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Sabesp é "multada" por contaminar córrego
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
Uma falha no sistema de coleta de esgoto da Sabesp
contaminou um córrego que cruza o parque estadual do
Tizo, uma área de 1,3 milhão de m2 --tamanho semelhante
ao do Ibirapuera- quase toda tomada por mata atlântica,
na zona sudoeste da Grande São Paulo.
A mancha de esgoto sem tratamento levou a Secretaria
Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo a
aplicar uma multa de R$ 1,2 milhão à Sabesp, empresa do
governo de São Paulo. A Sabesp também foi notificada a
corrigir os danos provocados no local.
Eduardo Anizelli/Folha Imagem

Falha no sistema de coleta de esgoto da Sabesp
contaminou um córrego que cruza o parque estadual do
Tizo
Segundo a secretaria, o esgoto chega ao córrego do Itaim
por meio de uma canaleta de drenagem natural, nas
proximidades da praça Carlos Alberto Leitão e da rua
Savério Quadrio, no distrito de Raposo Tavares (zona
oeste de SP).
A Savério Quadrio é a última fronteira entre o bairro e
o parque, próxima ao km 19 da rodovia Raposo Tavares.
Bem ao lado da rua, a contaminação provocada por
efluentes já surge. A Sabesp apresentou justificativas à
secretaria, mas as explicações não convenceram os
técnicos da fiscalização.
Procurada pela Folha, a empresa afirmou que o problema
aconteceu em razão do lançamento irregular de entulho e
restos de construção civil, o que danificou a rede, mas
que pretende implantar um sistema adequado naquela
região.
A Sabesp diz ainda que, para implementar melhorias no
sistema de esgoto, depende de medidas que devem ser
tomadas pela Prefeitura de São Paulo.
De acordo com a secretaria, o esgoto parte das casas do
conjunto habitacional Jardim Amaralina, construído pela
CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e
Urbano). Segundo a secretaria, a rede está
"deteriorada".
Despejos irregulares
Além da contaminação provocada pela falha na tubulação,
moradores da região ainda afirmam que mananciais do
parque vêm sendo contaminados pelo despejo de água
lançada por casas sem sistema de coleta de esgoto no
Parque do Ipê.
O Tizo foi criado em 2006, no governo Geraldo Alckmin
(PSDB), após reivindicações feitas pelos moradores de
São Paulo, Cotia, Osasco, Taboão da Serra e Embu --o
parque se estende por essas cidades.
Um levantamento divulgado pela Secretaria de Estado do
Meio Ambiente concluiu que o Tizo preserva 600 mil m2 de
mata atlântica original, além de outros 340 mil m2 em
processo de regeneração, formando uma das mais
importantes áreas verdes da Grande São Paulo.
Mata e animais
Além de várias nascentes, também são encontrados na mata
atlântica animais como capivaras, veados, quatis e
tatus, além de diversas espécies de aves e répteis.
Um trabalho realizado pela bióloga Silvana dos Santos,
professora da Universidade Federal da Paraíba, catalogou
árvores como jequitibás, figueira nativa e carvalho
brasileiro.
Ex-integrante do conselho orientador do parque, Solange
Martins afirma que a poluição vem afetando praticamente
todo o Tizo. "Ali é tudo interligado. O córrego do Itaim
é importante, mas não dá para avaliar a contaminação
isoladamente. Até a mata é afetada", diz.
A Folha percorreu no último sábado a trilha que
atravessa o parque. Logo na entrada secundária surgem os
primeiros sinais de contaminação --a água do córrego
fica esbranquiçada logo após o local onde são despejados
os efluentes.
O curso d'água serpenteia pelo parque até desaparecer em
meio à mata fechada, em que há restos deixados por
freqüentadores do local, apesar da vigilância. Do outro
lado do parque, a Polícia Florestal levantou indícios de
venda irregular de lotes em áreas públicas.
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