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Ovnis: fenômenos não provam visitas de ETs, diz
governo inglês
Tinham forma de charuto, disco, caixão ou não
passavam de borrões reluzentes. Flutuavam de modo
ameaçador, viajavam em velocidades impossíveis e
desapareciam nas trevas do desconhecido ou, em certo
caso, dentro de um arbusto na Cornualha. Alguns poucos
deles transportavam formas de vida humanóides, ou assim
parecia. Outros se materializaram por conta do fato de
que as pessoas que os avistaram talvez tenham bebido
algumas doses a mais, como no caso de um grupo de luzes
avistadas se movendo no céu pelos fregueses de um pub em
Kent.
National Archives/Divulgação

Desenho foi criado por homem de 78 anos, que diz ter
entrado no disco e conversado com ETs
O que quer que fossem esses fenômenos
reportados ao Ministério da Defesa britânico ao longo
dos anos e revelados este mês, quase certamente não eram
veículos aéreos extraterrestres pilotos por seres
alienígenas. "O governo disse a verdade o tempo todo",
declarou David Clarke, professor de jornalismo na
Universidade Sheffield Hallam que nas horas vagas
pesquisa sobre os Objetos Voadores não Identificados (ovnis).
"Há muita coisa estranha no céu, e algumas delas não
temos como explicar ¿ mas não existe uma sombra de prova
de que alienígenas nos tenham visitado alguma vez".
O que, francamente, chega a deprimir um pouco ¿ mais ou
menos como as explicações prosaicas do governo para as
décadas de meticuloso registro de relatórios sobre a
presença de ovnis. "Nós só verificamos essas informações
sob a perspectiva de garantir que o nosso espaço aéreo
militar não tenha sido penetrado, e praticamente nunca
acontecem penetrações em nosso espaço aéreo", disse uma
porta-voz do Ministério da Defesa.
A porta-voz, que solicitou que seu nome não fosse
divulgado em respeito a regras governamentais, disse que
o ministério havia começado a divulgar os arquivos em
público porque a Lei de Liberdade de Informação que está
em vigor no Reino Unido havia levado a grande número de
pedidos de dados sobre os supostos ovnis.
Os arquivos referentes ao período 1978-2002 estão sendo
divulgados este mês. Alguns dos arquivos mais antigos já
estavam abertos ao público, e os restantes serão
divulgados nos próximos anos. Disponíveis via Internet
no site ufos.nationalarchives.gov.uk, eles cobrem
centenas de episódios. Boa parte do material consiste de
formulários de uma página que oferecem detalhes como a
dimensão do suposto aparelho e o que ele aparentava
estar fazendo, se alguma coisa.
Uma cidadã descreve seu choque e espanto diante de um
pequeno "objeto em forma Vulcan" flutuando no céu. Outra
testemunha conta que foi acordada pela luz brilhante que
emanava de um ovni "do tamanho de uma base de garrafa de
leite".
E, da Cornualha, um motorista de 28 anos informa sobre
uma luz amarela que "oscilava e se agitava" por sobre
uma estrada, uma imagem que traz à mente o modo de
deslocamento da fada Sininho, em "Peter Pan". "A luz
mudou de cor, para um tom de púrpura, antes de
desaparecer em um arbusto", informa o relatório.
Os arquivos incluem recortes aleatórios de jornais, com
artigos que definitivamente não são notáveis pelo rigor
jornalístico. Uma reportagem publicada em1986 pelo Daily
Mirror informava que a luz de "um objeto vermelho
incandescente" havia invadido o posto de pilotagem de um
jato da Real Força Aérea que transportava o príncipe
Charles, enervando seriamente o piloto. O jornal comenta
que "o príncipe Philip vem acompanhando atentamente as
notícias sobre os ovnis já há 36 anos".
Existem muitas cartas longas repletas de perguntas
sérias. "Quando um disco voador não é um disco voador?",
pondera um dos missivistas. "E a nave-mãe é obra do
homem ou veio de um planeta distante?" Alguns
entusiastas dos ovnis dizem acreditar que o governo
britânico não tenha divulgado todos os arquivos, e que
continua a esconder a verdade sobre uma imensa operação
de acobertamento destinada a iludir o público do país.
Mas Joe MacGonagle, que se descreve como pesquisador de
ovnis em Londres, disse que na verdade os documentos, em
lugar de ocultar alguma coisa, simplesmente revelam que
o governo não havia investigado as informações
corretamente, para começar.
"Muita gente imaginava que houvesse esse imenso projeto
sobre ovnis, com muita gente trabalhando nisso, quando
na verdade era só um funcionário público que cuidava do
assunto, e dedicava talvez 25% de seu tempo a arquivar
informações", ele disse.
As autoridades nem sempre encararam como brincadeira as
denúncias sobre ovnis. Nos anos 50, o governo criou um
comitê secreto, o Grupo de Trabalho sobre Discos
Voadores, para investigar as denúncias sobre ovnis. A
conclusão foi a de que as supostas aparições eram
ilusões de ótica, fenômenos climáticos, aviões vistos de
ângulos estranhos, ou coisas semelhantes, e essa vem
sendo a posição do governo desde então.
Em 1919, a Câmara dos Lordes debateu a questão, a pedido
do conde de Clancarty, que acreditava que o homem
descendesse de alienígenas que chegaram à superfície
vindos do núcleo da Terra por meio de túneis especiais,
ou que tivessem chegado ao planeta em espaçonaves 65 mil
anos atrás. Ele não era o único nobre a acreditar nesse
tipo de teoria.
Mas nenhum dos relatos aristocráticos era tão detalhado
quanto o de um soldado reformado de 78 anos, morador de
Aldershot. Ele contou que estava pescando em 1983 e foi
abordado por dois seres de um metro de altura, vestidos
em uniformes verdes e com grandes capacetes. Eles o
conduziram à nave em que vieram e, depois de refletir
sobre se deveriam ou não submetê-lo a experiências
científicas, disseram que podia partir, porque era velho
e frágil demais para servir aos seus propósitos de
pesquisas.
O homem não fez perguntas, por medo de ofender, e voltou
à pescaria. Seu chá tinha esfriado. "Ele relutou em
contar a história à família", afirma o relatório. "E
disse que sabia que sua mulher não o deixaria mais
pescar, se o fizesse".
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