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Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009
AFRA BALAZINA
EDUARDO GERAQUE
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende,
classificou como irresponsável o corte de 18% no
orçamento da sua pasta, aprovado pelo Congresso Nacional
para 2009, e admitiu que, se a situação não se reverter,
"bolsistas terão de ser mandados embora".
A peça orçamentária foi feita pelo senador Delcídio
Amaral (PT-MS). "O relator demonstrou falta de
responsabilidade, de compromisso, com o futuro do
Brasil", afirmou Rezende à Folha ontem.
Rezende diz que corte no orçamento é irresponsável; caso
situação não seja revertida, bolsistas terão de ser
mandados embora, diz
O corte de R$ 1,1 bilhão representa um valor 10% maior
do que toda a receita de 2008 da Fapesp (Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a agência
estadual de fomento à pesquisa mais rica do país, que
sustenta quase toda a ciência paulista.
Apesar de dizer que existem "incertezas" sobre o futuro,
o ministro afirma que tentará resolver a questão das
bolsas dentro do Executivo. "Acharemos uma saída e isso
[a perda do benefício] não vai ocorrer."
O corte no orçamento recebeu críticas duras da SBPC
(Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da
ABC (Academia Brasileira de Ciências). Os presidentes
das duas instituições consideram a situação
"extremamente grave" e dizem que, se os recursos forem
realmente cortados, a política científica nacional
ficará "desanimadora".
Para Jacob Palis Jr, da ABC, esse corte seria como "dar
um tiro no pé". Ele demonstrou seu ponto de vista com o
exemplo dos Estados Unidos: "No meio da maior crise que
o país já teve, o presidente [Barack Obama] convocou
grandes líderes científicos para participarem do governo
e se comprometeu com o aumento dos investimentos no
setor", disse. "[Fazer cortes em ciência] é uma política
de suicídio. A maneira de sair da crise é ser
competitivo", disse Palis.
Marco Antonio Raupp, da SBPC, concorda que investir em
ciência e tecnologia é uma saída para a crise financeira
e manifesta preocupação com a redução de recursos. Ele
conta que "o Orçamento saiu do Executivo muito bem".
"Mas, no Congresso, de uma forma que a gente não
entendeu direito, teve cortes significativos. Tudo isso
nos pareceu arbitrário, uma aberração", disse.
O ministério também foi pego de surpresa. "Tomamos
conhecimento da proposta do relator na véspera da
votação [em dezembro]", disse Rezende.
"O governo, e o presidente Lula reafirmou isso, tinha a
ideia de chegar ao fim de 2010 com 1,5% do PIB em
investimentos de Ciência e Tecnologia. Atualmente,
investimos na casa de 1%. Então, o aumento deveria ser
de 50%. Esses cortes vão na contramão, evidentemente",
afirmou Palis.
Segundo ele, o prejuízo às bolsas de estudo é "um
crime". Em 2007, o país chegou a produzir 10 mil
doutores. E a previsão para 2009 era de produzir 11,5
mil doutores. "Talvez isso não aconteça se esses cortes
prevalecerem."
Além das bolsas, os presidentes temem que os cortes
afetem os recém-criados Institutos Nacionais de Ciência
e Tecnologia --fato que Rezende rebate-- e que eles
travem o sistema de inovação no País. Esse programa, que
cria centros de excelência em pesquisa no país, foi
anunciado com pompa e circunstância pelo ministério no
fim do ano passado.
Para os dirigentes científicos, o novo orçamento também
pode prejudicar a tentativa de manter bons pesquisadores
na Amazônia e atrair novos cientistas para a região.
A reportagem procurou ontem à tarde o senador Delcídio
Amaral. Porém, sua assessoria afirmou que ele estava em
viagem com a família.
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