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Extinção em massa
não foi causada por cometa
O impacto de um cometa não deu início a uma frente fria que durou
1.300 anos e extinguiu a maior parte da vida na América do Norte,
cerca de 12,9 mil anos atrás. Ainda que ninguém conteste a
ocorrência desse período de frio intenso, conhecido como "Dryas
recente", mais e mais pesquisadores vêm encontrando dificuldades
para confirmar um avaliação conduzida em 2007, segundo a qual uma
colisão teria deflagrado a mudança.

O estudo anterior afirma que a queda na temperatura, e mais
incêndios causados pelo suposto impacto, extinguiram os tigres de
dentes de sabre, mastodontes e outros animais gigantescos, e podem
ter causado o declínio de uma civilização anterior conhecida como
"cultura Clóvis".
A pesquisa de 2007 combinava artefatos arqueológicos e grãos
magnéticos extraterrestres encontrados em amostras de solo
recolhidas de uma fina camada de sedimento encontrada em toda a
América do Norte. A equipe responsável pela pesquisa, liderada por
Richard Firestone, químico nuclear do Laboratório Nacional Lawrence
Berkeley, também descobriu o que ele define como traços de carvão e
pedaços microscópicos de carbono, de intensos incêndios causados
pela colisão.
No entanto, novas pesquisas cujos resultados foram apresentados em
uma reunião da Sociedade Geológica da América, esta semana, em
Portland, Oregon, contestam todas essas constatações.
Terras úmidas e minimeteoritos
Nicholas Pinter, geólogo da Universidade do Sul de Illinois,
argumentou que as camadas negras descritas como carvão pela pesquisa
de 2007 não constituem efetivamente carvão. Em lugar disso, são uma
forma muito antiga e escura de terra formada em terras úmidas do
passado, afirmou Pinter.
"É uma interpretação equivocada daquilo que essas camadas
representam", ele disse. Da mesma forma, as pequenas quantidades de
carbono "não estão unicamente associadas a incêndios de alta
intensidade", ele disse. Quanto aos grãos magnéticos, eles podem bem
ter vindo do espaço exterior. Mas é provável que os grãos provenham
das cerca de 30 mil toneladas de minúsculos meteoritos que caem na
Terra a cada ano.
Ele encontrou grãos semelhantes em concentrações iguais ou ainda
maiores em diversas outras camadas, datadas de períodos diferentes.
Evolução de estilo
Vance Holliday, arqueólogo da Universidade do Arizona, acrescentou
que não existe sinal de que a extinção da cultura Clóvis esteja
relacionada a uma colisão de cometa com a Terra. Por volta da época
em que surgiu a frente fria, o estilo das pontas de pedra usadas nas
lanças dessa cultura mudou, e segundo Firestone e seus colegas isso
representaria indicação de que os povos da cultura Clovis teriam
declinado devido ao impacto do cometa.
Mas Holliday disse que isso reflete uma evolução normal de
preferências. Ele comparou os desenhos das pontas de lança à
aparição - e desaparição -de rabos-de-peixe nos automóveis
clássicos. "Não sabemos ao certo o que o estilo representa em termos
de registro arqueológico", ele afirmou. O gosto "vai e vem, e não
sabemos por quê". Mas "um impacto extraterrestre representa uma
solução desnecessária para um problema arqueológico que nem mesmo
existe".
Firestone defende suas constatações
O proponente original da teoria sobre o cometa, Richard Firestone,
defende sua tese. Ainda que ninguém seja capaz de provar que a
cultura Clóvis tenha desaparecido naquela época, ou como, o número
total de pontas de lança identificadas cai muito depois do período
em questão, ele afirmou em mensagem de e-mail.
Da mesma forma, outras pesquisas demonstraram um hiato de mais de
uma centena de anos entre os traços finais da cultura Clóvis
identificados na América do Norte e os traços iniciais da cultura
que a sucedeu na região, a cultura Folsom, apontou Firestone.
Quanto a outros indícios, a camada deixada pelo impacto do cometa é
muito fina, ele declarou à revista australiana ¿Cosmos¿, e é fácil
ignorá-la sem querer caso as amostras tenham sofrido diluição por
terra proveniente de camadas adjacentes.
Pinter, da Universidade do Sul do Illinois, também está errado sobre
o carvão e sobre os fragmentos de carbono, ele acrescentou. Essas
substâncias não estão dispersas da mesma maneira que a terra, e só
podem ser localizadas em uma banda estreita de sedimentos.
Além disso, os grãos magnéticos não têm a mesma composição dos que
costumam ser encontrados nos pequenos meteoritos típicos, ele disse.
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