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Sonda Phoenix vê água líquida em Marte
FELIPE MAIA
Técnicos da missão da sonda Phoenix, que explora o solo
de
Marte desde 25 de maio deste ano, descobriram água
em estado líquido no planeta (275 milhões de km da
Terra). Na semana passada o trabalho da sonda já havia
confirmado a existência de gelo no local, mas a nova
descoberta pode levar a uma revolução nas pesquisas
sobre a possibilidade de vida no planeta vizinho.
A água em estado líquido indica algo fundamental para a
existência de vida, ao menos do modo como a conhecemos.
Nenhum estudo foi publicado ainda sobre a descoberta,
mas o líder de um dos grupos no comando da pesquisa da
Phoenix afirmou por telefone à Folha Online que o
assunto será divulgado em relatório dentro de alguns
dias. O cientista falou com a condição de não ser
identificado. (A Nasa costuma divulgar descobertas
importantes apenas em entrevistas coletivas marcadas com
antecedência.)
AP

Água em estado líquido descoberta em Marte indica algo
fundamental para a existência de vida fora da Terra
O assunto deixa cientistas da agência espacial
entusiasmados porque a água líquida é uma condição
necessária à vida tal qual a conhecemos. Se o planeta
mostrar indício de que possui moléculas orgânicas
semelhante às que compõem o DNA e as células
--estruturadas sobre longas cadeias de átomos de
carbono-- pode ser que existam seres vivos lá também.
Na semana passada, cientistas da Nasa confirmaram a
existência de etano (uma molécula orgânica simples,
componente do gás natural) na forma líquida em Titã, a
maior lua de Saturno. Trata-se do único astro do Sistema
Solar, à exceção da Terra, onde havia sido detectado
líquido na superfície.
Líquida e gelada
Reuters

Sonda Phoenix usa serviço Twitter para divulgar seus
anúncios sobre Marte
A existência de água líquida, mesmo a
baixíssimas temperaturas, seria possível em Marte pela
existência de certos sais, que existem também na Terra,
mas são pouco estudados. Sais têm a capacidade de
diminuir a temperatura necessária para que a água se
solidifique --em países de clima frio, é comum utilizar
sal para derreter a neve.
Assim, mesmo que a temperatura média em Marte seja de
-53ºC, poderia existir água líquida no solo. Na Terra, a
água congela a 0ºC, ao nível do mar.
Marte é considerado um deserto, em que água neste estado
não existe na superfície, mesmo em locais com altas
temperaturas, maiores que a necessária para solidificar
a água. Há uma exceção, para pontos restritos, em que
água líquida existiria de maneira passageira,
desaparecendo rapidamente --trata-se de um modelo para
explicar a existência de certas "valas" no subsolo.
Entretanto, estudos recentes indicam que a água existiu
em forma líquida no passado de Marte. Em julho, um
estudo publicado na revista "Nature" afirmou que a água
foi um elemento abundante no primeiro período geológico
de Marte, de 4,6 bilhões a 3,8 bilhões de anos atrás,
quando foi determinante para a formação de minerais
tanto na superfície como no subsolo do Planeta Vermelho.
Nabos marcianos
Reuters/ESA

Água líquida existiria de maneira passageira em Marte,
desaparecendo rapidamente
Nos próximos dias, a Phoenix vai
continuar utilizando um instrumento chamado Tega (sigla
em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido),
para verificar a composição do solo de Marte, na busca
por matéria orgânica.
A função do equipamento é esquentar amostras do solo,
transformando os materiais em gases. Com isso, é
possível identificar os compostos químicos e analisar
sua composição.
As análises do solo de Marte feitas pela Phoenix já
indicam um ambiente salgado, similar ao encontrado nos
quintais das casas terráqueas. A Phoenix revelou a
existência de magnésio, sódio, potássio e cloreto --os
técnicos dizem que aspargos e nabos poderiam ser
plantados num solo assim.
Em razão da qualidade dos resultados apresentados pela
Phoenix, a Nasa decidiu estender a missão da sonda até
30 de setembro. A idéia original era que o sistema
funcionasse por cerca de três meses, até o fim de
agosto.
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