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Série de notícias ruins faz Bovespa despencar quase 4%


YGOR SALLES
da Folha Online


Uma série de más notícias no mercado americano, aliado ao preço recorde para o petróleo, fizeram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargar mais uma queda hoje. E a perda foi ainda mais intensa do que a vista nos últimos dias.

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, fechou com recuo de 3,61%, aos 61.106 pontos. É o pior desempenho em um dia desde 19 de março, quando perdeu 5,01%. O giro financeiro foi de R$ 6,25 bilhões, com cerca de 261 mil negócios realizados.

Já o dólar comercial apresentou um pequeno recuo de 0,12%, sendo vendido a R$ 1,603.

"Tivemos uma série de notícias ruins hoje. Ficamos sem saída mesmo", disse Alessandra Ribeiro, analista da Tendências.

A principal responsável pela turbulência é, novamente, o petróleo. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de petróleo leve WTI para entrega em agosto fechou a US$ 143,57 (novo recorde de encerramento), com alta de 1,84%.

O preço da commodity --que nas últimas semanas vêm sendo decisivo nas decisões dos investidores-- abriu em baixa, mas começou a subir logo após a divulgação das reservas semanais nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Energia, as reservas caíram em 2 milhões de barris na semana passada e ficaram em 299,8 milhões. A queda nos estoques indicar um aumento da demanda nos Estados Unidos --a maior consumidora mundial da commodity. Com demanda maior, os preços sobem. E, com os preços em alta, os investidores são atraídos, fazendo o mercado acionário se deteriorar.

Em Nova York, as Bolsas também sentiram essa pressão, embora de forma um pouco mais tênue. O índice Dow Jones caiu 1,46%, enquanto que o Nasdaq Composite indicou perda de 2,32%.

A aceleração da queda nos últimos momentos do pregão, disse Alessandra, está ligado ao anúncio do payroll (indicador de geração de vagas nos Estados Unidos), que ocorre amanhã. "Eles anteciparam um payroll ruim, já que os dados da ADP vieram abaixo do esperado", explicou.

A pesquisa mensal sobre emprego privado da agência de recursos humanos indicou que a economia americana perdeu 79 mil empregos em junho, contra criação de 25 mil vagas no mês anterior. Os analistas esperavam que o último mês teria perda de 20 mil postos de trabalho.

O único dado que não trouxe mais preocupação ao mercado foram os pedidos às fábricas nos EUA, que registraram alta de 0,6% em maio --abaixo do 1,3% (dado revisado) registrado em abril, segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio, mas em linha com o esperado.

No Brasil, o fluxo cambial, que mede a entrada de capital estrangeiro no comércio e na área financeira, está positivo em US$ 1,653 bilhão até o dia 19 de junho, segundo dados do Banco Central.

Entre as ações listadas no Ibovespa, o destaque fica para a forte queda dos papéis de siderúrgicas. Os papéis preferenciais da Gerdau (-7,1%) e da Gerdau Metalúrgica (-6,82%), além das ordinárias da CSN (-7,49%), são as que mais caem no principal indicador da Bovespa.
 

 

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