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Beltrame pede para que não tratem PM
do Rio "como a Geni"
LUISA BELCHIOR
Após classificar de desastrosa a atuação da Polícia
Militar no episódio que culminou com a morte do menino
João Roberto, 3, baleado durante suposta perseguição
policial na Tijuca (zona norte do Rio) no domingo (6), o
secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano
Beltrame, pediu nesta quinta-feira para que a corporação
não seja tatada como a "Geni".
"Não podem fazer com que a Polícia Militar do Rio vire a
Geni", afirmou na manhã desta quinta-feira. Beltrame
recorreu ao trecho da letra "Geni e o Zepelim", de Chico
Buarque, que imortalizou os versos "Joga pedra na Geni,
ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir".
A declaração foi dada durante a ida do secretário de
Segurança Pública do Rio ao 19ª Delegacia de Polícia
(Tijuca). Ele foi até o local para conversar com o
delegado Walter de Oliveira, que preside o inquérito que
investiga a morte do menino.
João Roberto foi baleado quando estava dentro do carro
da mãe, Alessandra Amorim, na rua General Espírito Santo
Cardoso, na Tijuca (zona norte). Após ser ultrapassada
pelo Fiat Stilo utilizado pelos supostos assaltantes, a
mãe do menino havia encostado o carro para dar passagem
aos dois policiais. Entretanto os policiais confundiram
o veículo dela com o dos supostos criminosos, segundo
Beltrame.
Em entrevista à apresentadora Ana Maria Braga, no
programa "Mais Você", da Rede Globo, os pais do garoto
criticaram a ação dos PMs.
O secretário de Segurança Pública comparou a situação da
Polícia Militar do Rio à de Londres, rememorando o
episódio da morte de Jean Charles de Menezes, morto a
tiros por policiais dentro do metrô de Londres em julho
de 2005 ao ser supostamente confundido com um
homem-bomba.
"A polícia londrina tem policiais de alto nível. Mas
porque viveram duas semanas de estresse deram tiro no
rosto de um brasileiro que pulou uma roleta. A situação
do Rio está sob controle mas ainda temos que fazer muita
coisa mesmo. A realidade do Rio não se faz com alguns
fragmentos trágicos como este", afirmou.
Oliveira, que investiga o caso, foi na manhã de hoje no
IML (Instituto Médico Legal) para acompanhar o laudo
sobre os tiros que atingiram a criança.
Beltrame confirmou que a Palio Weekend dirigida por
Alessandra foi alvo de 17 tiros. Ele relativizou o fato
de os disparos terem sido efetuados pelos supostos
criminosos ou pelos policiais militares que participaram
da operação, ao comentar o laudo pericial no carro, que
poderá apontar de quais armas os projéteis saíram.
"Essa questão [laudo] não vai mudar nada, porque foram
17 disparos no carro e nada justifica isso. Então a
perícia é irrelevante. A conseqüencia foi muito mais
desastrosa, astronômica", afirmou.
Indícios
Oliveira disse ter ouvido de testemunhas que os tiros
partiram mesmo dos policiais. Uma das pessoas que
depuseram, contudo, afirmou ter visto tiroteio, mas
disse não ter certeza que a troca de tiros chegou até o
trecho onde estava o carro da mãe de João Roberto. Em
depoimento prestado na noite do crime, os policiais
negaram ter disparado contra o veículo onde estava a
criança e sustentaram a versão de que havia tiroteio no
momento, segundo o delegado.
Os indícios de que os tiros partiram dos policiais, no
entanto, se fortaleceram com imagens do circuito interno
de um prédio na rua onde o caso aconteceu, para o
delegado. As imagens mostram, segundo ele, que não havia
tiroteio no momento em que o menino foi atingido.
Com a gravação, e mesmo sem concluir as investigações, o
delegado pediu, na terça-feira (8), a prisão dos dois
policiais --o cabo William de Paula e o soldado Elias
Gonçalvez da Costa Neto. A prisão foi decretada na
madrugada de ontem pelo juiz Ricardo Rocha, do plantão
judiciário do Rio, e os policiais foram transferidos do
6º Batalhão de Polícia Militar (Tijuca), onde estavam
desde domingo (6), para o batalhão prisional da PM, em
São Cristóvão.
Ao comentar o caso, na noite de terça-feira, o
governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que os dois
policiais seriam expulsos da Polícia Militar. Mas a
assessoria de imprensa da PM informou que os dois
continuam na corporação e só poderão ser expulsos após a
conclusão da investigação própria da PM sobre o caso.
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