|
Grupo da USP e UFRJ "encolhe" cérebro humano
Um grupo de neurocientistas da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro) e da USP (Universidade de São
Paulo) que elaborou um método diferente de contagem de
células nervosas chegou a uma nova estimativa sobre a
quantidade de neurônios no cérebro humano: 86 bilhões. O
número é uma redução de 14% em relação à estimativa mais
conhecida, de 100 bilhões.

A ala carioca da equipe, que inclui os pesquisadores
Roberto Lent e Suzana Herculano-Houzel -colunista da
Folha-, também propõe uma revisão de estudos que previam
diferenças no número de neurônios em cérebros de homens
e mulheres. O grupo, além disso, apresenta novos dados
sobre a proporção entre neurônios e células gliais, que
dão suporte ao sistema nervoso.
É difícil estimar quantos neurônios tem um cérebro
porque ele é muito heterogêneo. Essa dificuldade foi
superada por meio do novo método de contagem, criado
pelos brasileiros, que consiste em dissolver cérebros em
detergente, fazendo um "sopão" homogêneo de núcleos de
células cerebrais.
Os quatro cérebros dissolvidos no trabalho eram
masculinos. Quando o método for aplicado em mulheres, os
pesquisadores pretendem ter novos dados sobre as
diferenças entre os cérebros dos dois Patologias.
Acreditava-se também que existissem dez células gliais
realizando funções de suporte e nutrição para cada
neurônio. Os cientistas encontraram uma proporção de um
pra um. Os resultados, segundo Lent, aproximam os
humanos dos primatas. Somos, diz ele, apenas um "macaco
com cérebro grande".
Entender agora como neurônios e células gliais se
relacionam pode ajudar a elucidar disfunções como a
epilepsia. Atualmente essa é "uma das áreas mais
quentes" da neurologia, afirma Herculano-Houzel.
|