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BC prevê investimento estrangeiro maior para compensar piora na conta externa





O Banco Central aumentou hoje a previsão para a entrada de investimentos estrangeiros no país, tanto no setor produtivo como no mercado de ações. Assim, o volume maior de dinheiro vindo do exterior --que reflete a confiança internacional na economia brasileira-- deve compensar o péssimo resultado das contas externas (mede as principais operações do país com o exterior), cuja previsão de déficit no ano foi elevado de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões, fruto do aumento das remessas de lucros pelas empresas e da forte queda no superávit da balança comercial.

A previsão para os investimentos estrangeiros diretos no setor produtivo passou de US$ 32 bilhões para US$ 35 bilhões. A maior parte desse dinheiro deve chegar no segundo semestre.
Até maio, já entraram no país US$ 14 bilhões. A expectativa é terminar o mês de junho com um resultado positivo de mais US$ 3 bilhões (até o dia 23 desse mês já foram registrados US$ 2,2 bilhões).

No mercado de ações e renda fixa, já entraram US$ 12,7 bilhões até maio e outros US$ 1,9 bilhão em junho (até dia 23). Com isso, o BC aumentou a previsão de entrada de capital estrangeiro no mercado financeiro em 2008 de US$ 12 bilhões para US$ 25 bilhões.

"Com a obtenção do 'investment grade', estamos vendo um investimento significativo em ações", diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Piora nas contas

Depois de registrar um déficit na conta corrente, que mede as principais operações do país com o exterior, de US$ 14,7 bilhões até maio, o BC aumentou a expectativa de resultado negativo no ano de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões. Esse valor equivale a 1,49% do PIB (Produto Interno Bruto).

Esse será o pior resultado desde 2001 em termos financeiros (US$ 23,3 bilhões) e desde 2002 em relação ao percentual do PIB (1,51%).

Mesmo assim, o BC diz que haverá entrada de dinheiro para financiar essa conta. "Não se espera um crescimento explosivo do déficit e você tem recursos que dão sustentação ao balanço de pagamentos", diz Altamir. "Só o investimento direto seria mais que suficiente para financiar o déficit em transações correntes."

Lucros e dividendos

A conta corrente é formada pelos resultados da balança comercial, pelos serviços e rendas e pelas transferências unilaterais. O BC reduziu a previsão de saldo da balança de US$ 27 bilhões para US$ 25 bilhões em 2008. Projeta também uma saída maior de lucros e dividendos que o previsto em março, de US$ 24 bilhões para US$ 29 bilhões.

As remessas de lucros e dividendos de empresas para o exterior somaram US$ 15,6 bilhões até maio e devem ficar em US$ 1,6 bilhão em junho.

Altamir diz que as empresas estrangeiras que tiveram bons lucros no Brasil e remeteram dinheiro para cobrir os prejuízos lá fora no começo do ano, mas devem reduzir o envio de dinheiro agora. Por isso, o BC prevê uma desaceleração dessas remessas no segundo semestre.

"A tendência agora é de uma certa acomodação no déficit, por conta na redução das remessas de lucros e dividendos para o exterior. No começo do ano, as empresas tendem a remeter mais lucros", diz Altamir.


 

 

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