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Familiares homenageiam os 199 mortos
no acidente com vôo 3054; vizinhos lembram tragédia
da Folha Online
Um ano após o maior acidente da história da aviação
brasileira, a Afavitam (Associação dos Familiares das
Vítimas da TAM - JJ3054) promove uma série de atividades
em homenagem aos 199 mortos no desastre. Na noite de 17
de julho de 2007, ao tentar aterrissar, o Airbus-A320 da
TAM passou direto por uma das pistas do aeroporto de
Congonhas (zona sul de São Paulo), atravessou a avenida
Washington Luís, bateu contra um galpão da própria
empresa e explodiu.
No terreno onde estava o galpão da TAM Express e que foi
doado à Prefeitura de São Paulo, para a construção de
uma praça ou memorial às vítimas, será feito um minuto
de silencio no horário do acidente (18h45) em homenagem
aos que perderam suas vidas.
No sábado (19), às 11h, será realizado um ato cívico na
praça da Sé, no qual os familiares das vítimas levarão
arranjos de flores ao altar. Após o gesto, o cardeal
arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer conduz uma
missa. No domingo (20), na Sala São Paulo (praça Júlio
Prestes, sem nº, bairro da Luz) acontece uma
apresentação de um coral seguida de um ato de
agradecimento às pessoas que se solidarizaram e ajudaram
os familiares da vítimas. "Através da musica, o coral e
orquestra Allegro estará homenageando a todos que se
foram", diz a Afavitam.
17.07.2007 Roberto Assunção/Folha Imagem

Avião e galpão da TAM pegam fogo após aeronave da
empresa sofrer um acidente ao tentar pousar em Congonhas
(SP)
Os familiares que integram a Afavitam
querem que no local onde o avião da TAM explodiu seja
erguido um memorial, e não uma praça, como pretendia a
prefeitura. A reportagem da Folha Online visitou o local
nesta quarta-feira (16) e observou que o terreno, embora
em obras, permanece longe de se transformar em qualquer
espaço público acabado.
Com cerca de uma dezena de operários, um caminhão da
prefeitura e um trator, observa-se que por enquanto é
executado o alinhamento do terreno, que permanece
cercado por tapumes.
Relatos de vizinhos
Os vizinhos do local relatam que permanecem receosos em
rememorar o assunto. A vendedora Kelly Nunes, que
trabalha em uma loja na rua de trás do galpão da TAM
Express, afirmou que conhece um funcionário do setor de
cargas da TAM que sobreviveu. Segundo Nunes, ele estava
na parte da frente, "como os outros que morreram, mas
foi para os fundos pegar uma encomenda. Quando ouviu o
impactou saiu pelo estacionamento antes da explosão".
Doze funcionários da TAM que trabalhavam no galpão
morreram na hora.
Valéria Sampaio, que também trabalha na loja de bolsas,
diz ter amigos comissários de bordo, já que muitos moram
ou se hospedam na região. Ela relata que na visão dos
comissários, embora seja correta a idéia de que foi um
conjunto de fatores que levou à tragédia --que incluem o
mau tempo a pista molhada--, o consenso entre os
comissários é de que o maior problema foi mecânico, já
que um manete teria acelerado o avião na hora do pouso
sem culpa do piloto.
Ébano Piacentini/Folha Imagem

Vista panorâmica do terreno doado pela TAM à Prefeitura
de São Paulo para a construção de uma praça ou memorial
"Apesar das reformas na pista, até hoje,
nos dias de chuva, eles ficam com medo de pousar em
Congonhas", diz.
Em maio, reportagem da Folha apurou que a Polícia Civil
de São Paulo diz acreditar que o posicionamento errado
do manete do avião causou o acidente.
De acordo com declarações da Polícia Civil, o IC
(Instituto de Criminalística) deve entregar o laudo
sobre o caso em meados do próximo mês de setembro.
Depois, a polícia estima encerrar o inquérito em um mês.
O documento irá, então, para o Ministério Público
Estadual, responsável pela apresentação de uma denúncia
(acusação formal) à Justiça.
Selma Teixeira, esteticista, lembra que não sabia para
onde correr ao observar o avião colidindo com o galpão
ao lado da empresa em que trabalha. "De repente,
explodiu, e em seguida formou-se uma labareda de mais de
100 m de altura", diz.
Ela lembra que não conseguia respirar em virtude da
nuvem de fumaça tóxica que se formou, e que tentou
alertar os curiosos que se aglomeraram no local de que o
posto de gasolina ao lado do galpão poderia, a exemplo
do avião, explodir. "A fumaça era terrível, parecia
aquelas cenas da guerra do Iraque".
O bombeiro Marcelo de Souza Ferreira voltou ao local um
ano depois de ter combatido as chamas geradas pela
explosão, que arderam por três dias ininterruptamente.
"Nunca tinha trabalhado em uma tragédia deste tamanho,
vieram equipes dos bombeiros de todos grupamentos da
cidade para ajudar", lembra.
A reportagem localizou um casal que trabalha próximo ao
local do acidente, um médico e uma empresária, que foram
as primeiras pessoas a prestar socorro a vítimas do
acidente. Ambos não quiseram falar sobre a noite do
desastre. "Eles não querem lembrar do que viveram
naquela noite terrível", disse a secretária Juliana.
Ébano Piacentini/Folha Imagem

Avião da TAM aterrisa nesta quarta-feira; registro foi
feito a partir do local onde o Airbus-A320 se chocou com
um galpão. No dia do acidente, os aviões pousavam em
sentido contrário, devido às condições climáticas
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