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Recifes de Abrolhos são maiores do que
se imaginava
Cientistas anunciaram que o sistema de
recifes dos Abrolhos, que já é o maior e mais
biodiversificado do Atlântico Sul, tem quase duas vezes
o tamanho que se imaginava anteriormente. Isso porque o
coral zoanthus do arquipélago, incorpora a areia à sua
estrutura de construção de recifes.
"Tínhamos algumas pistas oferecidas pelos pescadores
locais, quanto à existência de alguns recifes, mas não
na escala que viemos a descobrir", anunciou em
comunicado Rodrigo de Moura, um especialista em vida
marinha da Conservation International Brazil, uma
organização sem fins lucrativos.

Ele afirmou que "é altamente incomum descobrir uma
estrutura de recife dessas dimensões e abrigando tamanha
abundância de peixes".
Usando varreduras laterais de sonar para produzir um
mapa tridimensional do leito do mar, os pesquisadores
encontraram recifes anteriormente desconhecidos com
coral pilqueta e de outras variedades, a uma
profundidades de entre 20 e 73 metros, bem ao largo da
costa sul da Bahia, Brasil.
"Os recifes recentemente descobertos apresentam grande
abundância de vida, em alguns locais abrigando densidade
de vida marinha 30 vezes superior à dos recifes mais
conhecidos e mais rasos", afirmou Guilherme Dutra,
diretor do programa marinho da Conservation
International Brazil.
Apenas uma fração dos habitats marinhos localizados na
região dos Abrolhos estão protegidos, agora.
Espécies marinhas que só existem no Brasil ¿ entre as
quais corais macios, moluscos e peixes- encontram abrigo
em Abrolhos, que apresentam também os corais M. caverosa.
No Simpósio Internacional de Recifes de Coral de Fort
Lauderdale, Flórida, no começo de julho, cientistas da
Universidade Federal do Espírito Santo e da Universidade
Federal da Bahia, bem como representantes da
Conversation International Brazil, anunciaram que o
sistema de recifes dos Abrolhos é quase duas vezes maior
do que se estimava anteriormente.
Peixes como o caranho, existente em Abrolhos, ao longo
da costa brasileira, dependem dos recifes de coral para
alimentação e abrigo.
Mas os corais estão sofrendo em função das alterações
climáticas. A acidez crescente do oceano está alterando
a química das águas marinhas a ponto de gerar a
possibilidade de que, por volta de 2050, animais
marinhos como corais, moluscos e lagostas venham a
deixar de produzir suas cascas protetoras, de acordo com
um estudo publicado este mês pela revista "Science".
A ilha de Santa Bárbara é a maior do arquipélago
brasileiro dos Abrolhos, sede do maior sistema de corais
do planeta, no Atlântico Sul.
Pesca excessiva, poluição, presença de sedimentos
gerados pelo desenvolvimento da costa, fazendas de
camarões, prospecção de petróleo e conversão de terras
ao uso agrícola em larga escala estão entre as ameaças
locais aos recifes de corais da região, dizem cientistas
da Conservation International Brazil.
Uma recente expedição constatou que os recifes da área
cobrem duas vezes a área estimada previamente, o que
gerou apelos por proteção mais ostensiva aos habitats.
Os cientistas planejam agora estudar a vida das novas
estruturas de recifes.
The New York Times
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