|
Descoberta proteína de bactéria que gera
eletricidade
Pesquisadores espanhóis do Centro de
Astrobiologia (CAB) e do Instituto de Eletroquímica da
Universidade de Alicante, na Espanha, junto a um
argentino da Universidade de Mar del Plata, conseguiram
registrar a transferência direta de elétrons entre uma
bactéria viva e um eletrodo de ouro, em um espaço de
cinco nanômetros. O feito é um passo em direção ao
desenvolvimento de bactérias que gerem eletricidade, uma
possível nova fonte de energia.
"Nunca antes se havia conseguido visualizar de forma
clara este processo, pois dentro de uma célula existe
uma multidão de moléculas e não é simples saber quais
são as importantes", afirmou Juan Feliu, diretor do
grupo de Eletroquímica de Alicante, segundo o site do
jornal espanhol El País.
Para os pesquisadores, o registro significa que as
bactérias Geobacter sulfurreducens geram eletricidade
por meio de proteínas da superfície celular denominadas
citocromos C. Essas proteínas estão envolvidas na
respiração de animais, plantas, organismos
fotossintéticos e também em bactérias.
"Até o momento, se suspeitava qual era a identidade
desses microorganismos, mas não existia nenhuma medida
direta que demonstrasse quais eram as moléculas que
transportam os életrons. Usando espectroscopia em
infravermelho, demonstramos que são citocromos do tipo
C", destaca o argentino Juan Pablo Busalmen, do
Laboratório de Bioeletroquímica, do Instituto de
Tecnologia de Materiais (Conicet, na sigla em espanhol)
e da Universidade Nacional de Mar del Plata, de acordo
com o jornal La Nación.
O trabalho foi publicado neste mês na revista Angewandte
Chemie International, editada pela Sociedade Química
Alemã. Um dos cientistas envolvidos no projeto, Abraham
Esteve Núñez, bioquímico do CAB, mostrou os resultados
do trabalho no 1º Simpósio Internacional sobre Pilhas de
Combustível Microbianas, ocorrido em maio nos Estados
Unidos.
Esteve Nuñez trabalhava no laboratório da Universidade
de Massachussetts em 2002 quando descobriu que era
possível obter eletricidade dessa bactéria a partir de
seu contato com um ânodo, sem utilizar mediadores
químicos.
|