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RS: descoberta toca de 10 mi de anos feita por
tatu gigante
Francisco Buchmann, professor da Universidade
Estadual Paulista (Unesp) no campus do Litoral
Paulista em São Vicente (SP), descobriu mais de
60 túneis escavados por tatus gigantes que
viveram na América do Sul entre cerca de 10
milhões e 10 mil anos atrás aproximadamente.

Segundo a Unesp, esses túneis podem revelar o
comportamento desses animais e o ambiente em que
viviam. A maior concentração de túneis foi
descoberta em outubro de 2008, no município de
Novo Hamburgo (RS). O estudo foi apresentado na
24ª Jornada Argentina de Paleontologia de
Vertebrados, em Mendoza, no dia 6 de maio.
Geralmente, esses túneis são encontrados
totalmente preenchidos pela lama de enxurradas
de chuva sedimentada ao longo de milhares de
anos e recebem o nome de crotovinas.
Buchmann e seus colaboradores - o geólogo
Heinrich Frank e os doutorandos Filipe Caron e
Leonardo Lima, da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, mais a paleontóloga Ana Maria
Ribeiro e o mestrando Renato Pereira Lopes, da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul - são
os primeiros a encontrarem no Brasil os túneis
desobstruídos e com marcas das garras e da
carapaça do animal que os escavou.
Com as chamadas paleotocas, os pesquisadores
podem descobrir o que não dá para saber
analisando apenas os ossos fossilizados. "A
paleotoca permite estudar quais eram os hábitos
dos tatus gigantes" explica Buchmann. A maioria
das paleotocas e crotovinas foi encontrada à
beira de rodovias, em várias cidades no leste de
Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os pesquisadores acreditam que o tatu gigante
escolhia ficar perto de um rio, mas escavava em
um local alto para não correr o risco de sua
toca inundar. Buchmann explora as paleotocas
usando vários equipamentos, incluindo uma
máscara para não respirar fungos.

Tatu-gigante
Às vezes a circulação de ar não é suficiente e é
preciso levar oxigênio. "Tem de ter uma certa
boa vontade para explorá-las. A paleotoca tem um
formato cilíndrico e contínuo que se estende por
dezenas de metros", ele descreve. "A toca do
tatu atual tem de 10 cm a 50 cm de diâmetro,
enquanto uma paleotoca de tatu gigante tem cerca
de 1,5 m e 2 m de diâmetro; às vezes é muito
fácil de entrar".
De acordo com o pesquisador, os tatus gigantes
começaram a evoluir há 60 milhões de anos para
ocupar o vazio deixado pela extinção dos
dinossauros, sendo ele mesmo totalmente
desaparecido devido a mudanças climáticas, há
seis mil anos atrás. "O índio brasileiro
conviveu com esses tatus gigantes", diz.
Buchmann e seus colegas vêm discutindo que
espécie de tatu extinto escavou todas essas
tocas no sul do Brasil. Até agora, as evidências
sugerem que o escavador foi um tatu dos gêneros
extintos Propraopus ou Eutatus.
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