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Indústria de alimentos sente "golpe" da inflação, diz Fiesp


YGOR SALLES
da Folha Online

O setor industrial de alimentos e bebidas já sentem efetivamente o efeito da alta da inflação de seus produtos, apontou nesta quinta-feira a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Segundo o Levantamento de Conjuntura da entidade, o índice de atividade do setor recuou 1,9% no acumulado do ano até maio. "É o único [setor] que apresenta esse número negativo", disse Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp. "Nota-se uma queda da demanda por causa da inflação."

A inflação sobre o setor de alimentos --causada pela alta generalizada nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional e pelo aumento da demanda-- é considerado o grande motivador da retração.

O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicou que a inflação dos alimentos já está em 8,62% no acumulado do ano até junho na comparação com o mesmo período do ano anterior.

"A renda [do consumidor] está crescendo, mas a inflação dos alimentos avança mais ainda. E historicamente o ritmo de atividade do setor de alimentos de bebidas age de forma contrária a da inflação", disse Francini.

"O consumidor sempre compromete a mesma porcentagem de sua renda com alimentação. Ele vai sempre com o mesmo valor fazer compras, então se há inflação ele não vai gastar mais e sim reduzir o volume de produtos comprados. E se o volume não pode ser alterado, substitui os produtos mais caros por mais baratos", explicou.

O resultado desse comportamento do consumidor tem especial efeito nas vendas reais do setor, que no acumulado do ano até maio já caiu 7,6% sobre igual período de 2007. Na comparação entre maio de 2008 com o mesmo mês do ano passado, a queda das vendas foi ainda maior, chegando a 13,1%.

 

 

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