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Cientistas querem instalar câmeras em insetos
Cientistas americanos estão pesquisando a
criação de insetos espiões biônicos, implantando
mecanismos de controle e vigilância nestes insetos
quando ainda estão na fase de larva.
BBC Brasil

A mariposa é um dos insetos usados nas pesquisas de
implante de câmeras de vigilância
A Agência de Projetos em Pesquisa
Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Darpa,
na sigla em inglês), que já tinha pesquisas com
implantes de micro-câmeras e mecanismos de controle de
movimentos em ratos, aves e tubarões, concentrou seus
últimos projetos em insetos.
Segundo artigo publicado na revista New Scientist, os
insetos se misturam ao ambiente mais facilmente e são
mais ágeis durante o vôo. O Projeto de Sistemas
Mecânicos Microeletrônicos para Insetos Híbridos (HI-MEMS,
na sigla em inglês) visa transformar em miniatura toda a
tecnologia necessária para ser acoplada ao corpo de
insetos voadores.
Durante seu desenvolvimento, a maioria dos insetos
voadores, incluindo mariposas e besouros, passa por uma
metamorfose, um estado de crisálida (ou pupa). Neste
estágio, enzimas dissolvem a maior parte do tecido que
existia na fase de larva e o inseto é reconstruído. O
projeto HI-MEMS visa incorporar sistemas artificiais de
controle nestes insetos, inserindo dispositivos durante
o estágio de pupa.
Novos órgãos
A idéia deste projeto é que, enquanto os novos órgãos e
tecidos dos insetos se desenvolvem, eles vão criar
conexões fortes e estáveis entre os dispositivos e os
tecidos musculares ou nervosos. Os dispositivos de
controle então se transformariam em partes do corpo do
inseto adulto.
Os pesquisadores do projeto HI-MEMS fabricaram sondas
ultrafinas - algumas centenas de micrômetros de largura
(1 micrômetro equivale à milionésima parte do metro) -
de plástico flexível, com traços de metal para completar
as conexões elétricas.
Apesar de a pesquisa do Departamento de Defesa americano
estar cercada de sigilo, alguns detalhes puderam ser
vistos em um vídeo exibido numa conferência em Tucson,
no estado do Arizona, em janeiro.
As imagens foram gravadas no Instituto Boyce Thompson em
Ithaca, Nova York. A equipe de cientistas implantou
sondas de plástico flexíveis em uma crisálida de um tipo
de mariposa antes que o inseto adulto emergisse.
Os músculos relativos ao vôo desta mariposa adulta
respondiam a estímulos vindos desta sonda, que
controlavam a velocidade e direção do vôo.
Besouros
Outro grupo financiado pelo Projeto em Pesquisa Avançada
do Departamento de Defesa dos Estados Unidos implantou
eletrodos no cérebro de um tipo de besouro, já adulto,
perto de neurônios que controlam o vôo destes insetos.
Quando a equipe da Universidade de Berkeley, Califórnia,
enviou pulsos de voltagem negativa ao cérebro do inseto,
os músculos das asas do besouro começaram a se mover e o
inseto começou a voar.
Um pulso de voltagem positiva fechou as asas do inseto e
o besouro parou de voar. A rápida mudança entre estes
sinais elétricos controlava o impulso e decolagem do
besouro.
O objetivo do projeto Darpa é criar um inseto biônico
que possa voar a pelo menos 100 metros de distância do
controlador, pousar a cinco metros de um alvo e
permanecer no local até receber o comando de retornar.
BBC Brasil
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