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Remédio
contra ansiedade encontrado em rios torna peixe mais
destemido e faminto
Pesquisadores da Suécia
monitoraram a alteração de comportamento de animais
causada por resíduos de produtos farmacêuticos
lançados pelo sistema de esgoto.
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Image courtesy of Bent
Christensen
Cardume de perca - estudo analisou alteração
de comportamento em peixes expostos a
medicamentos |
Pesquisadores descobriram que resíduos de
medicamento que regula a ansiedade lançados no
sistema de esgoto está tornando os peixes mais
destemidos e famintos. O estudo conduzido por
cientistas da Universidade de Umea, na Suécia,
conseguiu comprovar que o comportamento dos peixes é
alterado por este medicamento. Após ser usado ou
ingerido pelas pessoas, componentes do remédio caem
no sistema de esgoto, passam pelo sistema de
tratamento sem sofrer alteração, e acabam em
diferentes ecossistemas.
Os pesquisadores examinaram como os peixes perca,
muito comuns na região da Escandinávia, se comportam
quando expostos ao Oxazepam. Eles puderam notar
mudanças nos peixes tanto na alimentação quanto na
forma como vivem em sociedade. Para realizar o
experimento foram usados tanques com concentrações
de drogas correspondentes aos encontrados em águas
em áreas povoadas na Suécia.
“Normalmente os peixes [da espécie Perca
fluviatillis ] são acuados e caçam em cardumes. Esta
é uma estratégia conhecida para a sobrevivência.
Porém estes que nadavam em águas contaminadas por
Oxazepam se tornaram consideravelmente destemidos”,
disse Tomas Brodin ecologista e autor do estudo
publicado esta semana no periódico científico
Science e apresentado nesta quinta-feira (14) na
durante a reunião anual da AAAS (sigla em inglês
para Sociedade Americana para o Avanço da Ciência),
em Boston.
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De acordo com o estudo
ficou perceptível que os peixes expostos a Oxazepam
se tornaram solitários e ousaram em deixar locais
protegidos para adentrar em áreas novas e
potencialmente mais perigosas. Ao contrário dos que
estavam em locais sem concentração de substâncias do
medicamento que fora do grupo se mantinham
escondidos em refúgios. “Os peixes expostos pareciam
muito menos estressados e com menos medo,
comportando-se de modo calmo e ousado”, disse Brodin
em um comunicado.
Os peixes também se alimentaram mais rapidamente.
Brodin alerta que como os peixes desempenham uma
função importante na cadeia alimentar dos ambientes
aquáticos, mudanças no comportamento alimentar pode
acarretar em desequilíbrio ecológico. “nosso próximo
passo será examinar que consequências isso pode
ocasionar. Nas águas, quando peixes começam a se
alimentar de forma mais eficiente, isto pode afetar
a composição das espécies, por exemplo, e por fim
ocasionar um aumento inesperado de espécies, como o
acréscimo na população de algas”, afirmou Brodin.
Os peixes de cativeiro usados no estudo foram
expostos ao medicamento e acumularam concentrações
do medicamento no tecido muscular comparáveis as de
peixes encontrados na natureza. Os pesquisadores
acreditam ser provável que o peixe das águas da
Suécia, local onde foi feito o estudo, muitos dos
quais estão sendo expostos a doses igualmente
diluídas de Oxazepam, pode estar sofrendo alterações
em seu comportamento e as taxas de alimentação.
Os pesquisadores a firmam que a tendência é que cada
vez mais se encontre resíduos do medicamento nas
águas de tratamento de esgoto, não só na Suécia,
como também em outras partes do mundo, tendo em
vista a previsão de que o uso da droga deve aumentar.
"A solução para o problema não é parar de medicar as
pessoas doentes, mas para desenvolver sistemas de
tratamento de esgoto que possam capturar drogas
perigosas para o meio ambiente", diz o químico
ambiental Jerker Fick, também autor do estudo.
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