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Bactérias cometem suicídio para ajudar as
companheiras
Sacrificar-se pelo bem comum pode ser um conceito
humano, mas essa forma extrema de altruísmo também
existe em bactérias: algumas delas se matam para
facilitar a infecção pelo resto da colônia. Cientistas
no Canadá e na Suíça explicaram agora como isso é
possível.
O fenômeno biológico é conhecido como "cooperação
autodestrutiva". Para que esse comportamento esteja
codificado nos genes dos seres vivos é preciso que
apenas uma parte dos portadores resolva se matar pelo
bem dos outros. Os pesquisadores chamam o mecanismo
capaz de mediar essa diferenciação entre duas populações
de "barulho fenotípico".
EurekAlert.org/Divulgação

Bactérias cometem suicídio para ajudar as companheiras;
comportamento visa eliminar micróbios concorrentes
O genótipo de um ser vivo é o seu conjunto de genes; já
o seu fenótipo são suas características determinadas
tanto pelo genótipo quanto pelo ambiente em que ele
vive.
"Nós usamos expressão barulho fenotípico para nos
referirmos à observação de que organismos geneticamente
idênticos vivendo no mesmo ambiente às vezes mostram
variações fortes nas suas propriedades biológicas",
disse à Folha o chefe do estudo, Martin Ackermann, do
Instituto de Biologia Integrativa, de Zurique, Suíça.
"Essa variação é presumivelmente uma conseqüência de
processos celulares ao acaso que têm um papel em
determinar a expressão dos traços biológicos",
acrescentou o pesquisador suíço.
Se há um traço no genótipo dos seres vivos que a seleção
natural, motor da evolução biológica, tenderia a fazer
desaparecer é a predisposição ao suicídio. No entanto,
há vários casos de seres vivos --mesmo mamíferos- que se
sacrificam ou cooperam para o bem comum da colônia
apesar de não reproduzirem.
Genes autodestrutivos
"Um dos pontos principais do nosso artigo é identificar
as condições nas quais os genes para o auto-sacrifício
voltado à produção do bem comum podem persistir e não
serem eliminadas pela seleção natural", disse o
pesquisador.
A equipe demonstrou experimentalmente o papel do
"barulho fenotípico" em camundongos infectados com a
bactéria Salmonella typhimurium.
A presença de outros micróbios no intestino do
camundongo atrapalha a infecção pela bactéria. Para
eliminar a concorrência, parte das bactérias ataca o
tecido intestinal e causa uma inflamação -morrendo no
processo.
"Para resumir, nós identificamos duas principais
condições. Primeiro, há indivíduos que carregam esses
genes, mas não expressam o comportamento autodestrutivo.
E, em segundo lugar, esses indivíduos portadores do gene
e que não expressam o comportamento precisam se
beneficiar mais do bem comum do que indivíduos sem esses
genes", disse.
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