dos autores de um estudo sobre
a técnica na edição desta terça-feira da revista "PNAS".
Ou seja, os elementos químicos que constituem a comida e
a água vão parar no organismo de quem comeu e bebeu.
Um mesmo elemento tem variantes naturais com diferentes
"massas atômicas", isto é, com maior ou menor número das
nêutrons no núcleo do átomo. É o caso do mais leve
urânio-235 e do mais pesado urânio-238. Cada uma dessas
variantes é chamada de "isó".
A comparação da água de torneira com os cabelos mostrou
uma correlação de 85% na composição isotópica. O modelo
"pode ser aplicado em outros países", disse Cerling à
Folha.
Os cientistas já sabiam que a relação entre os isós
de elementos como carbono, nitrogênio e enxofre em seres
humanos é fortemente correlacionada com a sua dieta.
Por exemplo, na Amazônia se consome mais peixe; no Rio
Grande do Sul se come mais carne bovina. "A diferença
entre peixe e carne aparece nos isós de carbono e
nitrogênio", diz Cerling. "Ela pode ser usada em
amostras antropológicas ou arqueológicas para lidar com
a mesma questão."
Mas não há uma maneira fácil de relacionar esses
isós com a origem geográfica da comida. Os
cientistas precisam de elementos mais fáceis de
rastrear. Cerling e colegas usaram como modelo os dois
elementos constituintes da água, hidrogênio e oxigênio.
E foram comparar a composição isotópica da água e do
cabelo.
Os pesquisadores coletaram amostras de água de torneira
e de cabelos em barbearias de 65 cidades de 18 Estados
americanos. A idéia é que a maior parte da água
consumida por uma pessoa seja de origem local.
Testando a água foi possível ver que no norte de Montana
a água é isotopicamente mais leve, e que a do sul de
Oklahoma é isotopicamente mais pesada.
|