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Sorte fez dinos dominarem a Terra, dizem
britânicos
Os dinossauros dominaram a Terra por 130 milhões
de anos, mas esse longo reinado começou porque
deram sorte --não porque fossem intrinsecamente
superiores aos rivais.
É o que afirma o primeiro estudo detalhado
comparando as características destes animais
vertebrados e de seus rivais imediatos, os
crurotarsos, durante os primeiros 30 milhões de
anos de existência dos dinos. O estudo está na
edição de hoje do periódico "Science".
AP

Ilustração feita a partir de fóssil mostra
dinossauro Maniraptora; estudo indica que a
sorte manteve dinossauros na Terra
Os dinos surgiram no Período Triássico (252
milhões a 208 milhões de anos atrás) e foram
todos extintos no final do Cretáceo (entre 145
milhões e 65 milhões de anos atrás).
A palavra "sorte" pode não ter um sentido
preciso em ciência, mas o novo estudo não
conseguiu apontar um motivo específico para o
sucesso dos dinos e o fracasso dos crurotarsos,
vertebrados quase todos extintos, mas que são
representados hoje por um grupo bem disseminado,
o dos crocodilos.
Em vez de sobreviverem por serem melhores, os
dinos teriam tido a sorte de ver seus rivais
extintos por um fenômeno externo, como uma
mudança climática brusca. Este evento de
extinção teria acontecido 228 milhões de anos
atrás.
Consenso
A suposta "superioridade" dos dinossauros virou
uma espécie de consenso entre cientistas --isto
é, se eles sobreviveram e seus rivais foram
extintos, foi por alguma característica deles,
como a postura ereta, ou por se adaptarem melhor
à umidade ou à seca.
A equipe liderada por Mike Benton, da
Universidade de Bristol, Reino Unido, lembra que
crurotarsos e dinossauros conviveram lado a
lado, nos mesmos nichos ecológicos, durante os
primeiros 30 milhões de anos dos dinos, no
Triássico.
Havia tanto crurotarsos quadrúpedes quanto
bípedes, vorazes carnívoros e pacíficos
herbívoros. Os pesquisadores compararam 437
características dos esqueletos de 64 espécies
dos dois grupos. Eles descobriram que nenhum dos
dois estava evoluindo mais rápido que o outro.
E havia mesmo maior abundância de crurotarsos do
que de dinos em vários ecossistemas.
"A evolução não é mecânica. Muito dela é sorte,
e muito poucos organismos são rigidamente
perfeitos no que fazem --provavelmente, nenhum
é. Por isso nós colocamos de lado a idéia de que
ou os dinossauros ou os crurotarsos tinham uma
habilidade secreta que faltava ao outro grupo",
disse Benton.
"Os dinossauros não estavam fazendo nada
"melhor" que os crurotarsos nos 30 milhões de
anos em que conviveram", disse à Folha o
principal autor do estudo, Steve Brusatte, aluno
de Benton e pesquisador do Museu Americano de
História Natural, de Nova York.
"O final é meio chocante, fala em sorte. Mas
sorte não explica nada", diz Max Langer, da
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de
Ribeirão Preto da USP, ex-aluno de Benton.
"Até a década de 1980 era consenso de que os
dinossauros foram substituindo os outros porque
eram mais adaptados. Benton começou com uma
idéia contrária, de que em vez de competição,
teria havido uma extinção em massa."
Não há dúvida de que dinos e crurotarsos
conviveram; mas quanto disso envolvia
competição? "Competição é difícil de observar
mesmo em grupos vivendo hoje. No registro
fóssil, é uma busca infrutífera", diz Langer,
para quem apesar do novo estudo, a questão ainda
não está resolvida.
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