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Cientistas fotografam estrutura de molécula pela 1ª vez
Cientistas conseguiram obter, pela primeira vez, imagens detalhadas
das estruturas químicas de uma molécula, em um estudo que pode
auxiliar no desenvolvimento de produtos eletrônicos e até mesmo de
remédios em escala molecular. A pesquisa foi conduzida por
cientistas da empresa de computadores IBM em Zurique, na Suíça, e
publicada na edição desta sexta-feira da revista científica Science.

O novo método desenvolvido permite que eles observem a "anatomia" da
molécula, ou seja, as ligações químicas em seu interior. Há cerca de
dois meses, os mesmo pesquisadores utilizaram uma técnica similar
para medir a carga de um único átomo. Nas duas pesquisas foi
utilizado um aparelho chamado de microscópio de força atômica,
conhecido pela sigla inglesa AFM.
"Para fazer uma comparação não muito exata, se um médico usa um
aparelho de raios-X para visualizar os ossos e os órgãos dentro do
corpo humano, estamos usando o microscópio de energia atômica para
visualizar as estruturas atômicas que são as 'espinhas dorsais' das
moléculas individualmente", diz Gerhard Meyer, um dos autores do
estudo.
Tecnologia
O aparelho usado na pesquisa funciona como um minúsculo diapasão.
Durante o experimento, um dos "dentes" do diapasão passa a uma
distância mínima da amostra de molécula estudada, enquanto o outro
"dente" passa um pouco mais longe. Quando o "diapasão" vibra, o
"dente" que está mais próximo da amostra vai sofrer uma minúscula
alteração em sua frequência, simplesmente porque está se aproximando
da molécula.
Comparando a freqüência dos dois "dentes", os cientistas conseguem
mapear a estrutura da molécula. Para realizar este tipo de medição é
necessária uma precisão extrema. Para evitar que moléculas de gás
desgarradas interfiram, assim como outros fatores, o experimento
precisa ser realizado no vácuo e sob temperaturas extremamente
frias.
O problema encontrado em pesquisas similares anteriores, no entanto,
é que a ponta do "dente" do AFM não é fina o necessário em escala
atômica, e acabava interagindo com a amostra e comprometendo a
obtenção da imagem. Para resolver a questão, os pesquisadores
colocaram uma pequena molécula formada por átomos de carbono e
oxigênio na ponta do microscópio, tornando-a o mais fina possível.
A amostra usada para ser "fotografada" foi de uma molécula orgânica
chamada pentaceno, formada por 22 átomos de carbono, 14 de
hidrogênio e que mede 1,4 nanômetros (10-9 m) de comprimento. As
informações sobre as interações entre os átomos são então
"interpretadas" pelo microscópio, que desenvolve a "imagem" da
"anatomia da molécula".
Ponta do iceberg
O líder da pesquisa, Leo Gross, afirmou que os cientistas pretendem
agora combinar o método para mensurar as cargas individuais dos
átomos desenvolvido por eles com a nova técnica, o que pode permitir
que eles descrevam moléculas em um grau de detalhamento sem
precedentes. Estas pesquisas devem ajudar particularmente no campo
da "eletrônica molecular", auxiliando, no futuro, na criação de
estruturas formadas por moléculas individuais que possam funcionar
como interruptores e transistores.
Embora a técnica possa traçar as ligações que conectam os átomos,
ela não é capaz de distinguir átomos de diferentes tipos. A equipe
de pesquisadores pretende agora testar a nova técnica com uma
similar chamada de STM (Scanning Tunneling Microscope) para
determinar se a combinação dos dois métodos pode descobrir a
natureza de cada átomo nas imagens do ATM. Isto poderia ajudar ramos
inteiros da química, em particular, a química sintética, usada para
a produção de remédios.
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