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Ovócitos animais não são boa fonte de células-tronco
Um estudo americano, publicado nesta segunda-feira,
mostra que embriões de vacas, coelhos e outros animais
não são uma boa fonte de células-tronco embrionárias,
utilizadas experimentalmente por pesquisadores para
recuperar tecidos e órgãos danificados, além de reverter
doenças degenerativas.
No mesmo trabalho, porém, seus autores indicam ter
conseguido um avanço significativo na pesquisa de
clonagem de embriões humanos, que poderia servir para o
desenvolvimento de tratamentos específicos para cada
paciente. "Este estudo mostra, pela primeira vez, que a
clonagem realmente funciona, e que o DNA é reprogramado",
afirma Robert Lanza, pesquisador chefe do Advanced Cell
Technology e um dos autores do trabalho.
Lanza e sua equipe conseguiram substituir o núcleo de
vários embriões, desenvolvendo os clones até a fase de
mórula, quando este já possui entre oito e 16 células.
Nos embriões humanos, eles conseguiram provar que o DNA
foi reprogramado, porque os mesmos genes foram ativados,
como num embrião normal. Mas algo deu errado com os
embriões de coelhos, ratos e vacas, que tiveram seus
núcleos substituídos por núcleos humanos.
"Teríamos lindos embriõezinhos, mas não funcionou: ao
invés de 'ligar' os genes certos, os embriões animais os
desligavam", explicou Lanza. Os pesquisadores esperavam
que os embriões animais clonados pudessem ser utilizados
para desenvolver células tronco embrionárias, que são
células primitivas, altamente versáteis, capazes de se
transformar em qualquer tipo de tecido do corpo.
O sonho dos cientistas é estimular essas células,
fazendo com que elas se tornem corações, fígados, olhos,
cérebros, nervos, pele e outros tecidos e órgãos
afetados por doenças, acidentes ou má-formação. Para que
isso dê certo, pesquisadores descobriram duas maneiras
de evitar o risco de rejeição de um órgão ou tecido
criado a partir de células tronco.
O método mais promissor é reprogramar as células da
pele, para que elas se comportem como células tronco
embrionárias. Entrentanto, estas células tronco
pluripotentes induzidas (iPS, na sigla em inglês)
normalmente são criadas com a utilização de vírus
devastadores, e por isso não são seguras para uso
médico. Clonar embriões para que eles tenham o mesmo DNA
ou tipo de tecido do paciente poderia ser mais seguro.
Os pesquisadores, no entanto, ainda não foram capazes de
desenvolver células tronco embrionárias a partir de um
embrião humano clonado ou de criar um método eficiente
para clonar embriões humanos. Os cientistas esperavam
que embriões de animais pudessem ser usados como
substitutos para embriões humanos, que são mais difíceis
de clonar - e geram uma enorme polêmica.
"Este estudo importantíssimo sugere que os ovócitos
(células a partir das quais o embrião se desenvolve)
muito provavelmente não podem ser usados como
recipientes em uma transferência de núcleo celular
humano", , disse por sua vez Ian Wilmut, diretor do
Centre for Regenerative Medicine in Edinburgh e
editor-chefe do Cloning and Stem Cells, publicado pelo
jornal.
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