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Estudo mostra que verme pode "ver" mesmo sem olhos

Um estudo divulgado hoje revela que o verme C.elegans consegue perceber a luz mesmo sem ter olhos, descoberta que pode ajudar no conhecimento das causas de algumas doenças visuais que afetam os seres humanos.

Segundo a pesquisa, divulgada pela revista "Nature Neuroscience" em sua página na internet, a lombriga detecta a luminosidade e se movimente rapidamente para se afastar dela.

"Este animal não tem órgãos especializados sensíveis à luz, mas mesmo assim pode vê-la", disse Shawn Xu, o professor de fisiologia molecular que comandou os estudos.

Até agora, os cientistas pensavam que o C.elegans, usado frequentemente em pesquisas por ter um sistema nervoso muito simples, e que passa sua vida inteira debaixo da terra, precisava de algum mecanismo para perceber a luz.

Xu disse que o primitivo sistema visual do C.elegans lhe alerta quando se aproxima da superfície.

Os raios ultravioletas A, que bronzeiam os humanos, são prejudiciais a este tipo de lombriga e, por isso, a exposição prolongada pode matá-la.

"Agora temos um novo modelo que pode ser usado para estudar os elementos de construção do sistema visual e as causas das doenças dos olhos nos humanos", disse Xu.

Segundo o pesquisador, os humanos e o C.elegans realizam muitas das mesmas reações químicas para transformar a energia da luz em sinais elétricos, o que significa que se pode utilizar a lombriga para estudar os componentes que constroem a visão humana e como os transtornos nessas reações causam doenças nos olhos.

No estudo, Xu e outros dois colegas da Universidade de Michigan, Alex Ward e Jie Liu, afirmam ainda que o sistema visual do C.elegans tem as propriedades do "olho primitivo" proposto por Charles Darwin.

O cientista britânico teorizou que os olhos de todos os seres vivos evoluíram de um protótipo único que continha duas células: uma foto receptora e uma célula de pigmento que o protege.

O C.elegans possui o foto receptor, mas não a outra célula.

Xu acredita que a terra pode fazer a função de proteção ao bloquear a luz, exceto quando o organismo se aproxima da superfície.

"Este sistema se preservou no curso de centenas de milhões de anos de evolução", destacou Xu.

Suas descobertas acrescentarão novos dados ao debate sobre a evolução dos olhos, que são uma das estruturas mais complexas da natureza.

Seu desenho varia enormemente em todo o reino animal, onde se encontra desde o olho da mosca, que se compõe de diversos mini-olhos unidos, até o olho humano de uma só lente.

Um grupo de cientistas sustenta que, diante de tamanha diversidade, nem todos surgiram a partir do "olho primitivo" imaginado por Darwin.

EFE

 

 

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