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Lua de
Saturno
sofre
violenta tempestade tropical
Nuvens carregadas e fortes tempestades foram registradas
em abril de 2008 sobre Titã, a maior lua de Saturno, no
lugar onde menos se esperava, ou seja, na zona tropical,
segundo estudo divulgado pela revista científica
britânica Nature.

Esta surpreendente tempestade tropical, que provocou o
nascimento de outras formações nebulosas a milhares de
quilômetros, pode, segundo pesquisadores, explicar a
presença de canais de rios secos, descobertos em 2005
pela sonda Huygens. Em Titã, o metano líquido tem
provavelmente um papel equivalente ao da água na Terra.
"A primeira nuvem, vista perto dos trópicos, tem um
efeito quase parecido com uma exploração da atmosfera.
No espaço de alguns dias um gigantesco sistema nebuloso
cobriu o pólo sul e nuvens esporádicas se tornaram
visíveis", explicou Mike Brown, professor de astronomia
planetária, em um comunicado do Instituto Californiano
de tecnologia (Caltech).
"Estas ocorrências meteorológicas dramáticas globais
sobre Titã são raras e duram somente algumas semanas",
indicou Henry Roe (Lowell Observatory) em outro
comunicado.
Emily Schaller, da Universidade do Arizona (Tucson, EUA),
então estudante do Caltech, observou Titã durante mais
de dois anos sem praticamente ver nuvens, utilizando um
telescópio infravermelho da Nasa (IRTF) no Havaí. "O
período durante o qual eu reunia dados para minha tese,
infelizmente correspondeu a um período essencialmente
sem nuvens", contou a ex-estudante.
Mas quando ela foi entregar seu trabalho de conclusão de
curso, em 13 de abril de 2008, as observações no
infravermelho revelaram um importante aumento da
formação nebulosa em Titã.
A equipe de astrônomos então utilizou um telescópio de
oito metros, Gemini North, também situado no Havaí para
obter imagens de evolução na atmosfera de Titã.
"É como se observássemos uma gigantesca tempestade sobre
a África do Sul por alguns dias e que, qualquer dia mais
tarde, viesse a formar nuvens sobre a Antártica e a
Indonésia", acrescentou Emily Schaller.
"Estas observações mostram", resumiu seu colega Roe, "que
os canais e camadas de rios no deserto tropical de Titã
podem ser explicados por precipitações frequentes, mas
muito fortes".
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