Chuva deixa 23,7 mil alunos sem aula na Baixada
Fluminense
Cerca de 23,7 mil alunos ficaram sem aulas nesta
quarta-feira por conta das chuvas que atingiram a
Baixada Fluminense na noite de ontem. Os municípios mais
afetados foram Belford Roxo, Nova Iguaçu e Duque de
Caxias. Três pessoas morreram soterradas e cerca de 500
pessoas ficaram desalojadas na região.

Segundo dados da Defesa Civil, choveu cerca de 70% do
esperado para todo o mês de novembro. O temporal causou
o transbordamento dos rios Tinguá e Maracanã, que
causaram enchentes nas principais ruas das cidades
fluminenses.
As escolas do município de Belford Roxo foram as mais
afetadas. Dez escolas municipais e duas estaduais não
tiveram aula, deixando 13,5 mil estudantes sem aulas
nesta quinta-feira. Em Duque de Caxias apenas as aulas
de escolas municipais foram suspensas. Na cidade, 8 mil
alunos foram prejudicados. Em Nova Iguaçu, duas escolas,
uma estadual e outra municipal, foram fechadas, deixando
cerca de mil alunos sem aula.
Em Belford Roxo, a Secretaria de Comunicação Social
informou que a aulas devem ser retomadas amanhã. Os
órgãos dos outros municípios não souberam dizer a
previsão para a normalização
Família calcula perdas de R$ 20 mil em
enchente no RJ
A família de Helena Farias de Lima, 62 anos, moradora do
bairro Tinguá, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro,
calcula que tenha perdido cerca de R$ 20 mil em
aparelhos eletroeletrônicos, após sua casa ser invadida
pela água durante o forte temporal que atingiu a região
na noite de quarta-feira. Na cidade, 30 pessoas ficaram
desalojadas devido às chuvas. Foram confirmadas três
vítimas fatais e dois feridos em um desabamento.
Viúva e mãe de quatro filhas, Helena comemorava o
aniversário de uma delas quando, por volta de 20h, oito
membros da família foram surpreendidos com a água que
invadiu o local pelas janelas. A família foi retirada de
sua residência pelo Corpo de Bombeiros, devido ao risco
eminente de desabamento.
Helena, que sofre de pressão alta foi socorrida pela
ambulância da Defesa Civil. No meio da rua, a família
viu a casa ser invadida pela água. Eles acreditam que o
alagamento foi causado por uma tromba d'água e pelos
bueiros que estouraram.
Todos os móveis, objetos, roupas e documentos foram
perdidos. Helena contou que até uma geladeira, da qual
só havia pago duas prestações, foi perdida. "A festa
virou um pesadelo. Perdi toda uma história de vida, mas
a família está ao meu lado e agradeço a Deus. Fiquei
muito confusa, sei que quase morri", disse. Às 21h, a
família começou a retirar a lama, tentando recuperar
alguns objetos no meio da rua João Silveira Bueno, uma
das mais atingidas pelo temporal.
Até as 17h desta quinta-feira, a família ainda tentava
limpar a residência, depois de passar a noite em claro.
Apenas uma televisão de 21 polegadas foi salva. Helena
reclamou que o carro que fornece água própria para
consumo havia passado apenas uma vez. Sua filha
Cristiana, 34 anos, descreveu o momento em que a água
invadiu a casa como "segundos atordoantes". "Foi muito
rápido quando a água entrou, e os bombeiros gritavam pra
gente sair. Na rua, vizinhos estavam chorando,
desnorteados, assistindo os eletrodomésticos boiando",
afirmou.
Cristiana disse que viu a casa de vizinhos desabar e
que, ainda sob a chuva, tentava conter a água - que
alcançou 1,5 m, segundo a Defesa Civil - que vinha dos
bueiros e ralos já sem a tampa. Sua estratégia foi usar
toalhas para evitar ainda mais estragos. Cristiana, que
é professora de escola pública, contou que as aulas
estão suspensas. Sua casa, próxima ao Morro da Biquinha
e da cachoeira da reserva, sofreu sérios danos.
"Perdemos tudo, menos a vida", disse. Sua família está
desalojada e não pretende ir para os abrigos
disponibilizados pela prefeitura.