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Supremo proíbe uso abusivo de algemas
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta
quinta-feira proibir o uso abusivo de algemas. Por
unanimidade, os ministros concluíram que as algemas
devem ser utilizadas apenas em casos excepcionais ou
quando há ameaça ao acusado, ao policial ou outras
pessoas. A decisão envolveu uma ação específica, mas
poderá servir como recomendação para outras situações
semelhantes.
O ministro-relator Marco Aurélio Mello --da ação
ingressada por um réu condenado por homicídio em
Laranjal Paulista (SP), que critica o fato de ter sido
algemado durante todo o período que durou o tribunal de
júri-- entendeu que houve abuso no uso de algemas no
caso do denunciado.
O relator sugeriu também que fossem enviadas cópias da
decisão para o ministro Tarso Genro (Justiça) e os
secretários estaduais de Justiça para fixar a "tese de
excepcionalidade" do uso de algemas. O ministro Cezar
Peluzo disse ainda que poderia ser editada uma súmula
--definindo que terá efeito vinculante.
Houve um intervalo na sessão e os ministros, no retorno,
definirão se terá ou não efeito vinculante --obrigando
que todos os tribunais sigam essa mesma decisão.
O julgamento do caso de Laranjal Paulista gerou um
debate no plenário da Suprema Corte. Apesar de a ação
tratar de uma situação específica, os ministros deverão
definir ainda hoje se a decisão poderá ser tomada como
uma espécie de jurisprudência (referência) para outros
processos semelhantes.
A discussão foi acirrada nos últimos dias em decorrência
das várias críticas sobre a prisão dos envolvidos na
Operação Satiagraha, realizada pela Polícia Federal. Na
prisão dos acusados, o banqueiro Daniel Dantas e o
ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foram filmados e
fotografados com algemas.
O presidente do STF, Gilmar Mendes, disse nesta
quinta-feira que o julgamento era fundamental porque
trata do "princípio da dignidade da pessoa humana".
Segundo ele, não há dúvida alguma de que o tribunal
deveria se pronunciar sobre o assunto.
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