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Japonês clona roedor congelado
A possibilidade de ressuscitar animais extintos
há milhares de anos --dentre os quais os mamutes--
pode ir além do delírio ficcional, mostra um
experimento de biólogos japoneses. Extraindo DNA
de um camundongo congelado por 16 anos, os
cientistas produziram clones saudáveis do
animal.
A realização está descrita em estudo publicado
hoje na revista "PNAS", assinado pelo grupo de
pesquisa de Teruhiko Wakayama, do Centro de
Biologia do Desenvolvimento, em Kobe. O
cientista ficou famoso em 1999, ao produzir o
primeiro clone de um mamífero macho.
Sergei Cherkashin/Reuters

Mamute congelado achado na Rússia; japoneses
dizem que clonagem do animal não é impossível,
após estudo sobre o assunto
Os cientistas relatam como produziram filhotes
de roedor transferindo núcleos de células do
animal morto para óvulos novos, criando uma
linhagem de células-tronco embrionárias. Só após
reproduzir as células de maneira estável, os
núcleos destas foram transferidos para outros
óvulos, que finalmente geraram os clones,
paridos por uma mãe de aluguel. Os camundongos
nasceram idênticos ao animal congelado.
"Sugeria-se que a 'ressurreição' de espécies
extintas congeladas (como o mamute-lanoso) seria
impraticável, uma vez que não haveria células
vivas disponíveis e o material genômico
remanescente estaria inevitavelmente degradado",
escrevem os cientistas no estudo. "Aqui,
relatamos a produção de camundongos clonados a
partir de corpos mantidos congelados a até 20ºC
negativos."
Além disso, afirma o artigo, o animal congelado
usado no experimento não tinha sido submetido a
nenhum tipo de "crioproteção" --uso de
substâncias que previnem a deterioração de
tecidos, como no congelamento de espermatozóides
em clínicas de fertilidade.
Segundo Wakayama, o sucesso do experimento se
deve, em parte, à escolha do órgão de onde foi
tirado o DNA clonado.
"Inesperadamente, o melhor órgão para fonte de
núcleos doadores [de DNA] foi o cérebro",
escreveu. Segundo o pesquisador, provavelmente a
alta concentração cerebral de glicose, um
açúcar, pode ter ajudado a preservar mais
células. "É sabido que [açúcares] podem ser
usados como crioprotetores, e a função cerebral
é altamente dependente da glicose."
Algo que também ajudou, segundo os autores, foi
o estabelecimento de linhagens de células-tronco
embrionárias antes da clonagem propriamente
dita. Os filhotes clonados surgiram de óvulos
que receberam cromossomos indiretamente --das
células cultivadas, não do camundongo
refrigerado.
Barriga de aluguel
Para Wakayama, criar células-tronco deve ser o
primeiro passo para produzir clones de cadáveres
de mamutes preservados no gelo. Pelo menos dois
já foram achados congelados na Sibéria nos
últimos anos.
Um entrave ainda sem solução para recriar bichos
extintos, porém, é achar um modo de fazer o
embrião se desenvolver.
"A falta de espécies para os óvulos receptores
[de DNA] e para mães de aluguel é um dos maiores
problemas", dizem os cientistas. "Contudo,
técnicas de transferência nuclear entre espécies
poderiam solucionar esse problema e fornecer uma
possibilidade de reconstituir genomas ou animais
a partir de amostras congeladas."
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