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Impacto dos alimentos no consumo prejudica indústria, diz Fiesp
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A indústria também já acusa o golpe da alta dos preços dos alimentos e seus
impactos no consumo. Segundo o gerente do departamento de economia da Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), André Ribeiro, a forte
desaceleração do nível de emprego na indústria paulista em maio é um indicativo
de que o consumidor está gastando mais com alimentos e menos com produtos
industriais.
"A demanda está perdendo força por conta da alta dos preços dos alimentos. O
consumidor está comprando menos produtos industriais porque está gastando mais
com alimentos", explicou Ribeiro, em relação à desaceleração da indústria.
A Fiesp divulgou nesta terça-feira que o nível de emprego da indústria de
transformação do Estado de São Paulo subiu 0,35% (8 mil vagas criadas) em maio
na comparação com o mês anterior, segundo dados sem ajuste sazonal. Em abril, a
alta sobre março tinha sido de 2,75%, com abertura de 62 mil vagas.
Lalo de Almeida/Folha Imagem

Segundo pesquisa do IBGE, a inflação já faz consumidor buscar alimentos mais
baratos
Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características
específicas de cada período, a alta no emprego no mês passado foi de 0,06% (ante
alta de 1% em abril). Segundo Paulo Francini, diretor do departamento de
pesquisas econômicas da Fiesp, o índice desazonalizado é o menor desde o início
deste ano e a primeira "batida" no zero desde dezembro de 2007, período em que
tradicionalmente as contratações desaceleram.
"Notávamos acomodação da indústria em relação a outros indicadores. O INA já
apontava isso, que parte do ímpeto estava se perdendo. Não era dramático porque
a variação ainda era positiva. (...) O preocupante agora é que a taxa de
crescimento passou a ser não-crescimento", disse Francini.
Segundo ele, os reflexos do aumento da taxa de juros (já foram duas altas desde
abril deste ano) para 12,25% e da valorização na taxa de câmbio (sob as
influências da conquista do grau de investimento pelo Brasil) ainda não foram
contabilizados pelo emprego industrial. Francini já manifestou, no entanto, suas
preocupações quanto às conseqüências disso no futuro.
"Quem imagina que política econômica é ciência e que existe um botão de ajuste
fino, não existe. E como não existe, há como exagerar na medida do botão. Os
aumentos da taxa Selic nas duas últimas reuniões do Copom (Comitê de Política
Monetária do Banco Central] vão aprofundar a acomodação/desaceleração da
indústria", avaliou.
Inflação
Francini disse não saber, no entanto, com que intensidade a indústria deverá
reagir às medidas utilizadas pelo governo para controlar a inflação. Segundo
ele, a combinação dos dois aumentos da Selic, da elevação do IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras), da inflação de alimentos e do grau de investimento
dificulta uma previsão, mas indica que o impacto já pode ser mais negativo para
o próximo mês.
"Há muitas variáveis atuando juntas. Não dá para saber dos efeitos já em curso.
(...) Mas há possibilidade de que no próximo mês o emprego já tenha variação
negativa. O difícil é saber se é início de uma tendência. Os fatores apontam
para estabilidade", disse Francini.
A estimativa da Fiesp para a expansão do emprego na indústria em São Paulo é de
3,5% neste ano. No acumulado de janeiro a maio, porém, a alta é de 4,79%. "Já
estávamos prevendo crescimento menor daqui até o final do ano. O mês de maio
confirma isso, mas não dá indicação da intensidade. Vamos ter de esperar [no
caso de alguma revisão da projeção]", disse Ribeiro.
"Medidas em excesso podem trazer a economia para rota de declínio. São riscos
inerentes ao conjunto de medidas [do BC]. Já haviam sinais de
acomodação/desaceleração da indústria, que não foram consideradas pelo Copom.
Temos meses a frente para nos dizem o que vai acontecer. Há sinal de alerta, mas
não há certeza para dizer que estamos entrando em período de declínio da
economia", afirmou Francini.
Comércio
Segundo divulgou o o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
nesta terça-feira, as vendas do comércio varejista do país cresceram 0,2% em
abril, na comparação com o mês anterior. Em relação a abril de 2007, houve
expansão de 8,7%. Segundo o IBGE, "os resultados expressam certa estabilidade no
ritmo de vendas em relação a março".
O resultado no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo
período de 2007, revela alta de 11%. Nos últimos 12 meses terminados em abril, a
expansão das vendas do comércio é de 10,3%. A receita nominal das vendas do
comércio em abril aumentou 0,6%, na comparação com março. Em relação a período
correspondente em 2007, a alta foi de 13,8%.
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