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Supermicroscópio dobra alcance óptico
AFRA BALAZINA
RAFAEL GARCIA
Um nova tecnologia para microscópios permite dobrar a
resolução desses equipamentos e, com isso, os cientistas
conseguem enxergar estruturas de cerca de 100
nanômetros, a largura de um fio de cabelo dividida por
500. De quebra, a nova técnica ainda permite produzir
imagens de alta resolução multicoloridas e
tridimensionais, que revelam detalhes de células humanas
nunca vistos por equipamentos convencionais.
A invenção é apresentada hoje por Lothar Schermelleh, da
Universidade Ludwig Maximilians, em Munique (Alemanha),
e seus colegas em estudo na revista americana "Science"
(www.sciencemag.org). Os cientistas divulgaram com o
estudo um mapeamento 3-D do núcleo de uma célula.
O equipamento descrito é um microscópio de fluorescência
--que marca as amostras com moléculas de flúor. O novo
método de ampliação foi batizado de "microscopia
tridimensional de iluminação estruturada" (3D-SIM). Uma
das inovações da técnica é que os objetos a serem
observados recebem uma iluminação de três feixes de luz.
Lothar Schermelleh/Peter Carlton/Divulgação

Nova técnica revela objetos com largura de um fio de
cabelo dividida por 500; invenção deve chegar ao mercado
no ano que vem
Com uma fonte de iluminação mais controlada, as
informações da imagem são preservadas com uma resolução
mais alta, e esses "dados extras" podem ser
decodificados para reconstruir detalhes específicos.
Uma limitação essencial na microscopia óptica hoje é a
baixa resolução em relação à escala das estruturas
celulares. Os melhores microscópios ópticos têm
resolução suficiente para ampliar objetos que têm entre
200 e 300 nanômetros.
De acordo com Heinrich Leonhardt, também da Universidade
Ludwig Maximilians, o instrumento será importante
principalmente no estudo da "arquitetura das células".
"Muitas estruturas celulares não podem ser estudadas com
o microscópio óptico convencional porque elas são
menores do que o limite da resolução", afirmou o
pesquisador à Folha.
Microscópios eletrônicos -que iluminam a amostra com
feixes de elétrons em vez de luz- são muito mais
poderosos, mas não permitem a observação de material
vivo.
Preço sob consulta
Na opinião de Leonhardt, o novo microscópio óptico, que
ainda não está no mercado, "abre um novo mundo de
possibilidades". "Agora, finas e complexas estruturas
macromoleculares podem ser estudadas diretamente. E é a
combinação da alta resolução e de se obter imagens
multicoloridas e em 3-D que torna esse microscópio único
e tão valioso para a biologia celular", diz.
Além de ajudar nas pesquisas biomédicas ("você só
consegue estudar aquilo que vê ou mede", afirmou
Leonhardt), o equipamento pode ser útil na investigação
de mudanças durante o desenvolvimento e envelhecimento
celular e também em casos de doenças.
O novo microscópio deve chegar ao mercado no próximo
ano. O valor estimado dos primeiros exemplares do
equipamento, entretanto, não foi divulgado. Os
inventores afirmam que o novo microscópio não é mais
difícil de manusear que o convencional.
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