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Mamute que é símbolo da Rússia tinha 'dupla
cidadania'
A ponte terrestre que existiu ocasionalmente
cruzando o que hoje é um braço de mar conhecido
como Estreito de Bering, entre o Alasca e a
Sibéria, é sempre concebida como uma via de mão
única. Afinal, a rota pela área conhecida como
Beríngia é considerada como o caminho pelo qual
muitas variedades de animais, e seres humanos,
saíram da Ásia para chegar à América do Norte.

Mas não existem placas determinando que a rota
tivesse mesmo mão única. Alguns animais - por
exemplo os ancestrais mais distantes do camelo -
percorreram essa via em sentido oposto, da
América do Norte para a Ásia. E tampouco
existiriam motivos que impedissem que uma mesma
espécie se movimentasse em ambas as direções,
caso as condições fossem propícias. É isso que
parece ter acontecido com os mamutes hibernais,
de acordo com um importante trabalho de análise
filogenética.
Hendrik Poinar, da Universidade McMaster, em
Hamilton, Canadá, e seus colegas estudaram o ADN
mitocôndrico de 160 amostras de mamutes obtidas
em toda a Eurásia e América do Norte, como
maneira de determinar que animais eram
aparentados a que outros.
Identificaram diversos grupos, ou clados, alguns
dos quais característicos da Sibéria e de outras
partes da Ásia, e outros da América do Norte,
que foram separados depois da primeira migração
dos mamutes rumo a leste, 1,5 milhão de anos
atrás.
Mas, de acordo com o relatório dos pesquisadores
publicado pela Current Biology, os cientistas
constataram que, em determinado momento dos
últimos 150 mil anos, mamutes norte-americanos
migraram de volta à Sibéria.
"Quando eles começaram a retornar, as populações
originais siberianas passaram a se reduzir e, em
espaço de 40 mil anos, os mamutes
norte-americanos detinham completo controle",
disse Poinar.
Determinar se os mamutes siberianos morreram por
motivos específicos à espécie (devido ao chamado
desvio genético) ou se foram derrotados em
termos de competição por recursos pelos parentes
retornados da América do Norte é tarefa ainda
não realizada, se bem que Poinar suspeita que o
fato de que a versão siberiana tenha começado a
desaparecer quando do retorno dos mamutes
norte-americanos não seja coincidência.
De qualquer maneira, os mamutes que se
extinguiram cerca de 10 mil anos atrás não
tinham linhagem siberiana. "Não sei se os russos
ficarão felizes ao saber que o mamute hibernal,
um animal que para eles simboliza seu país, na
verdade tinha origens norte-americanas", disse
Poinar.
The New York Times
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