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Citigroup registra prejuízo de US$ 2,5 bilhões no segundo trimestre


da Folha Online


O gigante americano do setor financeiro Citigroup informou nesta sexta-feira que registrou um prejuízo de US$ 2,5 bilhões (US$ 0,54 por ação) no segundo trimestre deste ano, contra um lucro de US$ 6,23 bilhões (US$ 1,24 por ação) no mesmo período de 2007. As perdas do banco se deveram ao aumento na inadimplência nos pagamentos de empréstimos, segundo o banco.

 

Mark Lennihan/AP


Apesar da perda, o resultado foi melhor que o previsto pelos analistas, que esperavam uma perda de US$ 0,66 por ação. O banco teve de efetuar uma redução de US$ 7 bilhões no valor dos ativos em sua divisão de investimentos e outros US$ 7,2 bilhões em custos de crédito.

Com o resultado divulgado hoje, o Citi já acumula três trimestres consecutivos de perdas. As ações da instituição já perderam 65% de seu valor no último ano. No primeiro trimestre deste ano, o banco teve um prejuízo de US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre, com quase US$ 14 bilhões perdidos em reduções de valores de ativos --entre eles os ligados a créditos de risco (chamados de "subprime").

A receita do Citigroup caiu 29% no período, para US$ 18,7 bilhões, mas também superou o previsto pelos analistas.

O banco ainda reduziu seu quadro de funcionários em 6.000 pessoas, totalizando 11 mil demissões neste ano.

Os prejuízos e as reduções de valores de ativos do Citi ficaram menores no trimestre passado, comparados com os do primeiro trimestre. Com o resultado as ações da instituição chegaram a subir 8% na pré-abertura e, ao meio dia (em Brasília), estavam em alta de 9,4%. Os investidores viram o balanço do Citi como um contraponto positivo do Merrill Lynch --que ontem anunciou um prejuízo de quase US$ 5 bilhões.

Outros bancos conseguiram apresentar resultados vistos como positivos pelos investidores, levando-se em conta o cenário desfavorável para o setor financeiro, dentro da crise de crédito em que os EUA entraram devido ao colapso dos mercados imobiliário e de hipotecas de risco.

O JP Morgan, por exemplo, teve uma queda de 53% em seu lucro no trimestre passado, que ficou em US$ 2 bilhões. O lucro por ação do banco ficou em US$ 0,54, contra uma expectativa de US$ 0,44 por ação.

Na quarta-feira (17), o Wells Fargo --quinto maior banco dos Estados Unidos-- informou que teve lucro de US$ 1,75 bilhão no segundo trimestre de 2008 --22% a menos do que no mesmo período do ano passado. Apesar da queda nos ganhos (a terceira seguida entre os resultados trimestrais), o balanço foi visto como positivo: o lucro por ação ficou em US$ 0,53, acima dos US$ 0,50 esperados pelos analistas.

A divisão de operações de varejo do Citi --a maior do grupo-- teve prejuízo devido às perdas com a inadimplência, mas a receita cresceu 1% --os empréstimos cresceram em média 8% e os depósitos, 9%. As perdas com crédito na América do Norte cresceram 2,33%, contra 0,87% um trimestre antes.

Na divisão de cartões de crédito, a receita cresceu 3% no mundo todo, mas o lucro caiu 56% em meio aos custos mais altos do crédito; na América do Norte, o lucro da divisão caiu 75%.

Na semana passada, o banco de investimentos Morgan Stanley já havia reduzido as expectativas de ganhos de diversos bancos americanos devido às perdas já acumuladas nos últimos trimestres.

O Citi já levantou cerca de US$ 39 bilhões desde novembro, devido à crise financeira iniciada no ano passado. A expectativa do banco, no entanto, é de vir a precisar de mais capital devido às perdas crescentes com crédito. O executivo-chefe do banco, Vikram Pandit, anunciou em maio medidas para reestruturar a instituição --entre elas a venda de mais de US$ 400 bilhões em ativos nos próximos três anos.

No último dia 11, o Citigroup informou que irá vender sua operação de varejo na Alemanha para o francês Credit Mutuel por US$ 7,7 bilhões.


 

 

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